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Este sábado, a França defronta a Inglaterra pelo terceiro lugar do Mundial -2026, 48 horas após a derrota nas meias-finais frente à Espanha. Um cenário com sabor a déjà-vu: a 28 de junho de 1986, no Estádio Cuauhtémoc, em Puebla, os Bleus já disputavam uma pequena final, contra a Bélgica, três dias depois de terem sido eliminados pela RFA (0-2) nas meias-finais. Recordamos um jogo com seis golos, durante muito tempo esquecido, mas cheio de reviravoltas.
Henri Michel, selecionador francês, optou então por rodar grande parte dos titulares para este jogo sem verdadeiro interesse desportivo: oito alterações no onze, com destaque para Albert Rust na baliza e Bernard Genghini a juntar-se a Jean Tigana e Philippe Vercruysse no meio-campo. Do outro lado, Guy Thys mexeu apenas numa posição, trocando Franky Vercauteren por Raymond Mommens. Era compreensível: a Belgica, semifinalista surpresa após o percurso frente à URSS e à Espanha, apresentava a sua equipa principal, motivada pela possibilidade de conquistar o primeiro terceiro lugar da sua história em Mundiais.
Seis golos e um jogo cheio de reviravoltas
Perante cerca de 21.000 adeptos e sob arbitragem do inglês George Courtney, o jogo começou sem grande ritmo, com os suplentes franceses a terem dificuldades em encontrar entrosamento. O primeiro aviso surgiu logo no início: numa jogada confusa na pequena área, Papin empurrou a bola para o fundo das redes, mas o árbitro anulou o golo por mão de Michel Bibard. Foram os Diabos Vermelhos a inaugurar o marcador, pelo seu capitão Jan Ceulemans, que fez uma corrida vitoriosa nas costas de Yvon Le Roux e bateu Albert Rust (11').

A França respondeu de forma cada vez mais organizada. Num cruzamento de Bruno Bellone aproveitado por Philippe Vercruysse, a bola sobrou para Jean-Marc Ferreri, que empatou com frieza (27'). Do lado belga, grande ocasião desperdiçada por Danny Veyt, que, isolado após ter batido o fora de jogo, precipitou-se e rematou por cima em vez de driblar o guarda-redes. A França aproveitou o bom momento para passar para a frente mesmo antes do intervalo: numa nova investida pela direita, Papin apareceu ligeiramente descaído e bateu Jean-Marie Pfaff por baixo da barra (43'). Resultado ao intervalo: 2-1 para os Bleus.
Na segunda parte, o jogo manteve-se equilibrado. Yvon Le Roux, lesionado, deu lugar a Maxime Bossis, que cumpriu a sua última internacionalização com a camisola azul. A Bélgica criou uma grande oportunidade por Stéphane Demol, que rematou instintivamente para a malha lateral após cruzamento de Nico Claesen, falhando o empate por muito pouco. Os Diabos Vermelhos acabaram por restabelecer a igualdade: num lançamento lateral longo desviado de cabeça por Ceulemans, Claesen dominou e bateu Rust com um remate cruzado, fazendo o 2-2 (73'). O resto do tempo regulamentar foi de parada e resposta, sem mais golos.
O jogo seguiu para prolongamento. A Bélgica entrou melhor neste período extra, com destaque para uma defesa de Rust a remate de Ceulemans e uma possível falta não assinalada sobre Vercruysse na área belga. Mas foram os Bleus a fazer a diferença: num canto curto pela direita, Ferreri cruzou com subtileza para Michel Bibard, cujo passe encontrou Bernard Genghini à boca da baliza. O antigo jogador do Mónaco não deu hipótese a Pfaff e devolveu a vantagem à França (104'). Poucos minutos depois, Éric Gerets, ultrapassado por Manuel Amoros pela direita, derrubou-o na área. O lateral francês converteu ele próprio o penálti com um remate cruzado, fixando o resultado em 4-2 (111'). Até ao final, ainda houve oportunidades para ambos os lados: uma defesa instintiva de Rust perante Claesen, um remate de Papin por cima após defesa incompleta de Pfaff, mas o marcador não voltou a mexer.
O que ficou para Papin
Anos mais tarde, Papin, autor de um dos golos nesse dia, recordou várias vezes esse jogo. Frente a uma Bélgica que conhecia bem, pois tinha jogado no Brugge, lembrou-se de uma seleção francesa renovada: "Ganhámos 4-2 e ficámos em terceiros. Todos os que não tinham jogado ou tinham jogado pouco, sobretudo os mais jovens, participaram neste jogo. Contra uma Bélgica que apresentou a sua melhor equipa, queríamos mesmo vencer porque achávamos que a equipa de França merecia ser campeã do mundo. Pensávamos que, no pior dos casos, seria bom terminar em terceiros, e foi o que conseguimos".

Um balanço pessoal, no entanto, com sentimentos mistos: o avançado reconhece que, mesmo com a medalha de bronze, esse Mundial permanece para si uma recordação agridoce, por não ter terminado como melhor marcador do torneio. "O meu pesadelo é que devia ter sido o melhor marcador da competição só com o jogo contra o Canadá. Fui de uma ineficácia sem igual. Só se fala do meu golo, mas tive cinco oportunidades e, se tivesse concretizado todas, seria o melhor marcador do Mundial", lamenta ainda, garantindo que esse 3.º lugar já nem é tema de conversa quando encontra outros antigos colegas da sua geração.
Um bronze que iguala o recorde de 1958
No final de um jogo considerado muito equilibrado, a França conquistou o seu segundo terceiro lugar da história, depois do de 1958, enquanto a Bélgica terminou em quarta num Mundial onde não era favorita. Stéphane Demol, jovem defesa-central revelação do torneio, foi eleito o homem do jogo do lado belga.
Este triunfo insere-se numa história particular dos Bleus com as pequenas finais: a França disputou três no total, com duas vitórias. Um primeiro bronze em 1958 frente à Alemanha Ocidental (6-3), uma derrota frustrante contra a Polónia em 1982 (3-2, apenas dois dias depois da epopeia de Sevilha) e este triunfo de 1986 frente à Bélgica. Razões para algum otimismo antes do jogo de sábado frente à Inglaterra, onde os Bleus tentarão alcançar a terceira vitória em quatro partidas do género.
Nesse ano, foi a Argentina a levantar o troféu
Esta edição de 1986 ficará sobretudo na história pelo triunfo da Argentina de Diego Maradona, que venceu a final frente à Alemanha Ocidental na Cidade do México. No caminho para o título, a Selección eliminou a Inglaterra logo nos quartos de final (2-1), a 22 de junho de 1986, no Estádio Azteca, num jogo que ficou como um dos mais célebres da história da competição. Maradona marcou primeiro um golo polémico com a mão, eternizado como a "mão de Deus", antes de, minutos depois, assinar aquele que é considerado o golo mais bonito da história do Mundial: um slalom solitário de mais de 60 metros, com a bola colada ao pé, atravessando metade do campo inglês. Esse bis de Maradona levou a Argentina até ao título.
40 anos depois, a história repetiu-se em parte, mas uma ronda antes. Na quarta-feira, em Atlanta, a Argentina voltou a superar a Inglaterra, desta vez nas meias-finais (2-1), num jogo igualmente emocionante: depois de sofrer o golo inaugural de Anthony Gordon, a Selección acabou por dar a volta graças aos golos de Enzo Fernández e de Lautaro Martínez nos instantes finais. A Albiceleste, impulsionada por um Lionel Messi com duas assistências, reencontra assim a Espanha na final deste domingo, com a ambição de revalidar o título. Uma qualificação que faz da Argentina a sexta nação campeã em título a chegar novamente à final na edição seguinte, depois da Itália (1934-1938), do Brasil (1958-1962), da própria Argentina (1986-1990), do Brasil (1994-1998) e da França (2018-2022).
Assim, são agora os ingleses que assumem o papel que coube à Bélgica em 1986: o de adversário dos Bleus na luta pela medalha de bronze, este sábado. Um curioso alinhamento do calendário, 40 anos quase dia por dia após essa outra pequena final disputada em Puebla.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 decorreu de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio contou com 48 seleções nacionais e foi disputado em 16 estádios.
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