O objetivo assumido pela FIFA é melhorar as decisões de arbitragem e reduzir a desigualdade tecnológica entre as seleções nacionais.
"Asseguramos que a inovação beneficie cada jogador, cada equipa e cada adepto, em todo o mundo", afirmou na segunda-feira Gianni Infantino, presidente da FIFA, durante a apresentação destas novas ferramentas digitais estreadas no torneio coorganizado pelo México, Canadá e Estados Unidos (11 de junho a 19 de julho).
A arbitragem do futuro
A revolução tecnológica mais visível do Mundial será ao nível da arbitragem, explicou na terça-feira um painel da FIFA aos jornalistas. A versão mais recente do fora de jogo semi-automatizado será lançada para permitir aos árbitros assistentes receber alertas em tempo real, sempre que for detetada uma posição de fora de jogo clara.
A tecnologia irá combinar a recolha de informações provenientes de 15 câmaras instaladas em cada um dos 16 estádios, juntamente com os dados gerados pela Trionda, a "bola inteligente" da Adidas, equipada com um sensor que regista posições, rotações e impactos 500 vezes por segundo.
Estes dados permitem, por exemplo, identificar com precisão o momento exato em que um jogador toca na bola para fazer o passe ao colega que pode marcar um golo, instante-chave para decidir uma posição de fora de jogo que até agora era analisada através de sequências vídeo, imagem a imagem.
Estes dados poderão também confirmar ou não se a bola ultrapassou os limites do relvado ou a linha de golo.
Johannes Holzmüller, diretor de inovação da FIFA, explicou na terça-feira que a margem para emitir alertas diminuiu consideravelmente nos últimos três anos: "Começámos com 50 centímetros e agora estamos nos 10 centímetros. Tudo o que ultrapassar 10 centímetros é assinalado ao árbitro como fora de jogo".
Jogos em 3D
A outra grande novidade será a digitalização dos 1.248 jogadores "ao milímetro" para reconstruir digitalmente jogos completos, explicou Arthur Hu, vice-presidente sénior da Lenovo, parceiro tecnológico oficial da FIFA.
Os modelos tridimensionais servirão para recriar as ações polémicas, com o realismo de um videojogo de última geração, mas "a decisão final caberá sempre ao árbitro", precisou Johannes Holzmüller.
Assistente técnico para todos
Todos estes dados vão também alimentar o Football AI Pro, um dos projetos mais ambiciosos da FIFA e da Lenovo. Baseada em inteligência artificial generativa, esta plataforma será um verdadeiro assistente técnico para todas as seleções participantes.
"A inteligência artificial já desempenha um papel fundamental na análise e preparação dos jogos. Disponibilizar esta tecnologia a todas as equipas é o mínimo que podemos fazer", explicou o diretor de inovação da FIFA.
Johannes Holzmüller sublinhou a vontade da FIFA de reduzir a desigualdade digital no futebol internacional, já que as federações mais pequenas não dispõem de departamentos especializados nem de ferramentas de análise sofisticadas.
A plataforma assenta no Football Language Model, um modelo dedicado que analisa centenas de milhões de dados para produzir textos, vídeos, gráficos e visualizações 3D.
Disponível em várias línguas, poderá ser utilizada para análises antes e depois dos jogos, mas não durante as partidas.
Câmara do árbitro
A tecnologia estará também ao serviço dos telespectadores. O Mundial-2026 irá apresentar a transmissão da "câmara do árbitro" fixada no peito dos juizes de jogo. A FIFA e a Lenovo vão estrear um sistema de estabilização que reduz em 70% o excesso de vibrações das imagens. A câmara do árbitro será igualmente utilizada nas reconstruções digitais dos jogos.
