No caminho para uma base tática comum, as seleções nacionais enfrentam muitos desafios. Quando três ou mais identidades culturais se cruzam, a instabilidade no balneário costuma ser inevitável – um dilema que durante anos custou à Suíça o seu melhor rendimento desportivo.
O país é fortemente fragmentado do ponto de vista linguístico e cultural: alemão (cerca de 63%), francês (23%), italiano (8%) e romanche (0,5%) marcam as diferentes regiões, que no dia a dia permanecem geralmente bem separadas. No entanto, ao tentar juntar estas culturas distintas numa seleção nacional – a "Nati", como é carinhosamente chamada na Confederação Helvética – surgem potenciais conflitos. No passado, isso afetou repetidamente o desempenho em campo.
Jogo contra a Sérvia em 2018 como ponto mais negativo
"Antigamente, os jogadores da Suíça alemã, da Romandia e do Tessino preferiam ficar nos clubes das suas regiões de origem", explica Florian Raz.
"Quando depois se juntavam na seleção, essa separação refletia-se no balneário. Por vezes, um suíço-alemão nem sequer passava a bola ao colega da Suíça francesa", acrescenta. Mas não eram apenas as rivalidades regionais a criar dificuldades à equipa. Tensões geopolíticas também tiveram impacto. Assim, o Mundial-2018 ficou marcado por profundas divisões entre jogadores locais e atletas com raízes albanesas.

O passado kosovar-albanês de vários jogadores influentes trouxe debates políticos e sociais complexos sobre identidade nacional e lealdade.
"Isso atingiu o auge no jogo altamente emotivo contra a Sérvia, quando Granit Xhaka e Xherdan Shaqiri celebraram os seus golos com o polémico gesto da águia dupla. De repente, o foco deixou de ser o desporto e passou a ser a política, o que trouxe enorme instabilidade à equipa", refere Raz.
Hoje, essa crise já faz parte do passado. "As disputas culturais ficaram para trás, esta geração ultrapassou-as. Agora, também muitos jogadores com raízes africanas, como Manuel Akanji, Breel Embolo ou Dan Ndoye enriquecem a equipa. O mundo tornou-se mais diverso – e graças a uma forte liderança de capitão, estes problemas simplesmente deixaram de existir", sublinha o especialista.
Suíça acredita no triunfo do grupo
A evolução desportiva dos últimos dez anos dá-lhe razão. A Suíça subiu de forma consistente no ranking mundial da FIFA e alcançou marcos importantes – como a vitória histórica frente à França nos oitavos de final do Euro-2024. Também a qualificação para o Mundial-2026 foi conseguida com autoridade: no Grupo B da UEFA, a Nati terminou invicta e garantiu o apuramento para o torneio com 14 pontos.
Assim, a equipa chegou confiante, mas sofreu um revés logo no arranque com um empate 1-1 frente ao Catar. Contudo, com uma vitória convincente por 4-1 diante da Bósnia-Herzegovina, a equipa rapidamente voltou ao seu habitual futebol ofensivo e atrativo.
"A equipa colocou-se sob enorme pressão ao anunciar publicamente, antes do torneio, que o objetivo para a fase de grupos eram sete pontos", analisa Raz.
"O empate com o Catar foi uma desilusão, mas contra a Bósnia viu-se a força mental do grupo. Os jogadores queriam redimir-se, a fome de vitória era evidente", acrescenta. Raz está convencido de que a equipa tem potencial para ir muito longe na competição, mesmo que o plantel apresente algumas fragilidades.
"É evidente que os nossos laterais titulares, Silvan Widmer e Ricardo Rodriguez – ambos já com 33 anos –, perderam velocidade. Em transições rápidas dos adversários, mostramos fragilidades e, contra as grandes potências, será extremamente difícil. Ainda assim, já antes do Mundial escrevi que esta equipa pode chegar às meias-finais. Continuo a acreditar nisso. Temos veteranos como Xhaka e Rodriguez, que disputam o seu quarto Mundial, e uma excelente mistura de experiência com jovens talentos cheios de ambição", explica.
O ambiente antes do próximo jogo é positivo. "Os jogadores estão absolutamente convencidos de que vão vencer o Canadá. O grande tema na Suíça neste momento é se o jovem Johan Manzambi deve ser titular, depois de ter bisado logo após entrar frente à Bósnia", conclui Raz.
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Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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