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Lionel Messi tinha feito 29 anos em junho de 2016 e já era considerado um dos melhores jogadores de sempre. Já tinha conquistado cinco Bolas de Ouro e levado o Barcelona à glória na Liga dos Campeões no ano anterior, a quarta vez que levantava esse troféu.
No entanto, o seu sucesso incrível ao nível de clubes não tinha correspondência na seleção, onde sofreu a dor de três derrotas em finais de grandes torneios com a Argentina.
A primeira foi frente ao Brasil na Copa América de 2007. Pelo meio, houve duas eliminações nos quartos de final do Mundial e a eliminação nos quartos da Copa América de 2011, organizada pela Argentina, frente ao Uruguai.
Messi capitaneou a Argentina até à final do Mundial-2014, mas esta terminou com derrota frente à Alemanha no Maracanã, e a derrota nos penáltis frente ao anfitrião Chile na final da Copa América do ano seguinte agravou ainda mais a situação.
Por isso, foi à Copa América Centenário de 2016, nos Estados Unidos, com a missão de finalmente conquistar um grande título pela sua seleção, e a Argentina chegou à final com cinco vitórias em cinco jogos e 18 golos marcados.
O Chile voltou a cruzar-se no caminho, num MetLife Stadium cheio, mas o desfecho foi igual – novo empate 0-0 e nova derrota nos penáltis, com Messi a falhar desta vez a sua cobrança.
Desilusão
Messi, que já tinha ultrapassado as 100 internacionalizações, ficou destroçado. O seu colega Sergio Aguero disse que "nunca o tinha visto naquele estado" no balneário após o jogo.
"Para mim, a seleção acabou", disse Messi aos jornalistas.
"Dei tudo o que tinha, estive em quatro finais e dói não ser campeão", acrescentou.
No auge do inverno sul-americano, as suas palavras mergulharam a Argentina na escuridão.
Diego Maradona liderou os apelos para que Messi mudasse de ideias.
"Ele tem de ficar porque ainda tem muitos anos de futebol pela frente", disse Maradona ao jornal La Nacion.
Um país prendeu a respiração. Seis semanas depois, Messi voltou atrás na decisão.
"Na noite da final passaram-me muitas coisas pela cabeça e pensei seriamente em desistir, mas o meu amor pelo meu país e por esta camisola é demasiado grande", afirmou.
A segunda metade da sua carreira internacional não podia ter sido mais diferente do que tinha acontecido antes.
O Mundial-2018 terminou com a eliminação nos oitavos de final frente aos futuros campeões França, mas a chegada de Lionel Scaloni ao comando técnico marcou o renascimento da Argentina.
Uma derrota nas meias-finais da Copa América 2019 frente ao anfitrião Brasil acabou por ser o início de algo novo.
Redenção
Dois anos depois, regressaram ao Brasil para mais uma Copa América. Desta vez, em plena pandemia de Covid, a Albiceleste venceu o anfitrião por 1-0 na final, graças a um golo de Angel Di Maria, conquistando o seu primeiro grande título em 28 anos.
Seguiu-se a glória no Mundial-2022, no Catar, com Messi a arrastar a sua equipa até à final e depois à vitória nos penáltis frente à França, coroando assim uma carreira brilhante.
"Obviamente gostava de terminar a carreira assim, não posso pedir mais", disse Messi.
Continuou a jogar, e a equipa de Scaloni continuou a vencer, conquistando mais uma Copa América em 2024, apesar de Messi ter saído lesionado na final frente à Colômbia, em Miami.
Este Mundial, o sexto em que participa, parecia inicialmente uma volta de consagração para Messi, mas é evidente que, mesmo aos 39 anos, continua a levar tudo muito a sério.
Inspirou a sua equipa na reviravolta frente à Inglaterra nas meias-finais e chega à final deste domingo, frente à Espanha, com a possibilidade de conquistar a bota de ouro do torneio.
Mais importante ainda, pode vencer mais um Mundial e conquistar o quarto título pela seleção – uma verdadeira redenção depois das lágrimas de 2016.
E se a Argentina vencer em Nova Jérsia, pode até haver quem peça para que continue a jogar depois dos 40 anos.
"Se vencermos, espero que fiques mais uns anos", relatou o jornal argentino Ole, citando Cristian Romero, após a vitória sobre a Inglaterra.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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