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Análise: Como uma Espanha dominante bateu uma Argentina desiludida numa final sem história

Ferran Torres, de Espanha, celebra o golo da vitória na final do Mundial
Ferran Torres, de Espanha, celebra o golo da vitória na final do MundialNick Potts, PA Images / Alamy / Profimedia

Tudo se resumiu a isto. Um duelo épico entre os campeões da Europa e os campeões da Copa América, para decidir quem teria o direito de se intitular campeão do mundo.

Recorde as incidências da partida

A Espanha chegou tranquilamente à final no Estádio MetLife, tendo concedido apenas um golo nos seus jogos e nunca esteve em desvantagem. Uma campanha quase perfeita, tão perfeita quanto possível.

A atitude incansável da Argentina

A Argentina, por seu lado, travou verdadeiras batalhas em vários jogos, lutando por vitórias frente a Cabo Verde, Egito e Inglaterra

Foi essa atitude de nunca desistir que os manteve firmes; contudo, enfrentavam uma equipa que, se evitasse a derrota, estabeleceria um novo recorde de jogos invictos para um país europeu e, ao mesmo tempo, venceria a sexta final em sete tentativas.

A Albiceleste contava com Lionel Messi, e a Espanha tinha Lamine Yamal, e os títulos dos jornais faziam-se sozinhos na antecâmara da final do Mundial. Mas será que algum deles seria o protagonista do próprio jogo?

O início foi animado de ambos os lados, com Lamine Yamal a protagonizar o primeiro remate enquadrado logo ao quarto minuto, pouco depois seguido pelo corte decisivo de Unai Simon a cerca de 35 metros da sua baliza.

Pressão alta espanhola deixou a Argentina sem resposta

A pressão alta da Espanha obrigou os jogadores argentinos a correr atrás da bola durante longos períodos e, de facto, os 68% de posse coletiva da La Roja nos primeiros 15 minutos espelhavam bem o domínio espanhol.

A Albiceleste ainda não tinha conseguido tocar na área espanhola, embora Alexis Mac Allister e Enzo Fernández tenham disputado entre si cinco duelos individuais, evidenciando a combatividade que a sua equipa precisava para travar a Espanha.

O árbitro Slavko Vincic merece algum mérito por ter permitido que o jogo fluísse sempre que possível, apesar de alguns duelos mais duros de ambos os lados. Oito livres antes da primeira pausa para hidratação deram um ritmo intermitente ao jogo, o que, sem dúvida, favoreceu o estilo mais aguerrido e natural dos argentinos.

Apesar de Messi ter 100% de eficácia no passe até esse momento, só tinha tocado na bola sete vezes, quatro das quais foram passes.

Espanha muito mais eficaz com bola

A exibição perfeita de Pau Cubarsi nos duelos aéreos e no chão, e as três recuperações de posse de Aymeric Laporte, garantiram que as subidas de Marc Cucurella pelo lado direito argentino e de Pedro Porro pelo esquerdo se tornassem rapidamente uma constante.

O verdadeiro perigo ofensivo vinha dos espanhóis, mais eficazes com bola e, muitas vezes, mais diretos do que os adversários, que se viam obrigados a esperar pela sua oportunidade.

Mapa de passes de Pau Cubarsi
Mapa de passes de Pau CubarsiOpta by Stats Perform

Um exemplo disso surgiu ao minuto 38, quando a bola foi lançada para a frente em direção a Julián Alvarez, que apenas conseguiu agarrar Rodri na tentativa de chegar à bola.

A primeira oportunidade de golo de Mikel Oyarzabal surgiu pouco depois, mas o segundo remate enquadrado da Espanha foi diretamente para as mãos de Emiliano Martinez.

Argentina sem remates à baliza antes do intervalo

A Argentina continuava a lutar, mas graças à sua vontade e determinação conseguiu manter os adversários afastados, apesar da facilidade com que os espanhóis aceleravam o jogo.

Lisandro Martinez, o único jogador a ver cartão amarelo na primeira parte, foi substituído antes do intervalo, mas não sem antes ter ganho todos os seus duelos, disputado cinco duelos no chão, recuperado a posse por duas vezes e ainda feito uma interceção.

Remates da Argentina contra a Espanha
Remates da Argentina contra a EspanhaOpta by Stats Perform

Ao intervalo, os jogadores argentinos não só não tinham feito qualquer remate à baliza, como ainda não tinham sequer tocado na área da Espanha e, mesmo assim, com o marcador ainda a zeros, continuavam dentro de um jogo que já deveria estar decidido se os avançados espanhóis tivessem sido mais eficazes. 

Dois passes errados no primeiro minuto da segunda parte poderiam ter sido castigados por Alex Baena, que, tal como Oyarzabal na primeira parte, só conseguiu encontrar as luvas de Emiliano Martinez.

Recomeço morno na segunda parte

O início mais morno da segunda parte pode explicar-se pela longa pausa ao intervalo (27 minutos), enquanto os jogadores voltavam a entrar no ritmo.

A Argentina parecia mais preocupada em quebrar o ritmo do jogo, fosse de forma legal ou não, embora, apesar do amarelo a Leandro Paredes, a Espanha tivesse cometido o mesmo número de faltas (10) que a Albiceleste.

Com 55 minutos jogados, Messi era o único jogador a manter 100% de eficácia no passe, embora mal tivesse entrado no jogo de forma relevante.

Certamente, os seus colegas trabalhavam muito mais, com o esforço de Nicolas Tagliafico a destacar-se. Cinco duelos ganhos em oito disputados, além de quatro recuperações de posse, foi o melhor registo em campo à passagem da hora de jogo.

As cinco defesas de Dibu Martinez

Oyarzabal, com cinco golos marcados antes da final, juntamente com Fabian Ruiz, foram substituídos pelo duo do Barcelona Pedri e Ferran Torres, numa tentativa de Luis de la Fuente procurar algo diferente na sua equipa.

Em linha com o que se tinha visto até então, era a Espanha que continuava a ditar o ritmo ofensivo, mantendo 63% de posse coletiva com pouco mais de 20 minutos por jogar.

A defesa da Argentina manteve-se sólida ao longo do jogo, com Gonzalo Montiel a ganhar 100% dos seus duelos e Cristian Romero a mostrar-se seguro antes de ser substituído na segunda pausa para hidratação.

Ferrán Torres teve a oportunidade de se tornar herói logo ao segundo toque, mas o seu cabeceamento livre foi, mais uma vez, diretamente para o guarda-redes argentino. Foi a quinta defesa de Emiliano Martinez no jogo, o máximo que alguma vez fez num jogo de Mundial.

Cubarsi imperial

Um dos heróis discretos da Espanha neste torneio, Pau Cubarsi voltou a ser imperial na defesa, com quatro alívios — mais do que qualquer outro em campo —, vencendo a maioria dos seus cinco duelos no chão e apresentando uma impressionante eficácia de passe de 98,8%.

Na reta final, a Espanha começou a apertar a Argentina e os nove remates enquadrados contra nenhum dos adversários deveriam ter sido suficientes para mexer no marcador. 

Já nos descontos, uma entrada imprudente de Enzo Fernández sobre Cubarsi valeu-lhe o segundo amarelo e consequente expulsão. Tendo o primeiro amarelo sido por protestos, só o tempo diria quanto a Argentina iria lamentar estar em inferioridade numérica.

Quase no último lance do tempo regulamentar, Lamine Yamal bateu um livre direto à baliza — o 10.º da Espanha —, mas Emiliano Martinez voou para a esquerda e desviou a bola para canto.

Intenções da Argentina ficaram claras no prolongamento

O prolongamento seria apenas um exercício de sobrevivência para a Argentina, mas com menos um jogador e a Espanha a pressionar em todas as oportunidades, a tarefa era hercúlea.

As intenções de Lionel Scaloni eram claras ao colocar oito homens atrás da linha da bola, deixando Messi sozinho na frente.

Nico Williams ainda colocou a bola na baliza para a Espanha ao fim de cinco minutos, mas o lance foi rapidamente anulado por uma falta polémica no início da jogada. Depois, Mikel Merino, que já tinha sido herói para a La Roja neste torneio, falhou completamente o alvo num cabeceamento livre a poucos metros da baliza.

Ao intervalo do prolongamento, Emiliano Martinez era o jogador argentino com mais toques na bola (62), enquanto três espanhóis — Cubarsi (127), Pedro Porro (119) e Rodri (116) — já tinham ultrapassado a centena, evidenciando o enorme desequilíbrio do jogo.

'Tubarão' morde para dar a vitória à Espanha

O empate foi finalmente desfeito quando Ferrán Torres disparou um míssil de pé esquerdo logo no início da segunda parte do prolongamento, e foi mais do que merecido para a Espanha.

O 12.º remate enquadrado e o 20.º no total contrastavam de forma gritante com nenhum, ainda, dos campeões em título, com Lionel Messi completamente apagado.

Ferrán Torres ainda viu outro golo ser anulado por fora de jogo, numa altura em que a Espanha procurava fechar de vez o jogo.

Com a baliza à sua mercê já no final, Giuliano Simeone atirou por cima numa boa oportunidade, no seu único remate, e com esse falhanço morreram as esperanças da Argentina no Mundial-2026.

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