A temporada passada, sob o comando de Albert Riera, revelou-se um grande equívoco, culminando na ausência das competições europeias. Agora, Hütter, que na apresentação sublinhou de forma emotiva ter sentido, em retrospetiva, que "ainda não tinha terminado", pretende reacender o entusiasmo no coração da Europa.
Olhando para trás, percebe-se porque as expectativas e as recordações são tão elevadas. Entre 2018 e 2021, Hütter marcou uma era de futebol ofensivo e entusiasmante em Frankfurt. É inesquecível a lendária "manada de búfalos" composta por Sébastien Haller, Luka Jović e Ante Rebić, que levaram o Eintracht até às meias-finais da Liga Europa em 2019. O facto de Hütter ter deixado o clube em 2021, em plena luta pelos lugares da Liga dos Campeões, rumo ao Mönchengladbach, foi doloroso para os adeptos. Hoje, no verão de 2026, essa mágoa dissipou-se e deu lugar a uma expectativa realista: ambas as partes evoluíram.
Muita coisa mudou nos últimos cinco anos. O Eintracht atingiu o auge histórico sob o comando de Oliver Glasner ao conquistar a Liga Europa em 2022 e experimentou o ambiente da Liga dos Campeões, mas após a sua saída perdeu-se a consistência. Hütter, por sua vez, viveu uma montanha-russa no principado após um ano infeliz em Mönchengladbach: com o AS Monaco celebrou o segundo lugar em 2024 e devolveu a equipa ao topo europeu, antes de as partes se separarem no outono de 2025. Agora, o círculo fecha-se e Hütter traz de volta à Bundesliga a experiência internacional adquirida na Ligue 1.
O contexto para a próxima temporada é bastante diferente da primeira passagem de Hütter. O diretor desportivo Markus Krösche e o porta-voz da direção Axel Hellmann anunciaram uma "grande revolução". As primeiras movimentações no plantel, como as saídas de Nathaniel Brown (para o Bayern) e Rasmus Kristensen, assim como a contratação do jovem talento Malik Pimpong, confirmam o novo ciclo a nível de recursos humanos. O calendário não é desfavorável para os "Adlerträger" no arranque, no final de agosto: depois do jogo inaugural no terreno do Union Berlin, segue-se a estreia em casa frente ao Augsburgo, antes do emotivo dérbi em Mainz 05.
Mas em que é que o sistema de Hütter difere da abordagem taticamente confusa da época passada? Na última temporada, o futebol do Eintracht foi frequentemente lento, vulnerável defensivamente e sem identidade clara. Hütter, pelo contrário, incute na equipa um princípio central: intensidade. A sua filosofia combina o conhecido futebol de transição rápida com uma posse de bola estruturada.
O regresso da linha de três?
Sob o comando de Riera e na fase final do antecessor Dino Toppmöller, a segurança defensiva após perda de bola colapsava frequentemente, mas Hütter exige agora uma reação imediata e agressiva. O trabalho coletivo sem bola e a defesa apaixonada da própria baliza são prioridades máximas na sua agenda.
Para implementar esta filosofia no relvado, Hütter aposta numa equipa técnica bem entrosada. Ao seu lado estarão novamente os experientes adjuntos Christian Peintinger e Klaus Schmidt, reforçados pela lenda do Eintracht, Alex Meier. Taticamente, é expectável que o Eintracht Frankfurt volte a apostar numa linha de três defesas flexível, com alas de grande qualidade técnica, para manter o centro compacto e criar velocidade pelos flancos.
O estilo de liderança de Hütter, que alia empatia e proximidade no trato individual a uma disciplina intransigente nos treinos, pretende ser o oposto da instabilidade da época anterior. Ajuda também o facto de, pela primeira vez desde 2020, a equipa não ter de lidar com o desgaste das competições europeias.
As expectativas em torno do Eintracht Frankfurt cresceram visivelmente desde 2021, mas o treinador regressado parece mais maduro e preparado para a pressão. O regresso de Adi Hütter não é fruto de nostalgia, mas sim uma decisão estratégica para devolver o Eintracht o ADN perdido. Se Hütter conseguir motivar os jovens jogadores talentosos para a sua ideia de jogo, o Eintracht Frankfurt poderá viver uma emocionante renascença.
