No Flashscore analisamos o que fez cada um destes 26 internacionais espanhóis que devolveram a glória mundial a um país que voltou a unir-se em torno do futebol.
- Unai Simón (29 anos): O Luva de Ouro do Mundial. Apenas um golo sofrido – o de De Ketelaere nos quartos frente à Bélgica – em oito jogos. Um recorde histórico de minutos consecutivos (649) sem sofrer golos. Um seguro total para uma Espanha que teve no guarda-redes do Athletic o seu último reduto. Não precisou de intervir muitas vezes, mas quando foi chamado... não restaram dúvidas de que resolveria.
- David Raya (30 anos): Suplente de luxo, não pôde mostrar as suas qualidades perante o excelente desempenho de Unai Simón. Um dos quatro que ficaram sem jogar.
- Joan García (25 anos): O mesmo se pode dizer do guarda-redes do Barça, que entrou à última hora na lista por troca com Remiro. O segundo dos quatro que não jogaram no torneio.
- Pedro Porro (26 anos): Começou como suplente, mas passou como uma locomotiva por cima de Marcos Llorente nas rondas a eliminar, em que desde os oitavos foi titular no lado direito da defesa. Terminou com dois golos: o 2-0 frente à Áustria nos 16 avos, após o golo de Oyarzabal, para dar a tranquilidade definitiva... e o 0-2 frente à França nas meias-finais para fazer exatamente o mesmo.
- Marcos Llorente (31 anos): Começou como titular e jogou assim dois dos três jogos da fase de grupos. No entanto, apesar de ter feito a assistência no único golo frente ao Uruguai, perdeu esse papel nos jogos a eliminar e só voltou a jogar frente à França, apenas seis minutos, devido aos problemas musculares de Porro.
- Cubarsí (19 anos): Eleito Melhor Jogador Jovem do Mundial, e com toda a justiça. A sua segurança, a sua maturidade, a sua leitura de jogo... Tem tudo para ser uma estrela mundial na próxima década. Tem apenas 19 anos e jogou os 750 minutos possíveis. Um dos grandes responsáveis pelo recorde defensivo da Espanha.
- Laporte (32 anos): Com Cubarsí, formou a melhor dupla de centrais do torneio. A sua experiência e liderança silenciosa calaram todos os rumores sobre este francês de nascimento, mas espanhol de coração. Depois da passagem pela Arábia Saudita e do regresso ao Athletic, Aymeric demonstrou uma ligação especial com os colegas, que confiaram nele de olhos fechados. Ainda fez uma assistência. Não se pode pedir mais.
- Marc Pubill (23 anos): Uma das grandes surpresas da convocatória e cuja passagem pelo Mundial foi meramente simbólica. Jogou apenas um minuto no duelo frente à Áustria, quando já tudo estava decidido. Mas este campeão olímpico, lateral adaptado a central, garantiu um lugar para futuras chamadas.
- Eric García (25 anos): Teve de esperar até à final para se estrear no Mundial e afastar o mau pressentimento daquela Liga das Nações perdida pela Espanha frente à França, com o célebre fora de jogo de Mbappé em que esteve envolvido. Jogou 21 minutos frente à Argentina e não acusou a falta de ritmo. Pelo contrário.
- Cucurella (27 anos): Outro dos jogadores de campo que jogou todos os minutos. Defensivamente foi um touro. Ofensivamente, foi uma faca em manteiga, somando duas assistências, ambas frente à Áustria. Alma da seleção, devorou todos os adversários e teve sempre físico para acompanhar o extremo esquerdo, para dobrar uma e outra vez. Ignorou quem pensou que a transferência para o Real Madrid em pleno Mundial o poderia desconcentrar.
- Grimaldo (30 anos): Com Cucurella em grande forma, ao novo jogador do Atlético de Madrid não restaram nem as sobras. O terceiro dos quatro espanhóis que não se estrearam.
- Rodri (30 anos): O Melhor Jogador do Mundial. O capitão. O líder. A extensão do treinador em campo. O irmão mais velho de todos, sempre pronto a ajudar na defesa, a organizar desde trás, a marcar o ritmo, a esperar o momento certo para fazer o passe e romper as linhas adversárias, com um recorde de passes para o último terço que nem Xavi no seu melhor momento. Depois de superar uma gravíssima lesão no joelho, Rodri voltou a mostrar porque foi eleito Bola de Ouro. Mais um para a sua coleção.

- Fabián Ruiz (30 anos): O talismã da seleção espanhola. Soma 50 jogos como internacional e 50 sem perder. Um dos imprescindíveis de De la Fuente, o sevilhano, do mesmo Los Palacios de Gavi e Jesús Navas, não teve um bom início de Mundial. Ainda assim, jogou alguns minutos em todos os jogos até recuperar o lugar frente à Bélgica. Não esteve inspirado na final, mas o que deu à equipa foi muito mais do que os números mostram.
- Dani Olmo (28 anos): O 10 de Espanha foi fundamental no Europeu. E voltou a ser no Mundial, onde não marcou, mas assistiu: uma vez frente à Arábia Saudita e outra, mais importante, contra a França para Pedro Porro. O seu jogo entre linhas, a forma como se movimenta em campo e aquela rotação de 180 graus que continua a deixar adversários para trás vão ser recordados durante muitos anos.
- Álex Baena (25 anos): Algo tem este almeriense que se tornou, por mérito próprio, o espanhol mais laureado da história: venceu o Euro-2024, conquistou o ouro nos Jogos Olímpicos de Paris e agora chegou ao topo do mundo neste Mundial. E, ainda por cima, afirmando-se a extremo esquerdo, uma posição que não é a sua, mas que agarrou desde o segundo jogo para nunca mais largar. Foi dele o golo que valeu a vitória sobre o Uruguai e a assistência para Porro frente à Áustria.
- Pedri (23 anos): Não foi o Mundial esperado pelo canário, é preciso dizê-lo. E até fez uma fase de grupos bastante positiva. Mas a época pesou-lhe e foi perdendo influência até que frente a Portugal atingiu o ponto mais baixo, com várias perdas de bola. Suplente nos quartos, meias e final, a sua entrada nesta última voltou a mostrar o Pedri iluminado que lidera o meio-campo de Espanha e do Barça.
- Mikel Merino (30 anos): Se há um herói neste Mundial, é Mikel Merino, que se colocou, sem exagero, ao nível de San Fermín. Depois de uma grave lesão que o fez temer falhar o Mundial, recuperou a tempo não para ser titular, mas sim decisivo. Os seus dois golos in extremis frente a Portugal e Bélgica, quando tinha acabado de entrar, vão ficar para sempre na memória de todos os espanhóis.
- Gavi (21 anos): Dos poucos cujo nível não lhe permitiu jogar mais. A mascote de Espanha, como lhe chamou o selecionador, naufragou por completo frente a Cabo Verde como extremo esquerdo. Depois, coube-lhe animar e fazer grupo a partir do banco, salvo cinco minutos frente à Áustria, já com tudo decidido.
- Zubimendi (27 anos): O futebol é injusto. Com a ausência de Rodri, Martín Zubimendi foi o farol da equipa, cumprindo com distinção a tarefa de substituir o capitão. Mas com este em plena forma, parecia condenado a não jogar no Mundial. Até que chegou a final, o cansaço de Rodri levou-o a entrar em campo e voltou a estar em grande nível.
- Lamine Yamal (19 anos): Todos esperavam que fosse o seu Mundial. Não foi, para ser honesto, porque lhe faltou aquela faísca para ultrapassar os adversários. E não deixou de os enfrentar, de tentar. Mas a falta de ritmo com que chegou impediu-o de ser tão decisivo como no Europeu. Ainda assim, saiu com um golo, frente à Arábia Saudita, e com o objetivo principal alcançado: aos 19 anos recém-completados, no mesmo torneio, já é campeão do mundo.
- Yéremi Pino (23 anos): Podia ter sido o escolhido para romper a defesa de Cabo Verde, mas De la Fuente só se lembrou dele nos dois jogos seguintes, sem conseguir ser decisivo. Nos jogos a eliminar não jogou.
- Oyarzabal (29 anos): O melhor marcador da seleção sai com cinco golos, os mesmos que David Villa em 2010. Estreou-se com um bis frente à Arábia Saudita, repetiu com mais dois golos frente à Áustria e marcou, com a habitual frieza, o penálti contra a França. Quem dizia que a Espanha não tinha 9? Mikel não só marca, também faz assistências e oferece outros intangíveis muito valorizados pelos treinadores.
- Ferran Torres (26 anos): O Andrés Iniesta desta geração. Palavras maiores. Sem conseguir marcar, os deuses do futebol guardaram-lhe o melhor pedaço do bolo para a final. Foi dele o golo que deu a segunda estrela à Espanha. Podia ter gritado aquilo de Míchel em Itália 90, o "eu mereço", e teria toda a razão. Em vez disso, celebrou o seu golo histórico, aquele que o marcará para sempre, derrubando a bandeirola de canto. E que importa, se pode cantar "campeões, campeões" com o seu golo?
- Borja Iglesias (33 anos): Um minuto. Foi esse o tempo que este ponta-de-lança à moda antiga participou no Mundial. Mas a sua forma de unir a equipa foi fundamental. Também se tornou mediática a sua nova amizade com Bardem e Penélope Cruz.
- Nico Williams (24 anos): Não conseguiu ser tão brilhante e decisivo como no Europeu. Pelo menos não com tanta regularidade. Mas na final, se não fosse pela sua luta por uma bola, e pelo penteado que amorteceu o suficiente para assistir Ferran, talvez a seleção não fosse campeã. E nem se fala do golo que lhe foi roubado por uma suposta falta de Merino sobre Otamendi. Nico está de volta.
- Víctor Muñoz (23 anos): O quarto jogador da seleção a sair de mãos vazias, sem jogar. No seu caso, devido à lesão muscular com que chegou ao Mundial. Quando recuperou, talvez fosse demasiado arriscado colocá-lo em campo. Mas, também é campeão do mundo.
