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A equipa orientada por Francisco Neto terá pela frente um adversário com características muito próprias, capaz de criar dificuldades sobretudo pelo seu perfil físico e pela forma como se organiza sem bola.
"Trata-se de uma equipa muito física. Privilegiam um jogo de contacto, pouco associativo, muito baseado em segundas bolas. Portugal vai encontrar uma fisicalidade diferente. São agressivas nos duelos, com e sem bola, têm qualidade técnica, mas não têm a mesma perícia com bola que nós. Além disso, são muito rápidas", enaltece o técnico luso.
“Em termos estratégicos, acredito que vão baixar linhas, com uma linha de cinco atrás e outra de quatro no meio, deixando uma avançada mais fixa, que é a principal referência da equipa. A ideia passará por recuperar e ligar direto nessa jogadora, explorando depois as extremas. No máximo, atacam com quatro ou cinco jogadoras. Portugal terá de encontrar espaços, por dentro e por fora, mas sobretudo ter paciência", prossegue.
"Há ainda um fator importante: as condições climatéricas. Apesar de ainda haver luz a essa hora, vai estar muito frio, perto de um ou dois graus. O estádio é muito bonito, mas é muito aberto e isso pode trazer vento, o que pode condicionar o nosso jogo e beneficiar a Letónia, sobretudo em bolas longas", completa.

Pese todas as condicionantes, Portugal entra em campo com ambição e com o rótulo de favorito, perante um adversário que se organiza bem defensivamente e fecha os espaços junto da sua baliza.
"Conheço muito bem cerca de 95% das jogadoras, porque foram minhas adversárias ou minhas jogadoras. Neste momento vive-se aqui um período muito positivo, com muitas jogadoras a atuar no estrangeiro, em bons campeonatos, o que eleva o nível da seleção", descreve.
"Vai ser um jogo de paciência. O espaço que Portugal quer encontrar será fechado. Por isso, será fundamental criar contramovimentos, com uma jogadora a pedir e outra a atacar a profundidade. A mudança rápida do centro de jogo será também essencial, assim como explorar linhas diagonais e frontais", perspetiva.
"É preciso mover a bola com rapidez, mas também com critério, para desorganizar a estrutura adversária. A nossa qualidade de decisão é muito elevada e isso pode fazer a diferença, sobretudo na forma como conseguimos ferir a última linha, com variabilidade de movimentos e ações. Essa variabilidade será fundamental", remata.

"A Letónia tem uma cultura de trabalho muito forte"
A cumprir a terceira temporada e com mais dois anos de contrato, Gonçalo Alves mostra-se rendido à cultura de trabalho que encontrou na Letónia, que tem reflexos claros na forma como a seleção feminina se apresenta em campo.
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“O país tem uma cultura de trabalho muito forte e isso sente-se no futebol. Valoriza-se muito quem trabalha. Em termos psicológicos, são jogadoras que não desistem. Nos últimos jogos, mesmo em desvantagem, conseguiram marcar e incomodar. São extremamente focadas na tarefa", elogia.
Esse espírito reflete-se também no respeito que existe pela seleção portuguesa: “Elas sabem que será um jogo muito complicado. Estar muito tempo sem bola também desgasta e, nesse aspeto, são muito resilientes. Se Portugal conseguir quebrar essa resistência cedo, melhor.”
"Aqui gostam muito de Portugal, especialmente por causa do Cristiano Ronaldo, e veem-nos como uma referência. Há respeito pelo nosso trabalho, dão-nos espaço para partilhar ideias. Nos últimos anos passaram por aqui vários treinadores portugueses e há abertura para absorver conhecimento diferente", assegura.
O treinador português faz ainda o retrato do ambiente que a turma de Francisco Neto vai encontrar no Gaugavas stadions, em Riga: “O futebol está a crescer, sobretudo entre os mais jovens. O ambiente será jovem, com muitos adeptos mais novos. Haverá cânticos e um bom ambiente, mas sendo um dia de semana, à noite e com frio, acredito que o estádio estará bem composto, mas não cheio.”

Os nomes a ter debaixo de olho
Com presença garantida no estádio, até pela oportunidade de rever algumas jogadoras e matar saudades de Portugal, Gonçalo Alves não tem dúvidas de que os três pontos vão seguir com a seleção portuguesa.
“Espero um jogo competitivo. Acredito que Portugal vai ganhar e ganhar bem, mas tudo dependerá da eficácia. Quando a bola não entra, gera-se ansiedade. Por isso, será importante uma entrada forte, dominante, mas com paciência", apontou.
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Do lado da Letónia, há também nomes a ter em conta, capazes de criar perigo em momentos específicos do jogo: “A principal referência é a avançada Karlina Miksone, que joga na Polónia. Depois há a Sanija Vuskane, que pode jogar mais aberta. Destaco ainda a Signija Senberga, uma extrema muito habilidosa, e as extremas Diana Suvitra e Anastasija Poluhovica, que são muito rápidas e fortes fisicamente. Nos duelos, vão sempre com tudo.”
