10 e 12 anos de prisão para ex-dirigentes marroquinos no caso "Escobar do Saara"

Muita tensão em Casablanca
Muita tensão em CasablancaABDEL MAJID BZIOUAT / AFP

O ex-diretor do clube de futebol Wydad Casablanca e o ex-presidente de uma região de Marrocos foram condenados esta quinta-feira a 10 e 12 anos de prisão, num vasto caso de tráfico de droga conhecido como "Escobar do Saara", constatou uma jornalista da AFP.

Said Naciri e Abdennabi Bioui, respetivamente, estavam acusados de crimes como "posse, comercialização e exportação de droga", bem como de "corrupção", "falsificação" e "utilização de documentos falsos".

Este caso, que provocou grande polémica no país africano, desencadeou-se na sequência das revelações de Ahmed Ben Brahim, apelidado de "Pablo Escobar do Saara", um cidadão maliano detido em Marrocos desde 2019 no âmbito de um processo por tráfico internacional de droga.

É a primeira vez em Marrocos que um julgamento envolve figuras políticas de topo num caso de comércio de estupefacientes.

No Tribunal de Recurso de Casablanca, outro arguido foi absolvido, enquanto a leitura das sentenças contra mais de vinte outros não pôde ser ouvida devido ao choro e aos gritos dos seus familiares.

"Mentiras"

Naciri e Bioui são ambos ex-dirigentes do partido Autenticidade e Modernidade (PAM, liberal), que integra a coligação governamental. Estavam detidos desde o final de 2023.

Durante uma audiência no ano passado, Bioui garantiu não ter "qualquer ligação com o tráfico de droga" e acusou Ahmed Ben Brahim de proferir "mentiras".

O traficante maliano foi o autor da denúncia que deu início ao processo judicial.

Acusou Naciri e Bioui de o terem ajudado, a partir de 2013, a traficar droga de Marrocos para países do norte de África e do Sahel, e de o terem despojado de uma luxuosa vivenda em Casablanca.