Recorde as incidências da partida
A foto de Lionel Messi a dar banho ao pequeno Lamine Yamal. Uma imagem que acompanhou toda a véspera da final do Mundial-2026. Uma fotografia que, desde o primeiro momento, pareceu ditada pelo destino. Um instantâneo que encontrou o seu desfecho natural no MetLife Stadium, em East Rutherford, no palco mais prestigiado para um futebolista: a final de um Mundial.
De um lado, o recém-nascido “batizado” futebolisticamente pela lenda do futebol. Do outro, vinte anos depois, dois craques frente a frente pela glória, para reescrever a história e talvez selar uma definitiva passagem de testemunho. De Messi para Lamine Yamal. Do antigo número 19, tornado o número 10 símbolo da Argentina, ao atual 19 das Fúrias Vermelhas.
Partidas opostas
Passado, presente e futuro do futebol viveram uma final de forma completamente distinta. A de Messi foi uma partida de espera: discreto, à procura do espaço certo para atacar, mas também de enorme sacrifício na fase defensiva. Já Lamine Yamal esteve mais ativo, sempre envolvido no jogo.

E de facto foi o talento espanhol que, logo aos cinco minutos, se mostrou perigoso em duas ocasiões, primeiro encontrando a oposição de um defesa e depois a resposta de Emiliano Martínez. Do outro lado, um passe em profundidade para Messi obrigou Unai Simón a sair no momento certo. Dois minutos depois, a Pulga tentou roubar a bola a Laporte, que conseguiu safar-se, ainda que com algum susto.
Depois, para Messi, quase silêncio. O argentino tve dificuldades em destacar-se durante toda a primeira parte e acabou por sobressair sobretudo pelo trabalho sem bola. Foi emblemática uma ação no tempo de compensação, quando recuou até à sua própria grande área para travar uma posse espanhola que se estava a tornar perigosa.
Lamine Yamal tentou
Lamine Yamal, por sua vez, mostrou-se claramente mais inspirado do que nas últimas exibições. Pela ala direita criou constantes problemas aos defesas argentinos e exibiu toda a sua qualidade técnica. Aos 18 minutos, por exemplo, dominou magistralmente um passe longo e serviu uma bola perigosa para o centro da área.
O espanhol, juntamente com os colegas, protestou em mais do que uma ocasião por algumas decisões do árbitro. Em particular quando Tagliafico o agarrou de forma evidente, impedindo-o de sair para o ataque, sem que fosse mostrado qualquer cartão.
Chegou-se assim ao intervalo com o 0-0. A Argentina não conseguiu fazer um remate enquadrado com a baliza e sofreu com a longa posse de bola da Espanha.
No reatamento, no duelo entre Messi e Lamine Yamal, continuou a destacar-se o talento espanhol. O número 19 causou desequilíbrios pela direita, sofreu vários contactos não sancionados e protestou várias vezes com o árbitro. Aos 67 minutos conseguiu finalmente libertar-se do adversário direto e cruzou perfeito para Ferrán Torres, que cabeceou mas sem dar a direção certa, permitindo a Emiliano Martínez segurar.
A Argentina caiu
Messi tentou aparecer no final, mas voltou a esbarrar em Laporte. Passaram poucos minutos e o número 10 argentino deparou-se com um problema ainda maior. Enzo Fernández viu o segundo cartão amarelo por falta sobre Cubarsí e deixou a Argentina reduzida a dez jogadores.
Messi correu para o árbitro a pedir explicações, reclamando por uma falta anterior a favor da Albiceleste que, no seu entender, deveria ter sido assinalada. A tensão aumentou ainda mais pouco depois, quando o capitão argentino protestou novamente por algumas palavras dirigidas por Cucurella aos adversários, com a mão à frente da boca. O VAR, porém, não interveio e o jogo prosseguiu.
Os quatro minutos de compensação tornam-se oito e, aos 90+7 minutos, Lamine Yamal teve uma grande oportunidade para evitar o prolongamento. O espanhol conquistou um livre à entrada da área, em posição ideal para o seu pé esquerdo. O remate passou por cima da barreira mas saiu ligeiramente por cima da trave, com Emiliano Martínez ainda assim a esticar-se junto ao seu poste. Foi a última emoção do tempo regulamentar: a final seguia para prolongamento.

A Espanha continuou a atacar, enquanto a Argentina defendeu-se e tentou sair quando teve oportunidade. Foi precisamente neste contexto que Messi apareceu: recuperou bolas, ajudou os colegas e tentou lançar os contra-ataques com passes longos à procura dos espaços deixados pelos espanhóis. No intervalo do prolongamento foi ele, juntamente com o selecionador Scaloni, que reuniu os colegas em círculo para os motivar.
Mas o golpe de KO chegou logo no reatamento e nasceu novamente dos pés de Lamine Yamal. O número 19 serviu Pedri, que colocou a bola no segundo poste para Nico Williams. O extremo amorteceu para o avançado Ferrán Torres, que rematou de primeira e assinou o golo que deu vantagem à Espanha.
A Espanha explodiu de alegria. A Argentina ficou de joelhos na sua área. O único afastado foi Messi, que passou a mão pelo rosto e levantou o olhar para o céu.
Os argentinos não desistiram e foi precisamente o seu craque que puxou pela equipa. Com mais um homem, os espanhóis ainda correram o risco do empate aos 119 minutos, com Senesi e Simeone a ficarem perto do golo em duas jogadas iniciadas por Lionel Messi.
A Roja resistiu e segurou o resultado após muito sofrimento no final. O Mundial regressa à Europa e passa das mãos de Lionel Messi para as de Lamine Yamal. Para a Pulga, as lágrimas na cerimónia de entrega de prémios, que sabem a despedida.
