Recorde as incidências da partida
Os receios iniciais de que alguns jogos pudessem ter falta de ambiente devido à ausência de adeptos, causada pelos preços elevados dos bilhetes, parecem não se ter confirmado, já que o evento principal voltou a ser uma explosão de cor e espetáculo.
Primeiro confronto desde 2013
No domingo à noite, foi a vez dos Países Baixos e do Japão iniciarem a sua participação no torneio, procurando conquistar pontos que lhes dessem uma vantagem inicial no Grupo F.
Foi o primeiro duelo entre as duas seleções desde novembro de 2013, quando empataram 2-2, e os japoneses, em particular, chegavam ao jogo em excelente forma.

Não só estavam invictos há oito jogos, tendo vencido os últimos seis, como também não tinham concedido qualquer golo nos cinco encontros anteriores. O Brasil tinha sido a última equipa a marcar-lhes, num particular em outubro de 2025.
Os neerlandeses tinham vencido três, empatado dois e perdido um dos últimos seis jogos, com 10 golos marcados e cinco concedidos nesse período, e apresentavam, em teoria, um plantel mais experiente do que o adversário.
Van Dijk em grande forma
De facto, o onze inicial dos Países Baixos contava com oito jogadores da Premier League, dois da Serie A e um da LaLiga.
Donyell Malen teve o primeiro remate enquadrado do jogo logo ao terceiro minuto e, com 72% de posse de bola nos minutos iniciais, tudo parecia indicar dificuldades para a equipa japonesa, que só conseguiu o seu primeiro remate, ainda assim desenquadrado, aos 28 minutos, por Hiroki Ito.
Como seria de esperar, a precisão de passe de Micky van de Ven garantiu que o ataque japonês mal tocasse na bola.
A sua eficácia de 97,2% só foi superada, no final do jogo, pelos 98% de Shogo Taniguchi, mas esteve ao lado de Virgil van Dijk, que registou uns impressionantes 92,2% - e com 103 passes tentados, mais do que qualquer outro em campo - os jogadores do Tottenham e do Liverpool formaram uma autêntica muralha que o Japão teve enormes dificuldades em ultrapassar.
Intervalo sem golos
Ainda assim, só aos 34 minutos é que os Países Baixos voltaram a criar perigo, novamente por Malen, mas o seu cabeceamento não incomodou Zion Suzuki.
Com grande parte do jogo a desenrolar-se num meio-campo muito povoado, foi preciso o trabalho incansável de Daichi Kamada e Kaishu Sanu para manter os neerlandeses afastados da sua baliza.
Os 20 duelos disputados por ambos dizem muito sobre o jogo, e cada um recuperou a posse de bola em quatro ocasiões, o registo mais elevado do lado japonês.
Só tivemos de esperar até aos 43 minutos para o primeiro remate do Japão à baliza, com Keito Nakamura a rematar ao lado já dentro da área.
Ayase Ueda seguiu-se com o seu único remate do encontro mesmo antes do intervalo, e o seu fraco registo de apenas três passes na primeira parte foi o pior em campo. Fica a dúvida sobre o motivo pelo qual o seu treinador, Hajime Moriyasu, o manteve em campo até aos 84 minutos.
Três golos em 13 minutos
O que faltava ao jogo, quando as equipas desceram aos balneários, era mesmo um golo, mas isso foi rapidamente corrigido aos 51 minutos, quando van Dijk se baixou para cabecear junto ao poste após um cruzamento perfeito de Ryan Gravenberch.
A importância do golo pode ter passado despercebida a muitos, mas os Países Baixos não perdiam há 23 jogos no Mundial quando marcavam primeiro, sendo a última derrota um 3-2 frente à Escócia, a 11 de junho de 1978.
Apesar de terem também 73% de posse de bola nos primeiros minutos da segunda parte, a alegria neerlandesa durou pouco, já que Nakamura restabeleceu a igualdade para o Japão em apenas seis minutos.
O brilhante remate de Crysencio Summerville, sete minutos depois, voltou a colocar a sua equipa na frente, e com a defesa japonesa a somar apenas três desarmes no total, parecia que o jogo podia escapar-lhes.
No entanto, mostraram grande resiliência, e os 100% de eficácia nos desarmes de Kamada (três em três), bem como os 16 duelos (no chão e pelo ar) disputados por Watanabe, dificultaram a tarefa aos adversários.
Japão arranca empate ao cair do pano
Nem mesmo a clara diferença de altura entre as duas equipas impediu o Japão de terminar com mais cruzamentos do que os neerlandeses (23 contra 21), e um desses acabaria por ser decisivo no desfecho do encontro.
Aos 89 minutos, Koki Ogawa correspondeu bem a um canto, e o seu cabeceamento potente desviou em Kamada, colega de equipa, e entrou na baliza.
Apesar de os Países Baixos poderem sentir-se injustiçados, alguns dados do jogo sugerem que o empate pode ter sido o resultado mais justo.
Por exemplo, ambas as equipas somaram 10 remates, e cada uma realizou 11 desarmes, com o Japão a vencer 10 dos seus e os neerlandeses apenas cinco.

Como já referido, os japoneses fizeram mais cruzamentos para a área, embora os Países Baixos tenham tido mais posse de bola (59,8% contra 40,2%) e 463 passes certos, bem acima dos 286 do adversário.
No geral, apesar de o jogo ter demorado a aquecer, acabou por ser bastante interessante, mas a partilha de pontos significa que ambas as seleções terão de procurar a vitória no próximo jogo para manterem as hipóteses de seguir em frente no grupo.

