A maldição dos penáltis: Nos Países Baixos dura há tanto tempo que já se transmite de pai para filho

Justin Kluivert após falhar o penálti diante de Marrocos
Justin Kluivert após falhar o penálti diante de MarrocosHeuler Andrey / Zuma Press / Profimedia

Nos últimos três Mundiais não perderam uma única vez. Nem no tempo regulamentar, nem no prolongamento. A sua série já vai em 16 jogos, ninguém tem uma sequência mais longa na história do torneio. Ainda assim, os Países Baixos não conquistaram qualquer medalha nestes campeonatos, nem sequer guardam grandes recordações. Acabaram eliminados nos penáltis antes mesmo de começarem a lutar diretamente pelas medalhas. Tal como aconteceu este ano, frente a Marrocos…

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Os Países Baixos são considerados, ao longo da história do Mundial, os maiores azarados. Têm o maior número de finais perdidas (1974, 1978 e 2010) e agora também o maior número de desempates por penáltis falhados (a par de Espanha). Já falharam quatro vezes, sendo que agora foram três seguidas. Primeiro em 2014, nas meias-finais frente à Argentina, oito anos depois com o mesmo adversário, nos quartos de final e agora ainda duas rondas antes, com Marrocos.

A última vez que foram derrotados no Mundial no tempo regulamentar foi há longos 20 anos, nos quartos de final frente a Portugal. Agora, contra Marrocos, provaram o amargo cálice até ao fim. Sofreram o golo do empate para o 1-1 já nos descontos. Nos penáltis, Bart Verbruggen defendeu, na segunda série (com a equipa a vencer por 1-0), o remate de Soufiane Rahimi, mas a bola acabou por parar atrás das suas costas e o guarda-redes do Brighton desviou-a com o calcanhar para lá da linha de golo.

No total, os neerlandeses já participaram em nove desempates por penáltis em grandes torneios, tendo sido eliminados em sete. Além dos insucessos já referidos nos Mundiais, também caíram nos Europeus de 1992, 1996 e 2000, ou seja, também três vezes seguidas. No Euro seguinte quebraram a série negra ao vencerem a Suécia.

No palco mundial só festejaram em 2014, frente à Costa Rica. Nessa altura, o experiente treinador Louis van Gaal fez uma alteração pouco ortodoxa e trocou de guarda-redes antes do desempate. O suplente Tim Krul, especialista em penáltis, tornou-se então o herói. O otimismo não durou muito. No jogo seguinte houve novamente penáltis, mas os neerlandeses já tinham esgotado todas as substituições, não puderam repetir o truque e voltaram a não conseguir vencer a Argentina.

Há quatro anos, frente à mesma Argentina, só Wout Weghorst e Teun Koopmeiners converteram os penáltis, sendo os únicos marcadores de sucesso também frente a Marrocos. O capitão Virgil van Dijk, que falhou na altura, desta vez já não teve oportunidade, o que está a ser um grande tema nos Países Baixos.

"Treinámos muito os penáltis, mas não foi suficiente," afirmou o central do Liverpool. Koeman escolheu para marcar, por exemplo, Justin Kluivert, mesmo tendo estado em campo apenas alguns minutos.

Kluivert falhou e acabou por imitar o seu pai Patrick. Este era normalmente uma garantia nos penáltis, mas também falhou de forma diferente. Na meia-final do Euro-2000, frente à Itália, ao fim de uma hora de jogo, atirou o penálti ao poste esquerdo, sendo já o segundo desperdiçado pela equipa nesse jogo. Mais três foram falhados no desempate. Era 29 de junho de 2000.

Precisamente 26 anos depois, no mesmo dia, foi o segundo filho mais velho de Kluivert, Justin, a marcar o penálti frente a Marrocos e… também o enviou ao poste esquerdo. Os neerlandeses falharam três das cinco tentativas e despedem-se do torneio. Quatro penáltis falhados num só desempate é um recorde negativo na história dos Mundiais. Não surpreende que as camisolas laranja estejam associadas a este feito...