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Messi despede-se da Argentina após transformar dor em glória: relembre os principais momentos

Lionel Messi ergue a taça de campeão do mundo
Lionel Messi ergue a taça de campeão do mundo KEITA IIJIMA / YOMIURI / THE YOMIURI SHIMBUN VIA AFP

Canhoto, dono de um talento inigualável e transformado ao longo dos anos para se tornar um líder incontestável, Lionel Messi deixa a seleção argentina como capitão e protagonista dos maiores momentos de alegria da história da Albiceleste.

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Aos 39 anos, Messi anunciou no final de agosto o encerramento de uma trajetória de 21 anos com a seleção, marcada por derrotas dolorosas, uma retirada "relâmpago", um retorno triunfal, uma consagração há muito aguardada... E um romance eterno.

Messi vai despedir-se oficialmente do seu país esta quarta-fera, diante de 85.000 espectadores no Estádio Monumental de Buenos Aires, num particular contra o Benim, um inesperado adversário africano.

"Falta pouco, algumas etapas vão-se encerrando e esta é uma que dói muito. Amo, amei e sempre amarei estar na seleção. Dei tudo, não tenho mais nada a dar e, além disso, estão a surgir jovens muito bons que merecem estar lá", escreveu o astro no Instagram.

O último capítulo foi a final do Mundial-2026, com uma derrota com a Espanha por 1-0 no dia 19 de julho, três anos e sete meses depois do seu momento mais feliz: o título mundial de 2022, no Catar.

Messi deixa um legado imensurável para a Argentina, com números que parecem quase impossíveis de superar, tendo-se tornado há muito tempo o jogador com mais jogos pela Albiceleste (207).

Messi também se despede como o maior artilheiro da história da seleção, com 125 golos, recordista em assistências (68) e mais jogos disputados em Mundiais (34).

A esta altura, Messi agora pode encarar com outros olhos a sua estreia em 2005, quando o técnico José Pekerman o lançou num particular contra a Hungria.

Nessa ocasião, Messi permaneceu em campo durante menos de um minuto, sendo expulso após atingir um adversário no rosto com a mão.

Legado para a história

Nascido em Rosário, cerca de 300 km ao noroeste de Buenos Aires, Messi vive em Miami desde 2023 com a esposa, Antonela Roccuzzo, e os seus três filhos.

Depois de conquistar a Europa com o Barcelona (2004-2021) e de uma passagem de dois anos pelo Paris Saint-Germain, Messi assinou com o Inter Miami para competir numa liga de menor expressão e poupar as energias visando dar o máximo pela seleção.

O legado de Messi marca um compromisso inabalável com a Argentina, uma escolha que fez ainda jovem e manteve mesmo quando, já radicado em Barcelona, poderia ter jogado pela Espanha, mas optou por aguardar a convocatória do país onde nasceu.

Após mais de duas décadas a defender a Albiceleste, Messi protagonizou exibições inesquecíveis, desde os hat-tricks contra o Brasil, em 2012, e o Equador, nas Eliminatórias para o Mundial-2018, até a final no Catar em 2022 contra a França, na qual marcou dois golos e conduziu a Argentina ao seu terceiro título mundial.

A coleção de troféus com a seleção inclui aquele Mundial, o primeiro da Argentina desde a consagração de Diego Maradona em 1986, além das Copas América de 2021 e 2024, o ouro olímpico nos Jogos de Pequim-2008 e a Finalíssima de 2022.

A Copa América de 2021, primeiro título da seleção principal em quase três décadas, foi conquistada diante do Brasil em pleno Maracanã.

No entanto, os números parecem pouca coisa diante do talento que Messi exibiu na reta final da sua extraordinária carreira, quando podia dar-se ao luxo de passar longos períodos a caminhar em campo e, ainda assim, ser decisivo.

Rutura em 2016

Uma imagem memorável? Quando Messi driblou quatro ingleses na meia-final do Mundial de 2026, incluindo Harry Kane, antes de ser derrubado.

"O que mais ele precisa fazer para ser considerado o melhor da história?", perguntou o técnico da Argentina, Lionel Scaloni.

A história de amor de Messi com os Mundiais, no entanto, começou com deceções: eliminações precoces em 2006, 2010 e 2018, e a final perdida para a Alemanha em 2014, no Brasil.

As duas finais de Copa América perdidas para o Chile também doeram, especialmente a de 2016, quando Messi anunciou uma retirada que, felizmente para o futebol, durou apenas 47 dias: "É isso, acabou para mim na seleção".

Messi regressou para tentar conquistar um povo que, ainda com Maradona na memória, o via há anos como alguém distante e o criticava sem tréguas.

Desde então, Messi transformou-se. Continuou a ser decisivo, mas abandonou o perfil discreto para assumir a braçadeira de capitão e a liderança de uma Albiceleste que se uniu em torno dele.

Scaloni deu ao craque o que outros técnicos não haviam dado: um grupo de jogadores prontos para "matar e morrer" pelo seu líder. Um líder que parecia vulnerável na América do Norte, propenso tanto ao choro quanto ao sorriso, no meio dos problemas de saúde do seu pai, Jorge, o seu empresário e pilar da sua carreira, e que faleceu no início de agosto.

Os números de Messi pela seleção da Argentina
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