A situação de James Rodríguez começa a transformar-se numa verdadeira corrida contra o tempo. O médio de 35 anos continua sem equipa desde antes da disputa do Mundial e, quando faltam apenas 15 dias para o fecho do mercado de transferências, ainda não existe clareza sobre qual será o próximo passo da sua carreira. Uma incerteza especialmente preocupante tendo em conta que o jogador precisa de recuperar o mais rapidamente possível o ritmo de treino e de competição.
O principal problema já não passa apenas por encontrar um clube. James está há semanas afastado de uma dinâmica normal de trabalho coletivo, algo especialmente delicado para um futebolista de 35 anos que necessita de continuidade para atingir a sua melhor condição física. Por muito que possa manter-se a trabalhar individualmente, os treinos específicos dificilmente conseguem substituir as cargas, os exercícios táticos e a intensidade que o dia a dia de um plantel profissional proporciona.
Além disso, o calendário joga claramente contra si. As principais competições europeias já começaram e grande parte dos clubes têm os seus plantéis praticamente fechados. Nesta fase do verão, as oportunidades costumam surgir devido a lesões, vendas inesperadas ou necessidades de última hora, um cenário que reduz consideravelmente as opções de um jogador que também precisa de encontrar um projeto disposto a oferecer-lhe protagonismo.
A incerteza torna-se ainda mais evidente pelo peso que James continua a ter na Colômbia. Nos últimos anos, o '10' tem sido um dos futebolistas de maior estatuto do conjunto nacional, mas a sua falta de continuidade ao nível dos clubes volta a abrir um debate já conhecido. Manter o seu estatuto de peça importante sem competir regularmente representa um desafio tanto para o próprio jogador como para a equipa técnica da seleção.
Não é a primeira vez que James atravessa uma fase de instabilidade. Desde a sua saída do Real Madrid, a sua carreira tem sido marcada por inúmeras mudanças de destino e projetos de curta duração. Everton, Al-Rayyan, Olympiacos, São Paulo, Rayo Vallecano e León fizeram parte de um percurso muito diferente dos seus melhores anos na Europa, quando chegou a ser um dos médios ofensivos mais valorizados do futebol mundial.
O talento, naturalmente, continua a ser o seu principal cartão de visita. James mantém uma extraordinária capacidade para encontrar o último passe, executar bolas paradas e controlar o ritmo do jogo quando tem liberdade. O problema está em encontrar uma equipa disposta a construir um contexto adequado para essas qualidades e, ao mesmo tempo, assumir as dúvidas relacionadas com a sua idade, condição física e falta de continuidade competitiva.

Os próximos dias serão decisivos. Com apenas duas semanas pela frente, o seu entorno terá de acelerar as negociações e ponderar alternativas que possivelmente não estavam previstas no início do mercado. Europa, América, México ou até algum campeonato economicamente forte fora dos grandes palcos surgem como possíveis vias para evitar que o colombiano prolongue ainda mais o seu período de inatividade.
James Rodríguez está, assim, perante uma das decisões mais importantes da reta final da sua carreira. Já não se trata apenas de encontrar um contrato atrativo, mas sim de integrar-se o mais rapidamente possível numa equipa onde possa treinar, competir e recuperar sensações. O mercado fecha em 15 dias e o tempo começa a tornar-se o seu principal adversário.
