Mundial-2026: Cabo Verde à porta da história após uma evolução construída passo a passo

Ryan Mendes e Helio Varela
Ryan Mendes e Helio VarelaREUTERS/Marco Bello

Cabo Verde pode qualificar-se para os oitavos de final do Mundial-2026 logo na sua primeira participação. Com uma vitória frente à Arábia Saudita, ou até um simples empate, os Tubarões Azuis podem garantir o segundo lugar do grupo H. Um feito inédito, mas não tão surpreendente tendo em conta os últimos 15 anos.

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Cabo Verde está a um jogo de um feito histórico: na sua estreia, o arquipélago segue invicto após dois jogos, frente à Espanha (0-0) e frente ao Uruguai (2-2), que teve enormes dificuldades para segurar um ponto. Com dois pontos, os Tubarões Azuis ocupam o terceiro lugar com 2 pontos e, mesmo com um terceiro empate frente à Arábia Saudita, podem manter essa posição com a ajuda da La Roja, caso vença a celeste, que também soma 2 pontos.

Ver Cabo Verde no Mundial já não é propriamente uma surpresa. Desde 2013, com a sua estreia na CAN, o país afirmou-se no panorama africano, com um quarto de final em 2013 e outro em 2023. Apesar da ausência na última edição, os cabo-verdianos mantiveram uma certa consistência, personificada pelo seu selecionador Bubista, que foi primeiro adjunto (2007-2013 e depois 2016-2017) antes de assumir o comando desde 2020.

Enquanto muitas seleções do continente podem mudar tudo, até durante uma competição internacional, Cabo Verde apostou na continuidade. E bem, pois os Tubarões Azuis mantêm uma coerência táctica e emocional que valida um trabalho de base, recompensado com o título de melhor treinador africano do ano 2025.

Numa entrevista concedida ao Flashscore, Rui Águas, antecessor de Bubista (2014-2016 e depois 2018-2020), resume este trabalho de fundo: "O mérito máximo deste feito incrível pertence à atual estrutura federativa, à equipa técnica e aos jogadores que estão em campo hoje. Mas o caminho até este nível foi longo e exigente. É um processo de crescimento progressivo, e muitas pessoas trabalharam na sombra ao longo dos anos para construir a base sólida que hoje permite a Cabo Verde brilhar no palco mundial".

Melhores condições de treino, uma organização racional e eficaz: o arquipélago conquistou o seu espaço no xadrez continental e demonstra agora o seu valor do outro lado do Atlântico. Para Águas, "Cabo Verde já venceu o seu torneio mais importante: lembrar ao mundo que o romantismo e o impossível ainda têm lugar no futebol moderno. É o pretexto ideal para contar histórias de emancipação, pertença e coragem".