Primeira amostra do Benfica de Marco Silva: os pontos positivos e negativos

Rafa atuou no flanco direito
Rafa atuou no flanco direitoLUÍS FORRA/LUSA/Flashscore

O Benfica mostrou a sua nova versão aos adeptos no Algarve. A derrota (1-2) com o Flamengo é o que menos interessa nesta fase da pré-época, mas a exibição frente ao conjunto de Leonardo Jardim já permitiu tirar algumas ilações do estado atual da equipa de Marco Silva.

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Ainda com reforços por anunciar e com vários jogadores ausentes devido aos compromissos internacionais, esta é uma análise precoce ao que pode ser o Benfica de Marco Silva.

O duelo com o Flamengo serviu sobretudo para ganhar ritmo e limar arestas, mas também já deu para perceber alguns aspetos das águias para 2026/27, nomeadamente aquilo que o novo técnico tem a corrigir já a pensar na pré-eliminatória da Liga Europa, frente ao St. Gallen, cujo primeiro jogo está agendado para 23 de julho.

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Onze inicial do Benfica
Onze inicial do BenficaFlashscore

Visão geral

Ponto prévio: a primeira amostra não entusiasmou. Como é natural na pré-época, o ritmo dos encarnados ainda não está no melhor ponto, mas, a 12 dias do primeiro jogo a doer, esperava-se algo mais por parte do Benfica.

Marco Silva adotou o seu tradicional 4x3x3 no momento de ataque, modelo que vai seguir ao longo da época, como o próprio explicou após a partida, e defendeu-se em 4x4x2.

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Ao contrário do que aconteceu com Mourinho, Rafa foi titular no flanco direito, mas com liberdade para movimentos interiores, dando a Bah e muitas vezes a Barreiro a possibilidade de aparecer nesse corredor, ficando evidente a importância que o lateral direito pode vir a ter neste novo Benfica.

Nesta primeira amostra, ainda não deu para tirar grandes ilações a nível ofensivo, mas já é possível perceber que, tal como prometeu na apresentação, Sudakov vai ter direito a um papel de protagonista em 2026/27. O ucraniano atuou no corredor central, nas costas de Pavlidis, mas também pisou o lado esquerdo com frequência, procurando uma ligação com Jaden Umeh, novidade no onze encarnado, e Prestianni, após a entrada do argentino.

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Defensivamente, o Benfica apresentou problemas evidentes (mais sobre isso abaixo), mas ficam já dois apontamentos: Marco Silva pretende jogar com uma linha subida e adotar uma pressão alta no momento da perda. Frente ao Flamengo, porém, a falta de ritmo acabou por custar caro e permitir várias oportunidades de golo ao conjunto brasileiro.

Análise individual

Marco Silva deixou muito claro que ainda espera por jogadores. Não só aqueles que estiveram no Mundial-2026, mas também, e sobretudo, reforços de acordo com as ideias do treinador.

Nos últimos dias, o nome de Palhinha tem sido o mais falado e percebe-se porquê. Barrenechea, titular na primeira parte, mostrou um nível semelhante ao da temporada passada e não conseguiu acrescentar com e sem bola, ao contrário de Manu Silva, que entrou bem. A agressividade do ex-Sporting, que conhece bem Marco Silva, elevaria certamente o nível defensivo dos encarnados.

Começando pelos jogadores já conhecidos dos adeptos, Bah, Prestianni e Manu Silva foram os melhores em campo.

O lateral dinamarquês apresentou-se já a um bom nível fisicamente e trouxe dinâmica ao flanco direito, aproveitando as incursões de Rafa para o corredor central. O lance do penálti convertido por Pavlidis, com Bah a ser travado em falta por Bruno Henrique, é um bom exemplo disso.

Prestianni, por outro lado, foi alvo das entradas duras dos jogadores do Flamengo, certamente devido ao episódio com Vinícius Júnior, mas mostrou personalidade, quer no flanco esquerdo, quer no direito, acabando a partida com uma bola ao poste da baliza de Agustin Rossi.

Já Manu Silva, menos testado defensivamente, deu a tranquilidade com bola que Barrenechea não teve nos 57 minutos em que esteve em campo.

Bah deu dinâmica ao flanco direito
Bah deu dinâmica ao flanco direitoSL Benfica

Ainda sobre os elementos que transitaram da temporada passada, também ficaram notas negativas para Marco Silva: António Silva, Barrenechea (já mencionado) e Samuel Dahl tiveram um jogo pouco conseguido e são sinais de alerta já conhecidos para os adeptos encarnados.

O defesa-central português ficou ligado aos dois golos do Flamengo, deixando-se antecipar por Samuel Lino e Wallace, embora não seja o único responsável pelos problemas defensivos das águias. A falta de entrosamento com Lenglet e Gabriel Índio explica parte das fragilidades do capitão das águias nesta partida.

Já no flanco esquerdo, Dahl voltou a mostrar o porquê de ainda ser uma incógnita na Luz. Depois de alguns erros comprometedores na época passada, o internacional sueco foi ultrapassado com facilidade e voltou a mostrar fragilidades defensivas que também tiveram influência no resultado.

As novidades

Marco Silva apresentou apenas um reforço no onze inicial. Clément Lenglet jogou ao lado de António Silva e mostrou-se a um bom nível nos primeiros minutos, fazendo as coberturas ao permeável Samuel Dahl, mas ainda não tem o ritmo ideal e foi ultrapassado com facilidade pelos avançados brasileiros com o desenrolar da partida.

Nota, no entanto, para o papel que lhe é atribuído na construção, onde começou já a mostrar os seus pergaminhos, sobretudo no passe interior.

O onze do Benfica
O onze do BenficaSL Benfica

Dos três reforços utilizados frente ao Flamengo, o francês é aquele que parte na frente para ser titular no primeiro jogo oficial, até porque Tomás Araújo ainda está a gozar de um período de férias, mas a verdade é que Gabriel Índio e Jakub Kaminski não brilharam na primeira aparição de águia ao peito.

O defesa brasileiro, de apenas 17 anos, impressionou pela estampa física, mas não pela entrada em campo, que só não foi comprometedora graças a Trubin. Porém, teve responsabilidades no 1-2, devido ao posicionamento defensivo no momento do cruzamento de Samuel Lino.

Já o polaco Jakub Kaminski foi o terceiro jogador a passar pelo flanco esquerdo do Benfica e a ter de enfrentar um Emerson Royal mais agressivo do que o habitual.

Ao contrário dos colegas de equipa, passou incólume às entradas do internacional brasileiro, em parte porque não teve impacto na partida. Nota positiva, ainda assim, para a velocidade e intensidade física do ex-Colónia.

Por fim, nota para a boa entrada de Daniel Banjaqui no flanco direito e para os 30 minutos interessantes de Jaden Umeh no flanco esquerdo.

O irlandês foi a grande novidade no onze de Marco Silva e mostrou-se desinibido, procurando o drible, mas também movimentações para zonas interiores. Um golpe duro de Emerson e o desgaste físico provocado pelo particular realizado na manhã de sábado acabaram por fazer terminar de forma precoce esta aparição, mas os sinais apontam a novas oportunidades para o futuro, pelo menos enquanto Schjelderup estiver de fora.

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