Em carta dirigida ao comissário europeu do Desporto, Glenn Micallef, a que a agência EFE teve acesso, os presidentes das três federações nórdicas manifestaram "profunda preocupação" com as decisões do organismo regulador do futebol mundial, defendendo que a "alma do futebol" não pode ser colocada à venda.
O descontentamento surge na sequência da tentativa de Infantino de, através da FIFA Forward Enterprise (FFE), privatizar o Campeonato do Mundo, medida que gerou forte contestação no universo do futebol, levando as confederações da Europa (UEFA), Ásia (AFC) e América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF) a acusaram o presidente da FIFA de ter abandonado o seu dever ao atuar com “engano” e colocar-se “acima do coletivo que lhe confiou autoridade”.
O projeto previa a angariação de até 4,2 mil milhões de dólares (3,64 mil milhões de euros) através da alienação de uma quota minoritária de até 20% a investidores privados.
Apesar de a proposta ter sido retirada após forte oposição, os dirigentes Simon Astrom (Suécia), Jesper Moller (Dinamarca) e Ari Lahti (Finlândia) garantem que as dúvidas sobre quem controla o futuro do futebol mundial permanecem.
Os signatários criticam a falta de consulta às associações-membro e exigem que a FIFA aplique os mesmos padrões de transparência, integridade e responsabilidade democrática que exige a clubes, ligas e federações nacionais.
Na missiva, as três federações apelam ao reforço do Modelo Europeu do Desporto e recordam a resposta conjunta dada pela UE e pelas federações no combate à tentativa de criação da Superliga Europeia, em 2021, como exemplo da coordenação necessária para proteger o mérito desportivo e a solidariedade.
A FIFA sustentava que a verba angariada através da FFE serviria para financiar o programa FIFA Forward, prometendo aumentar os apoios diretos às federações dos atuais oito milhões de dólares (ciclo 2023-2026) para 20 milhões de dólares entre 2027 e 2030.
