"São belas histórias que vou contar aos meus netos", acrescenta o jogador que tem contrato com o Stade Rennes até 2029.
- O que significa para si participar no seu primeiro Mundial aos 32 anos?
- É simplesmente um sonho de criança. Porque é o auge do futebol, um Mundial. Sinto muito orgulho por poder participar com uma nação como a França. É um grande reconhecimento pelo meu trabalho, porque nunca desisti, acreditei sempre, e são belas histórias que vou contar aos meus netos.
- Que recordações guarda dos diferentes Mundiais que viu?
- Um jogo em particular: a final de 2006, com a Panenka de Zinédine Zidane. Parecia uma série. Houve de tudo: a falta de Zidane, o seu cartão vermelho, o prolongamento, os penáltis. Foi um jogo verdadeiramente incrível de ver; a defesa de Gigi Buffon ao cabeceamento de Zidane, a Bola de Ouro; todos esses pequenos detalhes fizeram com que esse jogo me marcasse profundamente.
- Foi esse jogo em particular que lhe deu vontade de participar num Mundial?
- Não, tudo isso foi surgindo ao longo da minha carreira. Quando era mais novo, fui abordado pelo Congo. Mas sempre acreditei que podia chegar à seleção francesa graças às minhas qualidades e ao que podia fazer em campo. Era preciso apenas que tudo se alinhasse para que o meu potencial viesse ao de cima. Isso deixa-me orgulhoso porque entrei na seleção francesa aos 27-28 anos. Hoje em dia, pode parecer tarde. Mas para mim não. Cada um atinge a maturidade ao seu ritmo.
- O facto de nunca ter desistido é o que mais o orgulha?
- Sem dúvida, se um dia escrever um livro, haverá muito para contar. Descrevo a minha carreira como altos, baixos e depois altos novamente. Aos 18 anos, o Olympique de Marselha veio buscar-me para ser o número 2 de Steve Mandanda sem qualquer experiência como profissional. Nessa altura, estava à frente. Mas por me achar demasiado bom, todos acabaram por apanhar-me. Tive de pôr tudo em ordem, fazer um balanço. O meu pai, antigo guarda-redes internacional congolês (Brice Samba sénior), ajudou-me muito ao elogiar o valor do trabalho. Aprendi com os fracassos, com os momentos difíceis. Também houve algumas lágrimas. Mas são coisas que moldam um homem. E agora, sinto-me muito realizado.
- Alguma vez duvidou que chegaria ao mais alto nível?
- Claro, como todos os jogadores profissionais. Mas o mais importante é ter força para recomeçar. Quando cheguei a Marselha, já tinha recebido bastantes propostas. Quatro anos depois, muito menos. Tive de reconstruir-me. É verdade que foi um pouco difícil de aceitar, mas não tinha alternativa. Sempre mantive a ambição de chegar ao mais alto nível, mesmo sem ter mostrado uma ética de trabalho suficientemente forte. Por isso assinei pelo Stade Malherbe de Caen, onde finalmente consegui dar esse salto, antes de seguir para Inglaterra e para o Nottingham, que me deu visibilidade junto do grande público.
- No seu percurso, passou por Évreux, tal como Ousmane Dembélé e Dayot Upamecano. Como explica que tantos internacionais venham desta cidade?
- É uma cidade incrível... Uma pequena cidade com pouco mais de 50.000 habitantes, e é verdade que o número de jogadores que de lá saem é impressionante. Com o Ousmane, o Dayot, falamos disso muitas vezes, mas não sei o que se passa ali. Em Évreux, nem sempre era fácil, mas preparavam-nos para jogar. Porque lá só havia futebol. Portanto, não tínhamos grande escolha. Mas crescemos ali, foi ali que nos realizámos. E graças à diversidade que existia, aprendemos realmente valores importantes para a vida.
- Quais são as suas ambições para este Mundial?
- Estar presente se precisarem de mim, simplesmente. Sei qual é o meu papel neste grupo: apoiar o Mike (Maignan, o guarda-redes titular), ajudá-lo e puxar por ele para que esteja ao melhor nível. E se o treinador precisar de mim, estou pronto para corresponder. Detesto ter arrependimentos. Por isso, faço tudo para que tudo corra bem. Sabendo que é o meu primeiro Mundial e talvez também o último. Por isso, vou dar tudo.

