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O último jogo de Messi em números: ocasiões desperdiçadas e um último espetáculo na criação

Lionel Messi despediu-se da seleção argentina
Lionel Messi despediu-se da seleção argentinaČTK / AP / Gustavo Garello

Todo o país aguardava esta despedida, mas pouco menos de 85.000 adeptos sortudos puderam entrar no Estádio Monumental, em Buenos Aires, que estava esgotado. Lionel Messi (39 anos) proporcionou-lhes um verdadeiro espetáculo na sua última aparição pela seleção nacional. Frente ao Benim, registou um golo e duas assistências, mas mostrou que até um ícone nacional é humano quando desperdiçou várias oportunidades flagrantes. A sua exibição valeu-lhe uma classificação de 8,9 no Flashscore.

Recorde as incidências do encontro

Toda a noite decorreu num ambiente eletrizante. Aos 10 minutos, o árbitro interrompeu o jogo para que o ícone argentino pudesse receber a ovação dos adeptos em êxtase. Embora pudesse parecer o contrário, os adversários africanos, supostamente mais fracos, não tinham vindo apenas para fazer número; Messi e companhia tiveram de mostrar a sua qualidade para garantir que a ocasião festiva não se transformava num enorme embaraço.

Contudo, ficou claro que a Argentina tinha preparado todo o seu jogo com um objetivo: proporcionar ao seu herói uma despedida grandiosa. Por vezes, isso pareceu forçado, e foi evidente a decisão do Benim de colocar dois jogadores sobre Messi.

Afinal, estamos a falar de um dos melhores jogadores da história. Os seus números no jogo foram extremamente dominantes. Ao longo dos 90 minutos, fez nove remates e teve 12 toques na área de grande penalidade adversária.

O seu valor acumulado de golos esperados (xG) subiu para 1,97. Com cinco remates enquadrados, o seu registo de golos esperados enquadrados (xGOT) subiu ainda mais, para uns impressionantes 2,35.

Mapa de remates de Messi frente ao Benim
Mapa de remates de Messi frente ao BenimOpta by Stats Perform

Torna-se ainda mais surpreendente, por isso, que Messi não tenha conseguido marcar em jogo corrido. A sua determinação extraordinária levou-o a rematar de posições em que normalmente teria optado pelo passe. O modelo de dados registou nada menos do que quatro grandes oportunidades desperdiçadas.

Um momento em particular, já perto do fim do jogo, mostrou que até os melhores podem ver-se condicionados pelo peso da emoção: dentro da pequena área, rematou inexplicavelmente por cima, com a baliza completamente deserta. Também se mostrou desconfortável nos duelos e no drible, concluindo apenas uma de quatro tentativas e perdendo a bola por oito vezes.

O que lhe faltou em eficácia na finalização, compensou largamente, como habitualmente, através da sua distribuição de elite e criatividade.

A exibição de Messi na despedida
A exibição de Messi na despedidaFlashscore

A vertente criativa do seu jogo continuou a cumprir os padrões mais exigentes. Messi gerou 0,73 golos esperados através de assistências (xA) e fez quatro passes decisivos que conduziram diretamente a remates.

Pouco depois do intervalo, o seu espetáculo começou quando serviu Nicolas Otamendi na sequência de um canto. Pouco depois, completou a sua 70.ª assistência pela seleção nacional ao criar uma oportunidade de remate para Nico Paz, que precisou de cerca de um minuto em campo para marcar o seu primeiro golo pela seleção.

O domínio de Messi sobre o ataque, apesar das oportunidades desperdiçadas, também se refletiu no trabalho que realizou com bola. Terminou o jogo com 91 toques, encontrando um companheiro no último terço ofensivo em 29 das 41 ocasiões (taxa de sucesso de 71%). Além disso, somou seis conduções progressivas e 10 passes decisivos bem-sucedidos, perturbando constantemente o bloco defensivo do Benim.

Passes decisivos de Messi frente ao Benim
Passes decisivos de Messi frente ao BenimOpta by Stats Perform

O tão aguardado golo surgiu finalmente aos 74 minutos. Depois de uma falta sobre Agustin Giay na área, pegou na bola e rematou o penálti com força, por baixo da barra.

A Argentina prolongou a sua série invicta em casa para 11 jogos consecutivos, em parte graças aos números de Messi. Contudo, depois do apito final, as métricas avançadas passaram para segundo plano. Messi colocou-se diante das bancadas e, num discurso emocionado com quase 10 minutos, despediu-se definitivamente da sua adorada seleção.

"Vou sentir a vossa falta. Agradeço a Deus por ser argentino, tenho orgulho de ser argentino e de ter conseguido concretizar o meu sonho convosco", afirmou o capitão emocionado no relvado, enquanto dezenas de milhares de adeptos nas bancadas já tinham sido levados às lágrimas.

Mas o discurso de despedida do natural de Rosário atingiu um auge emocional. "Vai doer-me muito deixar de vir aqui como jogador. Posso prometer-vos que, se dependesse de mim, quereria jogar aqui para o resto da vida, porque representar a Argentina é a coisa mais bonita que me poderia ter acontecido", acrescentou a lenda viva.

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