Da promessa ao fracasso: As maiores desilusões do Mundial-2026

Neymar despediu-se do Brasil com eliminação nos oitavos de final
Neymar despediu-se do Brasil com eliminação nos oitavos de finalREUTERS

O Mundial é o palco onde heróis são imortalizados, mas também onde a queda pode ser impiedosa. Quando a pressão atinge o ápice e cada posse de bola carrega um peso histórico, espera-se que os craques assumam o protagonismo. No entanto, o talento bruto nem sempre é garantia de sucesso.

Nesta edição histórica, diversos protagonistas anunciados falharam no seu compromisso com a história, traídos pelo desgaste físico, por escolhas táticas questionáveis ou, simplesmente, por desempenhos muito aquém do esperado.

Enquanto o torneio define os candidatos ao título, a lista de vítimas precoces inclui nomes que eram apontados como os pilares das suas seleções. De líderes natos a figuras apáticas em campo: confira as maiores decepções deste Mundial-2026.

Fede Valverde

O Mundial-2026 surgiu como a tábua de salvação para encerrar um ano de pesadelo, mas acabou por se tornar o melancólico desfecho de uma temporada para esquecer. Para o médio do Real Madrid, o ano foi marcado por um jejum de títulos e pelo surreal desentendimento com o companheiro Tchouaméni.

A serviço do Uruguai Celeste, o rendimento de Valverde foi dececionante: apagado nos empates contra Arábia Saudita (1-1) e Cabo Verde (2-2), acabou tirado de campo por Marcelo Bielsa com mais de meia hora para o fim do duelo decisivo contra a Espanha, justamente quando o Uruguai precisava de recuperar da desvantagem.

O saldo final? Zero golos, zero assistências, rusgas evidentes com o técnico e uma dolorosa eliminação ainda na fase de grupos.

Arda Güler e Kenan Yildiz: a ilusão da "Geração de Ouro"

Os dois maiores expoentes da nova safra de talentos turcos não foram capazes de evitar o naufrágio da Turquia comandada por Vincenzo Montella, que se despediu da competição ainda na fase de grupos

Consolidado como peça fundamental no Real Madrid, Güler jogou todos os minutos da fase de grupos, mas despertou tardiamente. O seu único lampejo de brilho ocorreu na inútil vitória por 3-2 sobre os EUA (partida em que foi eleito Melhor Jogador), quando a seleção da lua crescente já estava matematicamente eliminada.

Se Güler ainda teve momentos discretos, o desempenho do jovem da Juventus foi puramente negativo. Na sua estreia em Mundiais, Yildiz ratificou a queda de rendimento vista na sua última temporada, em Turim, comportando-se como um corpo estranho na equipa, justamente no momento de maior exigência.

Heung-Min Son

Apontado como o maior jogador sul-coreano da história, Son chegou ao seu quarto Mundial, após encerrar o seu ciclo no futebol europeu, trocando o estatuto de lenda no Tottenham pelo desafio no Los Angeles FC.

Contudo, aos 33 anos, a sua influência em campo foi praticamente nula. Substituído aos 24 minutos da segunda parte na derrota perante a República Checa e aos 12 da etapa final contra o México, chegou a ficar no banco diante da África do Sul, entrando apenas no fim de outra derrota por 1-0. Uma passagem irrelevante para a última dança de um craque incontestável.

Jamal Musiala

Talvez a maior deceção coletiva deste Mundial dê pelo nome de Mannschaft. Cotada como uma das favoritas e vindo de um forte 7-1 sobre Curaçau, a Alemanha sucumbiu de forma surpreendente no mata-mata, diante do Paraguai. Para Musiala, a jornada na América do Norte foi o reflexo de uma temporada conturbada: após seis meses parado no Bayern, por lesão, correu contra o tempo para estar à disposição.

Titular e autor de um golo na estreia contra Curaçau, Musiala seguiu no onze inicial contra a Costa do Marfim e Equador. Porém, no jogo que selou o destino alemão, no mata-mata contra o Paraguai, foi boicotado e deixado no banco, entrando apenas nos 30 minutos finais. Tarde demais para mudar o rumo da história: sem conseguir alterar a inércia do confronto, assistiu passivamente à eliminação nos penáltis. Para um talento do seu calibre, o balanço é profundamente frustrante.

Scott McTominay

Ídolo em Nápoles, figurante na América do Norte. Líder absoluto do meio-campo napolitano há duas temporadas, McTominay não conseguiu exercer a mesma liderança com a camisola da Escócia. Após uma vitória magra na estreia contra o Haiti, a "Tartan Army" desmoronou diante de Marrocos e Brasil, dizendo adeus ao torneio precocemente. Para o escocês, as estatísticas são cruéis: nenhum golo, nenhuma assistência e o regresso antecipado para casa.

Memphis Depay

Contratado pelo Corinthians em 2024, após passagens por gigantes como PSV, Manchester United, Lyon, Barcelona e Atlético de Madrid, Memphis foi um mero espectador neste Mundial. O maior artilheiro da história dos Países Baixos (tendo superado a lenda Van Persie) passou em branco na pífia campanha da Laranja Mecânica, eliminada nos penáltis por Marrocos.

O avançado iniciou todos os confrontos no banco, somando 51 minutos totais nas três primeiras partidas e sem sequer sair do banco no jogo decisivo. Um desfecho amargo que parece colocar um ponto final na sua longa trajetória com a seleção neerlandesa.

Neymar

A última dança de Neymar transformou-se em mais um dramático capítulo para o futebol brasileiro. Convocado por Carlo Ancelotti sob uma pressão mediática sufocante, o camisola 10 procurava a glória eterna, mas encontrou a melancolia. Traído novamente pela fragilidade física, desfalcou a equipa nos dois primeiros jogos por lesão, atuando apenas nos instantes finais contra a Escócia, antes de ser suplente durante todo o jogo contra o Japão.

A esperança ruiu de vez nos oitavos de final, contra a Noruega: ao entrar no decorrer do jogo, converteu um penálti que serviu apenas como golo de honra antes da eliminação.

"Tentei de todas as formas. Agora acabou. Aqui fecho o ciclo", declarou, em lágrimas. As cortinas fecham-se para a sua trajetória na seleção brasileira da forma mais dolorosa: o choro solitário de um rei que se despede sem a sua coroa.

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Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.

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