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Não é propriamente a final que Bleus e Três Leões desejavam alcançar, mas este embate pelo terceiro lugar do Mundial-2026 junta dois gigantes com o orgulho ferido. Sábado à noite, em Miami Gardens, França e Inglaterra vão acertar contas numa competição que parecia ao alcance de ambas as formações, que seguramente estarão convencidas de que deixaram escapar muito mais do que apenas um lugar no encontro decisivo. Entre a despedida de Didier Deschamps e a ambição de Kylian Mbappé na disputa do troféu de goleador mais produtivo da prova, este bronze vale mais do que possa parecer.
Os gauleses viveram um paradoxo cruel: raramente uma equipa eliminada pareceu tão dominante ao longo de seis jogos no campeonato do mundo. A turma vice-campeã marcou 16 golos, sofreu somente um susto frente ao Paraguai, mas aquela sensação de invencibilidade desfez-se nos noventa minutos do embate com a Espanha. La Roja não só venceu os Bleus, como fê-lo de forma convincente - ao ponto de levar Deschamps à beira de um ataque de nervos para uma polémica relativa à arbitragem que o ilustre Pierluigi Collina descartou com um simples gesto.
O (ainda) selecionador francês irá cumprir o seu 185.º e último jogo no banco da equipa vencedora da prova em 2018, tendo a missão de deixar ao seu sucessor uma formação medalhada, em vez de um conjunto destroçado. E se a desilusão de uma eliminação nas meias-finais é hoje vivida como um drama nacional, talvez nessa mesma circunstância resida a sua maior vitória: o facto de ter colocado a fasquia tão alta, nos catorze anos ao comando da seleção gaulesa, que o afastamento nas meias-finais de um Mundial já soa a fracasso.
O tormento inglês é de outra natureza: refiro-me à ideia de que os Três Leões desperdiçaram uma oportunidade de ouro pelo medo de vencer. Em vantagem no marcador durante mais de meia hora frente à Argentina, os homens de Thomas Tuchel foram recuando até desabarem em apenas seis minutos. Sessenta anos após o título de 1966, a espera prolongar-se-á, e os fantasmas de 1990 e 2018, edições nas quais perdeu o jogo do 3.º e 4.º lugares, voltam a assombrar uma seleção que nunca conseguiu transformar a derrota na meia-final de um mundial numa medalha de bronze. Harry Kane e Jude Bellingham, ambos com seis golos, vão querer evitar sair da prova com uma segunda desilusão em somente quatro dias.
Prognósticos para o França - Inglaterra | sábado, 22:00
Vitória da França a 1.93 na Betano
Kylian Mbappé a Marcar a Qualquer Altura a 1.85 na Betano
Mais de 2.5 Golos a 1.40 na Betano
Odds fornecidas pela Betano, e válidas aquando da publicação do presente artigo, embora sujeitas a alterações.
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Gauleses no terceiro lugar
As estatísticas dos confrontos diretos disponíveis no site e app Flashscore mostram uma supremacia francesa que já dura há um quarto de século. Verifica-se apenas um triunfo inglês nos últimos nove confrontos (ao qual se juntam dois empates e 6 derrotas), alcançado num amigável em novembro de 2015, e nenhuma vitória em jogos oficiais frente aos Bleus desde o Mundial de 1982 (3-1).
O exercício do jogo pelo terceiro lugar do Mundial também não tende a correr bem aos Três Leões, que saíram derrotados nas suas duas únicas presenças nesta partida: frente à Itália em 1990 (2-1) e pela Bélgica em 2018 (2-0), um registo apenas menos negativo do que o do Uruguai. Por sua vez, a França prepara-se para disputar o quarto jogo da sua história neste penúltimo duelo do mundial, recorde este superado somente pela Alemanha; os gauleses até já venceram em duas ocasiões: a primeira diante da Alemanha Ocidental em 1958 (6-3), e mais tarde, em 1986, ante a Bélgica (4-2).
Além dos dados estatísticos, os estados de espírito são bem diferentes. As eliminações de franceses e ingleses parecem semelhantes à primeira vista, mas o sabor é muito distinto: frente à Espanha, os Bleus perceberam rapidamente a dimensão da tarefa e assistiram à edificação da derrota em tempo real, enquanto a Inglaterra tocou a final com a ponta dos dedos antes de a ver escapar em meia dúzia de minutos, um suplício bem mais difícil de ultrapassar em três dias.
A isto acresce a relação com o próprio palmarés: se a França queria obviamente este título, há que dizer que não carrega a mesma pressão aos ombros, tendo sido campeã mundial há oito anos e vencido a Liga das Nações em 2021. A Inglaterra, essa, persegue há sessenta anos um troféu que se tornou uma autêntica miragem, tornando a desilusão ainda mais amarga.
Sendo certo que estes plantéis são equivalentes em talento, o fator motivacional pende claramente para o lado francês: os Bleus vão jogar para proporcionar uma despedida digna a Didier Deschamps, e Kylian Mbappé, ainda na luta pela Bota de Ouro, não vai faltar à chamada. Um último dado reforça a minha convicção num triunfo gaulês: nunca um jogo pelo terceiro lugar na história do Mundial foi decidido nos penáltis, e apenas um foi a prolongamento, precisamente esse França - Bélgica de 1986 a que fiz referência anteriormente.
Prognóstico: Vitória da França a 1.93 na Betano
Explicação da aposta: A seleção francesa terá de bater a Inglaterra no tempo regulamentar.
Mbappé luta até ao fim
Antes do mais, reparo numa frustração a dissipar. Silenciado frente à Espanha - tal como todo o setor ofensivo francês -, Kylian Mbappé tem apenas noventa minutos para devolver ao seu Mundial o brilho que merece. Os seus oito golos colocam-no em igualdade com Lionel Messi no topo da corrida pela Bota de Ouro, sendo que o craque argentino goza da vantagem de jogar depois do gaulês, no próximo domingo, em plena final: assim sendo, cabe a Mbappé marcar primeiro para lhe colocar pressão.
Por trás da recompensa imediata esconde-se uma rivalidade de longa data: 20 golos em 21 jogos e três participações para o francês, e 21 golos em seis edições para o argentino, que atualmente detém o recorde da história da competição. Quer Mbappé o ultrapasse já no sábado ou espere até à edição de 2030, o desfecho parece inevitável, e o trono poderá depois permanecer francês durante uma geração.
A história oferece-lhe ainda outro desafio, mais impressionante. Desde os dez golos de Gerd Müller em 1970, ninguém ultrapassou a marca dos oito golos numa só edição. Um bis frente à Inglaterra colocaria Mbappé no restrito grupo de marcadores com dois dígitos num único Mundial, associação esta que conta com apenas três membros: o húngaro Sándor Kocsis (11 golos em 1954), Just Fontaine (13 em 1958) e o próprio Müller. O contexto é favorável: sendo o único titular ofensivo anunciado num onze profundamente renovado, o capitão concentrará a maior parte do perigo francês, perante uns ingleses que não poderão repetir o bloco baixo que os sufocou em Atlanta.
A França só por duas vezes na sua história passou dois jogos seguidos sem marcar num mesmo Mundial: tal sucedeu em 1930 e em 2002. As tendências são bastantes, e todas apontam na mesma direção.
Prognóstico: Kylian Mbappé a Marcar a Qualquer Altura a 1.85 na Betano
Explicação da aposta: Mbappé tem de apontar o seu 9.º golo neste Mundial, após o qual recebe o lucro previsto pelas odds, mesmo antes do apito final.
Licença para faturar
Se há jogo feito à medida dos avançados num Mundial, é este: livre da pressão e da tensão típicas de uma final, o encontro pelo terceiro lugar costuma ser aberto, e os números sublinham-no: de entre as doze últimas edições, de 1978 a 2022, onze ultrapassaram a marca dos três golos no tempo regulamentar. Só o Bélgica - Inglaterra de 2018 (2-0) foge à regra, e a tendência mantém-se nos últimos anos, com três tentos em 2022, outros três em 2014, cinco em 2010, quatro em 2006 e uma mão cheia em 2002.
O contexto de sábado aponta no mesmo sentido. Tanto Didier Deschamps, na sua despedida do banco dos Bleus, como Thomas Tuchel, selecionador inglês altamente pressionado, deverão promover várias alterações, o que significa menos rotinas defensivas em ambas as formações. Como se não bastasse, os setores defensivos vão defrontar dois dos ataques mais produtivos do torneio, liderados por um Kylian Mbappé ainda na luta pela Bota de Ouro e pela dupla Harry Kane - Jude Bellingham, atletas estes que foram responsáveis por doze dos catorze golos ingleses na competição.
Franceses e ingleses vão querer virar a página da desilusão nas meias-finais com uma nota positiva, em vez de travar um jogo sem futuro: tudo aponta para um encontro aberto, mesmo que o desgaste físico decorrente de um mês de competição possa bloquear este tipo de espetáculo, como de resto aconteceu em 2018.
Prognóstico: Mais de 2.5 Golos a 1.40 na Betano
Explicação da aposta: Após os 90 minutos regulamentares, o marcador do França - Inglaterra terá de apresentar pelo menos três golos no total combinado.
França - Inglaterra: Odds do resultado final
As odds indicadas, ainda que corretas no momento da publicação deste artigo, estão sujeitas a atualizações.
França - Inglaterra: Odds para o 3.º lugar
França no Terceiro Lugar a 1.47 na Betano
Inglaterra no Terceiro Lugar a 2.50 na Betano
Odds válidas à data de publicação e sujeitas a alterações.
A Betano é uma casa de apostas legal em Portugal, estatuto este que decorre da Licença n.º 018, válida desde abril de 2019, e atribuída pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ).
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