“No futebol feminino tem sido muito difícil mudar a mentalidade das pessoas. Primeiro, na aceitação que uma mulher pode e deve fazer o que mais gosta, que é jogar. Temos vindo a construir essa aceitação da mulher futebolista para o exterior”, disse o selecionador, no âmbito da celebração do 10.º aniversário do jornal ECO, realizada no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Francisco Neto salientou a importância de “criar referências” dizendo que, se antes “uma menina que queria jogar futebol dizia querer ser o Figo ou o Vítor Baía”, hoje "já há a Kika Nazareth ou a Jéssica Silva como referências".
O treinador destacou o crescimento da modalidade no feminino, visível no aumento de adeptos, praticantes e também pela “forma competitiva” das equipas portuguesas nas competições internacionais.
“Tem crescido muito nos últimos 10 anos, gostaríamos que fosse a uma grande velocidade, mas sabemos que nem sempre pode ser assim. Quando não conseguimos correr, temos de caminhar, e quando não conseguimos caminhar, temos de gatinhar. É o que temos vindo a fazer, não podemos é parar”, disse.
Francisco Neto realçou que Portugal é uma “equipa em crescimento” que quer ganhar os jogos todos, mas tem de “saber ganhar os jogos certos”, pois “são esses” que conduzem a fases finais, não desvalorizando o “estigma” da comparação com a seleção nacional masculina, e dizendo que também o feminino “quer lutar por títulos”.
O técnico nacional, de 44 anos, ao leme das ‘navegadoras’ desde 2014, assumiu que o julgamento pelos resultados torna “difícil às jogadoras acreditarem no processo”, dizendo que o método de gestão passa por focar em “mais do que os resultados”, em “métricas internas e gestão de expectativas”.
O timoneiro nacional salientou, ainda, a importância da coerência e da capacidade de reinvenção, bem como a “cultura de exigência e trabalho” que exige que o “talento seja posto ao serviço da equipa, e não o contrário”, de forma a alcançar o sucesso.
Já à margem do evento, em declarações aos jornalistas, o selecionador nacional referiu que a janela internacional que se avizinha “acarreta uma organização diferente”, mas a “ambição de sempre”, apontando à conquista dos seis pontos na Liga B da Liga das Nações feminina, ante a Letónia e a Finlândia, e consequente primeiro lugar do grupo e subida à Liga A, ficando “à espera” do play-off para “concretizar o desejo” de estar no Mundial-2027, no Brasil.
A seleção nacional feminina defronta a Letónia, em 05 de junho, às 20:00, no Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril, e, depois, a Finlândia, no Tammelan Stadion, em Tampere, no sudoeste finlandês, em 09 de junho, às 18:00 (hora de Portugal continental).
O modelo de qualificação para o Campeonato do Mundo de 2027, no Brasil, indica que os vencedores dos grupos da Liga B subam diretamente para a Liga A da Liga das Nações e disputam o play-off mundial como cabeças de série. As segunda e terceira classificadas também seguem para o play-off, mas sem serem cabeças de série. Já a quarta e última do grupo desce para a Liga C.
À partida para a quinta jornada, Portugal lidera o Grupo 3 com 12 pontos, mais três do que a Finlândia. A Eslováquia é terceira com três pontos, já a Letónia soma por perdidos todos os jogos disputados.
