Do tricampeonato mundial e mais: relembre os títulos marcantes da carreira de Pelé

Pelé celebra mais um Mundial
Pelé celebra mais um MundialProfimedia

Morreu esta quinta-feira Pelé, o Rei do Futebol. O craque conquistou 41 títulos nos 21 anos de carreira profissional ao serviço do Santos, New York Cosmos e Seleção Brasileira. Até hoje é o único jogador na história a vencer três Mundiais, e um dos três atletas a vencer o Campeonato Brasileiro seis vezes.

O primeiro título de Pelé como jogador profissional foi o Campeonato Paulista de 1956, ano em que chegou ao Santos e participou em apenas alguns jogos da campanha vitoriosa. A titularidade só viria no ano seguinte. Vamos relembrar os principais títulos de Pelé em sua carreira:

Mundial-1958

Depois de um ótimo final de época em 1957 e um início igual em 1958, com grandes exibições no Torneio Rio-São Paulo, com oito golos em oito jogos, o menino de 17 anos foi convocado por Vicente Feola para a Mundial, na Suécia.

O Rei foi suplente nos dois primeiros jogos do Brasil na competição e entrou pela primeira vez, junto com Garrincha, na última partida da fase de grupos, contra a União Soviética. A Seleção Brasileira venceu por 2-0, com golos de Vavá, e Pelé não saiu mais do onze.

O primeiro golo do eterno 10 do Brasil em Mundiais aconteceu no jogo seguinte, na vitória sobre Gales (1-0) que garantiu a meia-final. Na sequência, contra uma França fortíssima, três golos e uma atuação histórica no 5-2 brasileiro.

Na final, veio o nascimento da aura em torno de um génio em formação. Na casa dos suecos, rivais na decisão, Pelé marcou mais duas vezes, uma delas com direito a chapéu, para ajudar o Brasil a vencer o seu primeiro título mundial.

Apesar do craque daquele Mundial ter sido Didi, o 10 do Brasil tornou-se o grande rosto do futebol mundial. A estrela tinha nascido. 

Campeonato Paulista de 1958

Depois de ser o artilheiro do Paulistão de 1957 com 16 anos e mesmo assim perder o título para o São Paulo, Pelé foi arrasador e campeão em 1958. Com 58 golos em 38 jogos, o jovem fenómeno do Santos ajudou a conquistar o título estadual com 29 vitórias, seis empates e três derrotas — e um saldo de golos de +103.  

Taça Brasil de 1961

A primeira edição do torneio nacional, que mais tarde seria considerado o Campeonato Brasileiro, aconteceu em 1959. O Santos de Pelé perdeu a final com o Bahia. No ano seguinte, o Palmeiras foi o representante de São Paulo na competição e foi campeão.

Depois de três anos, enfim Pelé e companhia conseguiram coroar nacionalmente o domínio do Santos no futebol brasileiro. A final foi contra o tricolor baiano, carrasco dois anos antes, e a vingança aconteceu com o Rei a marcar três golos no jogo decisivo (5-1).

Taça Brasil de 1962

Pelé e Garrincha, Garrincha e Pelé. No final dos anos 1950 e no início dos anos 1960 era quase impossível falar de um e não falar do outro. Invictos com a Seleção Brasileira, os dois nunca jogaram juntos por clubes. Pelo contrário: defrontaram-se muitas vezes em jogos decisivos. O Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha protagonizaram grandes jogos naquele tempo.

O maior deles foi na final da Taça Brasil de 1962. O Santos venceu o primeiro jogo, no Pacaembu, por 4-3; o segundo teve vitória do Botafogo por 3-1, no Maracanã; e o jogo de desempate, também no Maracanã, teve goleada da equipa paulista por 5-0, com direito a dois golos do Rei.

Mundial-1962

Pelé chegou ao Chile no auge da forma para disputar o segundo Campeonato do Mundo. Campeão paulista, brasileiro e, no mês seguinte, da Libertadores, o Rei tinha tudo para fazer o melhor Mundial.

Começou bem e fez um gol contra o México, na vitória por 2 a 0 na estreia. Porém, no jogo seguinte, contra a Checoslováquia, chegou a lesão que o tirou do resto do Mundial. Aymoré Moreira colocou Amarildo para substituir o Rei e o Brasil caminhou para conquistar o bi sob o comando de Garrincha.

Mundial Interclubes de 1962

O ano de 1962 foi absolutamente espetacular em conquistas para Pelé. A última delas veio noutro Mundial, o Interclubes. Depois de vencer sua primeira Libertadores frente ao Peñarol, com dois golos no jogo decisivo, o 10 santista quis o mundo.

O desafio foi contra o Benfica, campeão europeu e base da seleção portuguesa que seria terceiro lugar no Mundial-1966. O Rei foi muito decisivo mais uma vez e fez cinco golos nos dois jogos — incluindo três no Estádio da Luz, em Lisboa, numa das maiores exibições de sua carreira.

Libertadores de 1963

Se o título internacional mais marcante de 1962 foi o Mundial, em 1963 foi a Libertadores. O jogo de Pelé contra o Boca Juniors na Bombonera para garantir o título continental é considerado uma das cinco melhores atuações do Rei. 

Além de marcar um dos golos da vitória por 2-1, comandou o Santos. Mesmo sob muita pressão da torcida e violência dos adversários, o génio não se intimidou e levou a equipa a um feito até hoje único: levantar a Libertadores frente ao Boca Juniors em casa dos argentinos.

Mundial-1970

Entre a Libertadores de 1963 e o Mundial-1970, Pelé venceu diversos Paulistões, mais três brasileiros e um Mundial Interclubes, além de pulverizar recordes. 

O Campeonato do 1970, no entanto, foi o ato final de uma carreira com uma consistência nunca antes vista. Doze anos depois do primeiro Mundial e quatro anos após uma imensa decepção em Inglaterra, 1966, o Rei foi ao México decidido a deixar uma última imagem positiva nesta prova. E conseguiu.

Com uma reunião raríssima de craques, comandou e brilhou intensamente. Lançando, passando, driblando e finalizando, o 10 da canarinha eternizou-se no primeiro Mundial transmitido ao vivo pela TV.

O Rei, que chegou a colocar em dúvida participação no torneio, abriu o placard na final em um icónico golo de cabeça e finalizou com o passe para Carlos Alberto Torres fazer o 4 a 1 definitivo sobre a Itália.

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