Exclusivo com Goycochea: "Este Brasil não está à altura da história da Seleção"

Goycochea, nome histórico da Argentina no Mundial-1990
Goycochea, nome histórico da Argentina no Mundial-1990Flashscore / WILLIAM VOLCOV / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

Nome histórico da Argentina no Mundial-1990, pelas defesas decisivas em desempates por penáltis, o antigo guarda-redes Sergio Goycochea foi entrevistado pelo Flashscore no mítico Estádio Azteca. Na conversa, destacou a importância do recinto para o futebol argentino e analisou a seleção brasileira, que, na sua opinião, não está à altura da história da pentacampeã mundial.

"Argentina chega bem para defender o título"

- Queria que falasse sobre a sensação de estar aqui no Azteca. Imagino que, para um argentino, estar neste estádio traga sempre uma recordação muito positiva.

É uma recordação sempre muito positiva para nós, argentinos. Foi aqui que a Argentina conquistou a segunda estrela, com tudo o que isso significou para Diego Maradona, com o golo do século (...) Temos muitas boas memórias daquele Mundial. A Argentina agora não vai jogar aqui, mas é muito importante chegar como campeã em título.

Goycochea e o abraço à lenda Maradona
Goycochea e o abraço à lenda MaradonaReprodução / Arquivo Pessoal

- Queria perguntar-lhe também sobre os guarda-redes brasileiros. O Brasil tem Weverton, Alisson e Ederson, e há alguma polémica no país em torno dos três. Qual é a sua opinião sobre os guarda-redes brasileiros?

Sim, há muita polémica, mas acho que qualquer um deles pode jogar. Para mim, em particular, é indiferente, porque são três guarda-redes com muita experiência e com percursos consolidados. Hoje isso já não faz assim tanta diferença. Caberá a Ancelotti decidir quem é o melhor para a baliza do Brasil.

- Qual é a sua opinião sobre o Brasil neste Mundial? Tem Ancelotti no comando e existe a possibilidade de Neymar regressar e recuperar a tempo.

Costumo dizer, e não o digo por estar agora a falar com um meio de comunicação brasileiro, que o Brasil é sempre o Brasil. Acho que o Brasil não está à altura da história da seleção, mas o que nos leva a pensar que esta equipa será fácil de vencer? Quando analisamos outras seleções que, por vezes, têm menos argumentos do que o Brasil, dizemos: 'atenção, este é um adversário muito difícil'. Então, temos de dizer que o Brasil também é difícil, sim. O Brasil tem história e é preciso respeitá-lo.

Brasil aguarda o regresso de Neymar
Brasil aguarda o regresso de NeymarEDUARDO CARMIM / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

- E a Argentina? Como a vê neste momento?

A Argentina chega bem para defender o título. A equipa tem alguns jogadores desgastados fisicamente, mas conta com uma base muito sólida, com 16 ou 17 campeões do mundo. Isso mostra a longevidade do trabalho. Quando começa o verdadeiro campeonato, a eliminar, é uma equipa muito difícil de bater. É preciso fazer as coisas muito bem para ultrapassar a Argentina. Essa é a nossa tranquilidade.

Depois, como dizemos sempre, isto é futebol. Em 1990, o Brasil fez tudo o que podia, mas nós, numa ou duas oportunidades, marcámos o golo da vitória. Se jogássemos mais dez vezes, talvez o Brasil ganhasse nove e a Argentina apenas aquela. Mas o adepto argentino está tranquilo hoje, porque sabe que o país tem uma verdadeira equipa.