Mundial-2026: Da cabeçada de Zidane à glória de Messi, os momentos que marcaram gerações

Marco Materazzi, da Itália, cai no chão depois de receber uma cabeçada de Zinédine Zidane, da França, durante a final do Campeonato do Mundo
Marco Materazzi, da Itália, cai no chão depois de receber uma cabeçada de Zinédine Zidane, da França, durante a final do Campeonato do MundoJOHN MACDOUGALL / AFP

O Campeonato do Mundo da FIFA nunca desilude. Dentro e fora das quatro linhas, a prova oferece emoção, drama e momentos inesquecíveis. O Flashscore reúne os episódios que mais marcaram a competição.

Não há nenhum acontecimento desportivo no mundo que proporcione tanto choque, beleza, espanto, momentos inesquecíveis e histórias marcantes como o Campeonato do Mundo da FIFA. É isso que acontece quando as melhores seleções do planeta se reúnem, de quatro em quatro anos, para disputar o título mais cobiçado do futebol mundial.

Ao longo de quase um século de história, o Campeonato do Mundo ofereceu tantos momentos memoráveis que se torna quase impossível escolher apenas dez. Basta recordar a Batalha de Nuremberga entre Portugal e os Países Baixos, em 2006, Diana Ross a falhar um penálti na cerimónia de abertura do Mundial de 1994, a Batalha de Santiago entre Chile e Itália, em 1962, ou as lágrimas de Paul Gascoigne após a derrota de Inglaterra frente à Alemanha nas meias-finais do Mundial de 1990.

O mais impressionante é que todos estes episódios acabam por ficar de fora da lista principal. Mas essa é precisamente a dimensão do Campeonato do Mundo da FIFA. O Flashscore apresenta os 10 momentos mais emblemáticos da história da maior competição de futebol do planeta.

Os 10 momentos mais emblemáticos da história do Campeonato do Mundo

10: O desastre do "Maracanaço" (1950)

Quando o poderoso Brasil entrou em campo para defrontar o Uruguai na decisiva partida do Mundial-1950, poucos acreditavam que o desfecho pudesse ser outro que não a consagração da seleção anfitriã. A competição tinha então um formato diferente do atual: os vencedores dos quatro grupos avançavam para uma fase final em sistema de todos contra todos, sendo campeã a equipa que terminasse no primeiro lugar.

A 16 de julho de 1950, Brasil e Uruguai encontraram-se perante um Estádio do Maracanã repleto, com cerca de 200 mil espectadores ansiosos por celebrar o primeiro título mundial da sua seleção. O Brasil chegava embalado por goleadas impressionantes sobre a Suécia (7-1) e a Espanha (6-1), enquanto o Uruguai tinha empatado com os suecos e vencido os espanhóis por 3-2.

Mas aconteceu o impensável. Graças aos golos de Juan Alberto Schiaffino e Alcides Ghiggia, o Uruguai venceu por 2-1 e silenciou o Maracanã. O ambiente no estádio transformou-se num silêncio quase irreal, descrito por muitos como "perturbador e traumático". A derrota foi encarada como uma tragédia nacional no Brasil e marcou profundamente a história do futebol do país. Embora nunca tenham surgido provas que sustentem as histórias de uma alegada vaga de suicídios, é inegável que o encontro, eternizado como Maracanaço, mudou para sempre o futebol brasileiro.

9: O golo fantasma de Geoff Hurst contra a Alemanha Ocidental (1966)

Estamos em 1966 e a Inglaterra recebe um dos mais memoráveis Campeonatos do Mundo da FIFA. A seleção anfitriã chega à final depois de eliminar o Portugal de Eusébio nas meias-finais e prepara-se para enfrentar a Alemanha Ocidental de Franz Beckenbauer no mítico Estádio de Wembley.

Depois dos golos de Helmut Haller e Geoff Hurst nos minutos iniciais, o encontro manteve-se equilibrado até à reta final. Martin Peters colocou a Inglaterra em vantagem aos 78 minutos e parecia ter decidido a partida, mas Wolfgang Weber empatou aos 89', levando a final para prolongamento.

Foi então que aconteceu um dos momentos mais polémicos da história do futebol. Aos 101 minutos, George Cohen cruzou para Geoff Hurst, que rodou sobre um adversário e rematou à baliza. A bola embateu na barra, ressaltou junto da linha de golo e voltou para o terreno de jogo. Perante a incerteza, o árbitro suíço Gottfried Dienst consultou o seu assistente e acabou por validar o golo, apesar de as imagens continuarem a alimentar o debate até aos dias de hoje sobre se a bola ultrapassou totalmente a linha.

O chamado "golo fantasma" colocou a Inglaterra em vantagem e alterou o rumo da final. Hurst ainda completaria o hat-trick nos instantes finais, selando o triunfo por 4-2 e garantindo à Inglaterra o único título mundial da sua história.

8: O golo de Dennis Bergkamp contra a Argentina (1998)

O Stade Vélodrome, em Marselha, foi palco de um dos momentos mais icónicos do Mundial de 1998. Nos quartos de final, os Países Baixos de Dennis Bergkamp, Jaap Stam e de vários elementos da geração dourada do Ajax, campeão europeu em 1995, mediam forças com a Argentina de Gabriel Batistuta, Juan Sebastian Verón, Diego Simeone e Javier Zanetti.

Com o marcador empatado e tudo a indicar que a partida seguiria para prolongamento, Dennis Bergkamp decidiu escrever uma das páginas mais memoráveis da história dos Campeonatos do Mundo. Aos 90 minutos, Frank de Boer lançou um passe longo desde o seu meio-campo. Bergkamp dominou a bola de forma magistral, com um primeiro toque perfeito, deixou Roberto Ayala para trás com um segundo toque subtil e, de seguida, bateu Carlos Roa com uma finalização precisa ao segundo poste.

Foi um golo de rara beleza técnica, amplamente considerado um dos melhores da história dos Mundiais. O lance garantiu a vitória dos Países Baixos por 2-1 e a qualificação para as meias-finais, provocando uma explosão de emoção entre os adeptos neerlandeses e uma narração histórica de Jack van Gelder, que se tornou lendária nos Países Baixos.

7: O canto do cisne de Pelé no México (1970)

Independentemente da forma como se olha para o desporto, Pelé é uma das maiores figuras da história. Depois de ter maravilhado o mundo em 1958, com apenas 17 anos, o génio brasileiro voltou a subir ao maior palco do futebol pela última vez no Campeonato do Mundo de 1970, disputado no México.

Integrado naquela que muitos consideram ser a melhor seleção de todos os tempos, Pelé realizou um torneio extraordinário. Apesar de a defesa impossível de Gordon Banks ser um dos momentos mais recordados dessa edição, a campanha do Rei foi verdadeiramente memorável. Pelé esteve diretamente envolvido em 10 dos 19 golos marcados pelo Brasil e brilhou na final frente à Itália, contribuindo com um golo e duas assistências na vitória por 4-1 que garantiu o tricampeonato mundial à canarinha.

A despedida de Pelé dos Campeonatos do Mundo aconteceu da forma que melhor conhecia: a encantar o planeta com o seu talento. Os seus movimentos deixavam os adversários sem resposta e a sua influência em campo parecia transcendental. Tarcisio Burgnich, histórico defesa da Itália e da Inter de Milão, encarregado de o marcar na final, resumiu na perfeição a sensação de enfrentar o brasileiro:

"Disse a mim próprio antes do jogo que ele era feito de pele e osso, como qualquer outro. Mas estava enganado."

Uma frase que ajuda a explicar porque é que o Mundial de 1970 permanece como a derradeira consagração de Pelé no palco mais importante do futebol mundial.

6: O penálti falhado por Roberto Baggio contra o Brasil (1994)

Roberto Baggio era um dos melhores jogadores do mundo em 1994. O lendário "Divino Rabo de Cavalo" carregou a Itália até à final do Campeonato do Mundo dos Estados Unidos e chegou ao Rose Bowl, em Pasadena, como a grande esperança de conduzir os italianos ao quarto título mundial da sua história.

Frente ao Brasil de Romário, Dunga e Bebeto, a final terminou sem golos após 120 minutos, levando a decisão para o desempate por grandes penalidades. Perante 94.194 espectadores, a tensão atingiu o limite. Depois de os brasileiros converterem os seus remates, cabia a Baggio manter viva a esperança italiana. No entanto, o craque transalpino atirou por cima da barra e selou o triunfo do Brasil, num dos momentos mais marcantes e dolorosos da história dos Campeonatos do Mundo.

A imagem de Baggio, imóvel e de cabeça baixa após o erro, tornou-se eterna. Anos mais tarde, numa entrevista ao The Athletic, o antigo internacional italiano revelou a profundidade da dor que sentiu naquele instante:

"Se tivesse tido uma faca naquele momento, ter-me-ia esfaqueado. Se tivesse tido uma arma, ter-me-ia matado. Naquele momento, queria morrer. Foi assim que me senti."

Mais do que um penálti falhado, aquele momento transformou-se num dos episódios mais emblemáticos da história do futebol, simbolizando a crueldade que tantas vezes acompanha a glória no maior palco do desporto-rei.

5: Alemanha vence o Brasil por 7-1 (2014)

O Brasil vive e respira futebol como poucos países no mundo. Por isso, quando recebeu o Campeonato do Mundo de 2014, 64 anos depois do traumático Maracanaço, a expectativa era enorme. Liderada por Neymar, então estrela do Barcelona, a seleção brasileira chegou às meias-finais depois de eliminar o Chile nos penáltis e a Colômbia de James Rodriguez nos quartos de final.

Do outro lado estava a Alemanha, que vinha de uma vitória sofrida sobre a Argélia nos oitavos de final e de um triunfo sólido frente à França. Sem Neymar, lesionado, e Thiago Silva, suspenso, o Brasil sabia que teria uma tarefa complicada. Ainda assim, ninguém poderia imaginar o que estava prestes a acontecer no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte.

Thomas Müller abriu o marcador aos 11 minutos e, a partir daí, a partida entrou para a história pelos piores motivos para os anfitriões. Miroslav Klose, Toni Kroos por duas vezes e Sami Khedira marcaram num espaço de apenas seis minutos, transformando o resultado num inacreditável 5-0 antes da meia hora de jogo.

Nas bancadas, muitos adeptos brasileiros já choravam enquanto assistiam ao desmoronar de um sonho. Na segunda parte, André Schürrle agravou a humilhação com mais dois golos, elevando a contagem para 7-0. Oscar ainda reduziu para 7-1 aos 90 minutos, mas o dano estava feito.

O encontro ficou eternizado como o Mineiraço, uma das derrotas mais chocantes da história dos Campeonatos do Mundo e um novo trauma nacional para um país que vive o futebol de forma única.

4: Lionel Messi vence o Mundial (2022)

Lionel Messi já tinha garantido um lugar entre os maiores nomes da história do futebol quando o Campeonato do Mundo de 2022 arrancou no Catar. No entanto, havia uma lacuna evidente no seu currículo: o título mundial pela Argentina. Para muitos, a conquista de Diego Maradona em 1986 continuava a colocá-lo num patamar superior, e Messi chegou ao torneio determinado a encerrar definitivamente esse debate.

Trinta e seis anos depois da consagração de Maradona no México, a Argentina voltou a aproximar-se da glória. Depois de ultrapassar a Austrália nos oitavos de final, os neerlandeses nos quartos e a Croácia nas meias-finais, a seleção albiceleste encontrou pela frente a França, campeã em título, numa final que entraria para a história como uma das melhores de sempre.

Messi assumiu novamente o protagonismo. Depois de chegar à final com cinco golos e três assistências, marcou por duas vezes frente aos franceses, incluindo um golo no prolongamento. Mas o desfecho da sua história estava reservado para o desempate por grandes penalidades, onde a Argentina levou a melhor e conquistou o terceiro título mundial da sua história.

Naquela noite em Lusail, Messi completou a sua obra-prima. O rapaz que sonhava levantar o troféu mais importante do futebol cumpriu finalmente o seu destino e encerrou uma das maiores carreiras de todos os tempos com a única conquista que ainda lhe faltava.

3: O "Golo do Século" de Diego Maradona (1986)

De herói argentino para herói argentino, Diego Maradona foi a grande figura da Argentina no Mundial de 1986. Nos relvados mexicanos, parecia jogar noutra dimensão. O torneio transformou-se no seu palco e Maradona reservou a sua obra-prima para os quartos de final frente à Inglaterra.

Num encontro carregado de simbolismo devido à recente Guerra das Malvinas, o capitão argentino protagonizou um dos momentos mais icónicos da história do futebol. Aos 55 minutos, recebeu a bola ainda no seu meio-campo e iniciou uma corrida inesquecível. Pelo caminho, deixou para trás Peter Beardsley, Peter Reid, Terry Fenwick e Terry Butcher - este último por duas vezes - antes de contornar o guarda-redes Peter Shilton e empurrar a bola para a baliza deserta.

Foi um lance de génio absoluto, uma combinação perfeita de técnica, velocidade, equilíbrio e visão de jogo. O golo ficou eternizado como o "Golo do Século", tendo sido eleito pela FIFA como o melhor golo da história dos Campeonatos do Mundo.

O próprio Maradona descreveu-o mais tarde como um "golo de sonho". E dificilmente alguém encontrará melhor definição para uma das jogadas mais brilhantes alguma vez vistas num campo de futebol.

2: A cabeçada de Zinédine Zidane (2006)

A final do Campeonato do Mundo de 2006 marcou o último jogo da carreira internacional de Zinédine Zidane e parecia destinada a terminar em glória para um dos maiores futebolistas de todos os tempos. A França, liderada por Zidane, Thierry Henry e Patrick Vieira, enfrentava a Itália em Berlim, depois de os italianos terem eliminado a anfitriã Alemanha nas meias-finais.

O encontro começou da melhor forma para o génio francês. Aos sete minutos, Zidane inaugurou o marcador com uma ousada grande penalidade à Panenka. No entanto, Marco Materazzi respondeu apenas 12 minutos depois, restabelecendo a igualdade e lançando uma batalha intensa que se prolongou até ao prolongamento.

Mas o momento que ficou para a história aconteceu aos 110 minutos. Após uma troca de palavras com Materazzi, Zidane perdeu a cabeça e atingiu o defesa italiano com uma cabeçada no peito. O gesto chocou o mundo do futebol e levou à expulsão imediata do capitão francês.

Sem o seu líder, a França acabaria por perder no desempate por grandes penalidades, permitindo à Itália conquistar o seu quarto título mundial. Contudo, mais do que o resultado, foi a imagem de Zidane a abandonar o relvado, passando ao lado do troféu que nunca voltaria a poder erguer, que ficou gravada na memória coletiva do futebol.

Uma despedida tão inesperada quanto simbólica para um jogador que marcou uma era e protagonizou um dos momentos mais icónicos da história dos Campeonatos do Mundo.

1: A "Mão de Deus" de Diego Maradona (1986)

No mesmo encontro em que marcou o célebre "Golo do Século", Diego Maradona protagonizou outro dos momentos mais controversos da história dos Campeonatos do Mundo. Nos quartos de final do Mundial de 1986, frente à Inglaterra, o génio argentino conseguiu algo raro: dividir opiniões em todo o planeta futebol.

Aos 51 minutos, apenas quatro minutos antes da sua obra-prima individual, Maradona aproveitou uma jogada confusa na área inglesa. Após um ressalto, correu em direção à bola juntamente com o guarda-redes Peter Shilton e, apesar da diferença de altura, chegou primeiro ao lance. O que poucos perceberam de imediato foi que o argentino desviou a bola com a mão esquerda antes de esta entrar na baliza.

Perante a surpresa dos jogadores ingleses e os protestos imediatos, o árbitro validou o golo. A Argentina acabaria por vencer por 2-1 e seguir caminho até à conquista do título mundial, com Maradona a erguer o troféu no Estádio Azteca, na Cidade do México.

Longe de demonstrar arrependimento, Maradona alimentou a lenda durante anos. Inicialmente descreveu o lance como tendo sido marcado "um pouco com a cabeça de Maradona e um pouco com a mão de Deus", expressão que ficou eternizada na história do futebol. Mais tarde, na sua autobiografia publicada em 2000, admitiu sem rodeios:

"Agora posso dizer aquilo que não podia dizer na altura. O que defini como a 'Mão de Deus'. Que mão de Deus? Era a mão de Diego."

Um lance polémico, mas inesquecível, que continua a ser um dos momentos mais debatidos de sempre no Campeonato do Mundo.

FAQ

- Qual é oficialmente considerado o melhor golo da história dos Campeonatos do Mundo?

O "Golo do Século", marcado por Diego Maradona frente à Inglaterra nos quartos de final do Mundial de 1986, é oficialmente reconhecido pela FIFA como o melhor golo da história dos Campeonatos do Mundo.

- Que jogo é conhecido como o "Jogo do Século"?

A meia-final do Mundial de 1970 entre Itália e Alemanha Ocidental, vencida pelos italianos por 4-3 após prolongamento, ficou para sempre conhecida como o "Jogo do Século".

- Algum jogador venceu três Campeonatos do Mundo?

Sim. Pelé continua a ser o único jogador da história a conquistar três Campeonatos do Mundo, triunfando em 1958, 1962 e 1970 ao serviço do Brasil.

- Qual foi a maior surpresa de sempre numa final de um Campeonato do Mundo?

A vitória do Uruguai por 2-1 sobre o Brasil no Mundial de 1950 é amplamente considerada a maior surpresa de sempre numa final ou jogo decisivo de um Campeonato do Mundo. O encontro ficou eternizado como o "Maracanaço".

- Quem é o melhor marcador da história dos Campeonatos do Mundo?

O alemão Miroslav Klose detém o recorde de mais golos marcados em Campeonatos do Mundo, com 16 tentos, superando o brasileiro Ronaldo, que terminou a carreira com 15.