Exclusivo Flashscore: Rodrigo Caetano revela bastidores de Ancelotti e exalta postura de Neymar

Rodrigo Caetano é o homem forte nos bastidores da seleção brasileira
Rodrigo Caetano é o homem forte nos bastidores da seleção brasileiraBrazil Photo Press, Brazil Photo Press / Alamy / Profimedia

Em entrevista exclusiva ao Flashscore, o coordenador de futebol da CBF, Rodrigo Caetano, abriu o jogo sobre os bastidores da seleção brasileira antes do duelo decisivo contra a Noruega, este domingo, às 21:00, nos oitavos de final do Mundial-2026.

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Entre a ansiedade do mata-mata e o calor intenso dos Estados Unidos, o dirigente detalhou a convivência diária com Carlo Ancelotti, defendeu com firmeza o profissionalismo do plantel quanto ao período de folgas e destacou o papel fundamental de Neymar no ambiente do grupo.

Em dia de jogo com a Noruega, sob forte calor em solo norte-americano, Rodrigo Caetano destacou a mudança de "chip" necessária para a fase eliminatória, após a vitória sobre o Japão.

O coordenador da seleção brasileira exaltou a tranquilidade transmitida por Carlo Ancelotti — que disputa o seu primeiro Mundial como treinador após ter sido adjunto em 1994 — e valorizou a decisão da CBF de renovar o contrato do italiano antes mesmo do início do Mundial, priorizando a convicção no conceito de trabalho e na gestão compartilhada do técnico.

O dirigente também foi enfático ao rebater as questões externas sobre as folgas concedidas aos jogadores. Rodrigo Caetano revelou que, em 38 dias de concentração desde a apresentação na Granja Comary, a 27 de maio, o grupo passou apenas três noites com os seus familiares, ressaltando a maturidade e o foco dos atletas na recuperação mental. Por fim, rasgou elogios à postura de Neymar, classificando o camisola 10 como um líder positivo e humilde, totalmente alinhado ao mantra de Ancelotti: o objetivo maior não é ter o melhor jogador do torneio, mas sim formar a melhor seleção do Mundial.

Rodrigo Caetano (à esquerda) fez muitos elogios à Carlo Ancelotti
Rodrigo Caetano (à esquerda) fez muitos elogios à Carlo AncelottiRich Graessle / Zuma Press / Profimedia

- Rodrigo, que semana decisiva! Jogo importantíssimo contra a Noruega. Não entra em campo, já entrou como jogador, mas cuida de toda a logística da seleção brasileira. Também fica nessa ansiedade?

Muito tenso. Muito tenso porque também é da natureza de quem competiu ter na veia esse negócio do competidor querer ganhar. Ainda mais num Mundial, nesse nível de tensão em que você modifica o formato da competição.

Saímos de uma primeira fase de grupos para depois jogos eliminatórios, com uma fase a mais de eliminação. Então, quando a gente costuma dizer que tem que mudar um pouquinho o chip, é por causa disso. E aí aquele componente da tensão entra. Eu espero que agora, depois da grande vitória contra o Japão, até da forma como aconteceu, a gente possa administrar melhor essa questão da tensão e da ansiedade, que é natural quando envolve um jogo de tamanha importância.

- Não é o primeiro Mundial de Carlo Ancelotti. Salvo erro, em 1994 estava como adjunto. Mas como treinador principal passa a ser novo para ele também. Como Ancelotti tem lidado com isso no dia a dia? 

É diferente porque é um país inteiro, uma nação inteira numa expectativa gigantesca em cima da seleção brasileira. Isso muda um pouco. Mas no que diz respeito aos treinos e a esses jogos eliminatórios, ele está habituado. Ele viveu isso durante muitos anos na Champions, nas ligas. Ele convive bem com a responsabilidade e desfruta disso. Ele sempre repete que é uma enorme honra e um prazer estar a treinar a seleção brasileira. Ele é um sujeito que, por si só, é mais calmo e mais tranquilo, então consegue passar para nós essa tranquilidade, principalmente nos momentos que antecedem esses jogos.

- Poderia contar algo dos bastidores? Nos treinos, reparo vocês dois a conversarem o tempo todo antes dos exercícios. O que tanto vocês conversam ali no dia a dia? 

Muitas coisas. Dia a dia mesmo, curiosidades e, obviamente, outras questões sobre o trabalho e sobre a equipa, que essas nem sob tortura eu falo! (risos) Mas tem sido uma aprendizagem muito grande para mim, porque essa tranquilidade ele transmite mesmo.

Ancelotti tem algumas tiradas muito boas, de quem viveu muito e consegue transmitir isso. São coisas que vão ficar guardadas para as situações que provavelmente enfrentaremos lá na frente. Eu procuro absorver o máximo que posso desse período de convívio com ele, tem-me feito muito bem na minha formação como profissional e como pessoa também. Criamos uma sintonia realmente muito grande de há um ano para cá e, independentemente do que vier a acontecer para frente, sem dúvida alguma vai ser um amigo que vou levar para a vida toda.

- Quando surgiu a contratação de Ancelotti, o Rodrigo já estava na CBF desde fevereiro de 2024 e passou por mudanças de presidente e de técnicos. Houve alguma incerteza sobre como seria trabalhar com um multicampeão? Procurou saber com quem já trabalhou com ele? 

Sim, é natural. Tive informações com os brasileiros que trabalharam com ele e a informação era sempre a mesma: de um sujeito muito leve, de fácil trato e que gosta dos brasileiros. Ele realmente compartilha tudo o que diz respeito ao trabalho e isso valoriza demais. Muitas vezes, a gente não vê isso em alguns profissionais do Brasil. Ele não é fechadão nem traz para si todo e qualquer tipo de decisão. A decisão é compartilhada e envolve a todos, em todos os níveis, o que aumenta a nossa responsabilidade, mas faz com que todos se sintam valorizados. Quando finalizou a contratação dele, eu e o Juan fomos até Madrid. Tivemos a primeira reunião pessoal com ele quando ele ainda iria fazer o último jogo do Real Madrid. Ali apresentamos o nosso método de trabalho, ele conheceu um pouquinho da gente, e essa ida acelerou o processo de entendimento que temos até hoje.

- Dizem que a primeira impressão é a que fica. Qual foi a primeira impressão que teve dele em Madrid? 

A melhor possível. Quando chegamos na casa dele, ele mesmo estava lá para nos receber. Tivemos a oportunidade de almoçar e, a partir de então, o contacto era frequente e diário. Aquilo que vocês veem no dia a dia e nas entrevistas — uma pessoa muito simples, com grandes tiradas, alegre — é exatamente o que ele é. Ele traz uma leveza para o ambiente que não é muito comum. Sabe da responsabilidade e da necessidade de resultado, mas não torna isso um fardo; torna um orgulho, uma honra, um prazer. E aí tudo fica mais fácil.

- Isso explica também as folgas que a seleção brasileira tem tido? Há quem fale que num Mundial o grupo tem que ficar fechado. Essa visão dele mostra que dá tempo para tudo? 

Sempre houve folgas. Não entendo essa questão. Eu falo por mim: nós nos apresentamos no dia 27 de maio na Granja Comary. Hoje estamos no dia 4 de julho. Durante todo esse período — 38, quase 39 dias —, se eu dormi com a minha família, foram três vezes. Significa que para os atletas foi o mesmo. Foram três noites com os nossos familiares em quase 40 dias. Nós temos um grupo onde todos são extremamente responsáveis. Talvez quem fale isso seja porque, em épocas passadas, a folga significava um outro objetivo, como uma saída ou balada. Os nossos objetivos são permanecer com a família.

- Ninguém o preocupa nesse grupo quanto a isso? 

Zero. Talvez porque não dê pauta negativa, até a folga é contestada. Talvez se os nossos atletas saíssem daqui em algum dia para uma balada e ficassem uma noite sem dormir, esses que criticam estariam satisfeitos. Mas como os nossos jogadores são extremamente profissionais e conscientes do momento, chega a ser motivo de frustração ver isso. O ambiente externo vai criticar sempre, vai ver o lado negativo na grande maioria das vezes, mas vamos seguir o nosso trabalho. O resultado do jogo às vezes nós não controlamos, mas o que controlamos fora dele está perfeito: não há um deslize de nenhum atleta. É importante recarregar as energias com os familiares. A folga faz parte da recuperação mental que é necessária para todos.

- Avaliaram esse perfil dos jogadores — de saber dosear folga e família — na hora de montar a lista final de convocados? 

Sinceramente, não. Mudou muito o perfil do atleta hoje em dia. Todos são extremamente profissionais, sabem a necessidade de recuperação e comportamento, eles próprios se cobram. Os fatores para a lista foram muitos outros. Um grupo precisa ser heterogéneo, não adianta ter apenas um perfil.

Mas estamos muito tranquilos porque as regras que aplicamos aqui são claras e foram esclarecidas em todas as convocatórias anteriores e aqui no Mundial. Eles têm um sentimento de pertença ao plano de trabalho. Mas volto a dizer: no futebol, nada disso será reconhecido caso o Brasil não chegue. É o único lugar onde primeiro precisas de ter resultados para depois ter tempo, quando a lógica deveria ser o inverso.

- A CBF não está a tentar quebrar exatamente essa lógica do futebol ao renovar o contrato de Carlo Ancelotti antes de começar a competição? 

Sem dúvida. É um dos maiores sinais disso. É uma das poucas vezes em que se tomou essa decisão antes do resultado, antes de uma grande competição, avaliando o conceito e a qualidade do trabalho em vez do resultado imediato. Estamos sinalizando a convicção na sequência do trabalho. Temos a certeza de que não vamos agradar a todos, o que desejamos é tentar fazer um grande trabalho e representar bem o nosso povo.

- Para fechar, como está a ser o dia a dia com o Neymar? Ele levou um tempo para recuperar da lesão, ficou no banco e o Ancelotti disse que ele está pronto. Como ele lida com o facto de começar no banco, já que não foi suplente na carreira? 

Muito tranquilo. Sinceramente, o Neymar é um sujeito admirável, muito humilde e muito querido por todos. Vocês comprovam no dia a dia como ele está animado e feliz. Ele passou por uma lesão e o regresso gradual é natural, mas nunca ninguém questionou a qualidade e a importância dele.

Por isso ficou connosco esse tempo todo e aportamos toda a nossa capacidade para recuperá-lo. Em que momento do jogo ele vai ser utilizado é uma decisão do Ancelotti em prol do todo. O que vem sendo repetido é um mantra do nosso treinador: nós não vamos ao Mundial para ter o melhor jogador do mundo, nós vamos para tentar ser a melhor seleção do Mundial. O futebol é um desporto coletivo e o Neymar tem sido um grande líder positivo em todos os sentidos, engajado nas nossas diretrizes. Tenho a certeza absoluta de que, no momento em que mais precisarmos, ele vai dar dentro de campo aquilo que sempre deu. Afinal, é o maior artilheiro da história da seleção brasileira e não é por acaso.

- O calor vai ser puxado nos Estados Unidos para encarar um dos maiores avançados do mundo, Haaland, e tentar tirar mais uma seleção europeia do caminho do Brasil.

Demais, o jogo vai ser puxado pelo calor. Esperamos passar mais esse obstáculo contra um grande adversário que tem o Haaland, ir crescendo na competição e chegar aos quartos de final para sonhar com algo mais. Já nos preparamos para isso. É o dia de tentar tirar um europeu do nosso caminho, já que nos últimos Mundiais foram eles que nos eliminaram.

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.

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