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Chiqui Tapia, presidente da Federação da Argentina: "Um mês da mentira para fazer crer que esta seleção se tinha entregado"

Chiqui Tapia, presidente da AFA
Chiqui Tapia, presidente da AFAProfimedia

O presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA) emitiu um comunicado oficial, no dia em que se assinala um mês desde a final do Mundial-2026, em que a Espanha venceu a Argentina com um golo solitário de Ferran Torres.

Chiqui Tapia criticou duramente todos aqueles que insinuaram que a Argentina se deixou perder na final. Por isso mesmo, pediu respeito pela sua seleção.

Comunicado na íntegra:

"Passou um mês. Um mês daquela final. Um mês de mentira, de manipulação e de uma campanha miserável para fazer crer que esta seleção se tinha entregado. E o mais impressionante é que, passado um mês, ninguém pediu desculpa. Ninguém veio dizer: 'Enganámo-nos'. Ninguém teve a honestidade, a dignidade ou simplesmente a coragem de assumir a responsabilidade.

Porque enganar-se pode acontecer. O que não pode acontecer é mentir, criar uma história, alimentar uma suspeita durante dias e, quando o tempo mostra que tudo não passava de fumo, esconder-se e fingir que nunca aconteceu nada. Enquanto os nossos jogadores davam tudo dentro do relvado, alguns cá fora faziam exatamente o oposto: semeavam ódio, dividiam, manchavam e procuravam denegrir a imagem de uma Seleção que conquistou o respeito de milhões. A todos eles: assumam o que fizeram. Não basta ficar calado. Não basta esperar que o tempo passe. Não basta mudar de assunto e fingir que nunca fizeram nada.

Pediram explicações quando não tinham uma única prova

E mesmo que agora queiram evitar comentários, críticas ou reprovações das pessoas por todas as mentiras que disseram, não vão conseguir apagar o que fizeram. Porque há palavras que têm consequências e acusações que deixam marcas. Acusar os jogadores da Seleção de traidores não tem retorno. Não há volta a dar depois de lançar suspeitas sobre quem defendeu esta camisola. Não há volta a dar depois de os acusar de se terem entregado. E muito menos depois de o fazer sem uma única prova e, quando a mentira é desmascarada, escolher o silêncio.

Pediram explicações quando não tinham uma única prova. Apontaram o dedo a jogadores que estavam a dar tudo. Alimentaram uma mentira e fizeram-na passar por verdade. Agora sejam vocês a dar explicações. Porque a grandeza também está em reconhecer um erro. E quando se acusa, se mente e se magoa publicamente quem deu tudo por esta camisola, pedir desculpa não é um favor. É uma obrigação.

E há mais: como é que voltam para casa depois de terem feito tudo isto? Como olham os vossos filhos nos olhos e lhes falam de honestidade, de respeito, de dignidade? Como lhes ensinam que há valores que devem ser defendidos, se quando tiveram a oportunidade de o fazer escolheram mentir, acusar e esconder-se? Os valores não se negociam. Passou um mês e ainda não ouvimos um pedido de desculpa. Entretanto, os jogadores, a equipa técnica e todos os colaboradores continuam de cabeça erguida.

Porque eles sabem o que fizeram naquele dia. Sabem quanto deixaram naquele relvado. E sabem que, quando terminou a final, não deviam nada a ninguém.

Os que deixaram a alma em campo não têm nada a explicar. Os que mentiram, sim".

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