Recorde as incidências da partida
Esta quarta-feira à noite, no centro da Turquia, disputou-se o jogo amigável simbólico entre o Konyaspor e a seleção da Palestina. Além da recolha de donativos — incluindo brinquedos para as crianças da Palestina —, este duelo informal pretendia chamar a atenção para o sofrimento do povo palestiniano. O lema do evento, dirigido aos cidadãos da Palestina, era: "a nossa casa é a vossa casa".
O Konyaspor adiantou-se logo ao primeiro minuto, quando Melih Ibrahimoglu colocou os anfitriões na frente. Mohammed Hasn Rajab Sandouqa respondeu com dois golos, aos 12 e 25 minutos, e pouco depois Mustafa Muhammed fixou o resultado em 2-2, ainda antes da meia hora.
Antes de ser marcado o primeiro golo, o encontro foi interrompido aos 10 minutos e 14 segundos, quando a iluminação do estádio se apagou. Foi uma forma de homenagear os 1014 atletas palestinianos que já perderam a vida. Os rostos de alguns deles foram erguidos até à cobertura, numa enorme tela.
Mais importante do que o resultado
Transmitido em toda a Turquia, o jogo começou com uma coreografia com o pungente lema "O silêncio é para quando as crianças dormem, não quando morrem". O estádio do Konyaspor, com capacidade para cerca de 40 mil espectadores, esteve perto de encher, enquanto, de forma simbólica, o setor visitante permaneceu vazio. Segundo o clube organizador, todas as coreografias foram preparadas pelos seus adeptos.
Além das inúmeras bandeiras palestinianas, nas bancadas surgiram pombas brancas, bem como imagens de conhecidos jornalistas mortos pelo lado israelita. Ao centro, estava a repórter da Al Jazeera, Shireen Abu Akleh, morta em 2022 com um tiro na cabeça, disparado a grande distância, enquanto trabalhava na Cisjordânia. As imagens estavam acompanhadas do lema "o jornalismo não é um crime".
Recebidos com uma ovação, os jogadores não disputaram os 90 minutos completos. O encontro foi interrompido um segundo antes do fim do tempo regulamentar. Sem o apito final, a decisão ficou suspensa com o resultado em 2-2, enquanto nos ecrãs gigantes surgiu a mensagem de que o jogo será concluído quando a Palestina for livre. Os jogadores palestinianos foram brindados com flores no final.
A causa palestiniana conta com um enorme apoio popular na Turquia, e o jogo desta quarta-feira foi também promovido por políticos. O ministro do Desporto, Osman Askin Bak, esteve no estádio e, logo após o encontro, o presidente Recep Tayyip Erdogan agradeceu à seleção visitante pela presença e aos habitantes de Konya pela receção digna.
"Nós, enquanto Turquia, continuaremos ao lado dos nossos irmãos e irmãs da Palestina e de Gaza, a defender os seus direitos na arena internacional e a demonstrar solidariedade da forma mais forte possível", afirmou o presidente da Turquia.
