Jorge Jesus apresenta-se como selecionador e garante: "Ronaldo nunca vai ser um problema"

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Jorge Jesus, selecionador de Portugal
Jorge Jesus, selecionador de PortugalFPF

Minutos depois de ser apresentado oficialmente como novo selecionador nacional de Portugal, Jorge Jesus falou pela primeira vez nessa condição, em conferência de imprensa. Leia as declarações abaixo.

Primeiras palavras: "Quero agradecer a oportunidade de treinar uma das melhores seleções do mundo ao Presidente e a todos os presentes aqui. A minha apresentação é formal, é óbvio. O que querem é fazer-me perguntas, mas o slogan aqui atrás diz tudo 'nós viemos para ganhar'. Com estas condições de trabalho e qualidade de trabalho, nós temos uma seleção para acreditar e valorizar o espetáculo, os jogadores e a nossa seleção. Tenho um grande orgulho por ter esta oportunidade por trabalhar numa das melhores seleções do mundo, principalmente por ser o meu país.

Tenho um grande orgulho de ser português e esta oportunidade vem justificar a minha ideia de ser português. Sou um treinador de 11 milhões, do povo português, que está ansioso de querer ganhar. Os portugueses encheram-nos de vaidade como portugueses, mas não senti isso desportivamente, senão não estava aqui. Viemos para vencer, mas isso não passa só pelo treinador, jogadores e por dentro de campo. Treino além do campo e entro numa casa que não conheço, mas que vou conhecer. Tive sorte porque vou trabalhar com um homem que trabalhou seis anos comigo no Benfica, que eu conheço e ele também me conhece. Não vamos facilitar e os dados vão ser lançados para que a seleção comece já, no dia 24 de setembro, frente ao País de Gales, a ganhar".

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Desafio de trabalhar numa seleção: "Há muita tendência de dizer que um selecionador é diferente de um treinador de equipa, mas não é verdade. A única verdade é que não tem tantos dias de trabalho, mas o método de cada um não é uma ciência exata, senão éramos todos iguais. Preparei-me para este dia, preparei-me para ser selecionador da nossa seleção. Para mim não vai ser diferente trabalhar numa seleção ou num clube".

"Ronaldo nunca vai ser um problema para a seleção"

Palavras de Proença: "Onde chego é para vencer e esta casa é igual. Gosto de assumir esta responsabilidade. Tenho matéria prima para desenvolver, estou habituado a esta pressão. Estamos preparados para começar a trabalhar o nosso caminho. 71 anos? No número está lá, mas no que eu sou está lá 50. Tenho saúde, posso treinar uma ou duas horas e estou preparado para um desafio difícil. Estou convencido que vamos vencer".

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Cristiano Ronaldo: "Ainda não falei com o Cristiano. Ele nunca vai ser um problema para a seleção, nem para mim. O que ele é como jogador e a polémica que houve à volta dele, cada um pensa como quiser. Quando tiver de tomar alguma decisão, vou falar com ele, mas não só com ele, mas com todos individualmente. Ele é um símbolo do futebol português, da seleção, de Portugal. Isso vai ficar sempre na história. Tive um grande prazer de trabalhar com ele. É facílimo trabalhar com ele, desde que perceba onde pode chegar. É uma relação treinador-jogador. As coisas serão fáceis, mas o que ele quer fazer depende sempre dele. Sei que quer continuar a jogar no Al Nassr. A partir do momento que está a jogar e tenha condições para ser selecionável, eu fá-lo-ei, dentro do limite e das condições que eu achar que são as melhores para a seleção.

No ano passado, o Al Nassr fez 50 jogos e ele fez 31. No campeonato, substitui-o 16 vezes. Nunca confundimos aquilo que ele é como jogador e eu treinador".

Jogador que não gostava de perder: "Não vou perder nenhum, só se se lesionar. Tenho vantagem porque destes 26 jogadores que estavam na seleção, 12 já trabalharam comigo. Conheço-os bem, são todos grandes jogadores e há tanta qualidade que, se fizessemos uma equipa da seleção, todos faziam uma seleção diferente. Acredito em todos, têm todos qualidade. Vão aparecendo novos jogadores, Portugal tem escalões de formação com muita qualidade, conheço muitos deles. Aqui ainda vou estar mais inserido na evolução do futebol jovem, mas o importante neste momento é o presente. Tem de haver sangue novo? Neste momento, não. Daqui a poucos dias temos jogo. Desta seleção, 6 jogadores têm acima de 30 anos e dois são guarda-redes. Não é uma equipa velha, tem uma média de idades de 28 anos, esse é o melhor período de um jogador. Não é por aí que a seleção vai ter problemas".

"Não tenho problemas com o Bernardo"

Estatutos dentro do grupo: "Há egos em todas as equipas e seleções. É muito mais difícil trabalhar com jogadores que julgam que são grandes jogadores do que com grandes jogadores. Na seleção, são todos grandes jogadores, jogam nas melhores equipas da Europa, conquistam títulos nas equipas, mas o mais importante é conquistar títulos na seleção. Todos, e eu também, vamos ter de pagar o preço".

Capitães de equipa: "Os capitães são cinco: o Cristiano, o Bernardo, o Bruno Fernandes, o Ruben Dias e o Diogo Costa. Não sei qual foi a ordem, não tenho muito hábito de que os anos de seleção ou de jogador deem direito a um jogador de ser capitão. Um capitão é muito mais além disso. São o expoente máximo do pensamento do treinador".

Problemas com Bernardo Silva: "Em 2013, o Bernardo era um menino, estava a dar os passos dele, com muita ambição. Notava-se que confiava muito nele, que queria ser jogador. Foi mais o que se falou do que o aconteceu no treino. Eu quis pô-lo a lateral esquerdo num jogo? Não é bem assim. Na pré-época, o Djuricic lesionou-se, fiz uma alteração e pus lá o Bernardo nos últimos minutos. Estava no princípio da carreira. Agora é um jogador formado e o Pep (Guardiola) já o meteu lá. Não tenho problemas. Já falei com ele, já estivemos juntos algumas vezes".

Calendário de Portugal
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Papel de um selecionador: "Temos de escolher primeiro, como é óbvio. É como o treinador. Depois é que escolhemos os jogadores. Dizem que eu gosto é do treino, do campo e agora não há tempo para isso? Na minha carreira como treinador, principalmente nos últimos 10 anos, estive em equipas que jogava de 3 em 3 dias. Isso vai acontecer na seleção. Aqui há treino. Julgam que os jogadores vêm dos clubes e vão dormir? Não vão. Há muitas formas de treinar. Também há treino sem ser de campo. Tudo isso vai ligar com o que tem sido os meus últimos anos de treinador. O importante depois é organizar uma equipa médica, que hoje a grande evolução do futebol é a recuperação dos jogadores. Os mais habilitados têm mais vantagem".

Prestígio de ser selecionador: "É como nos clubes: uns ganham, outros perdem. Não há selecionadores ou treinadores que ganham sempre. Já perdi algumas vezes. Faz parte do crescimento. O que pode atrapalhar é convocar 24 jogadores e escolher 11 com a qualidade que a seleção tem. Isso vai atrapalhar, mas isso é que é bom".

Quenda e Mora: "São dois jovens, como há mais no futebol português. Portugal tem uma qualidade muito grande na formação. Eu digo que Portugal é o Brasil da Europa. Há essa facilidade. Faltam 4 anos para o Mundial, os jogadores é que vão dizer ao selecionador como temos de agir com a qualidade deles. A idade não é problema para mim, o que interessa é o valor. Se for um jovem com 17 ou 18 anos, com qualidade para estar integrado na seleção principal, irá entrar. Há aqui jogadores que eu lancei, que comecei a pôr a jogar. Por exemplo, o Rafael Leão e o Gonçalo Guedes. O João Cancelo e o Bernardo! Fui eu que o pus a jogar. Contra quem? Contra o Cinfães? Está bem, mas fui eu que o meti a jogar. Não olho pela idade. Não olho para o Cristiano pela idade. Tem influência no futebol, mas trabalhou um ano comigo e não tem uma lesão. Fazia 8 quilómetros por jogo comigo, com velocidade acima dos 25 km/h. Quando achava que tinha de jogar, jogava. Às vezes nem o levava para o banco".

"Para mim o 1.º lugar do grupo era importantíssimo"

Prestação de Portugal no Mundial-2026: "O jogo é que dita (se Ronaldo devia ter jogado 90 minutos). Não posso ter a certeza absoluta. Se o atleta não está a render, seja que jogador for, se tiver de ser substituído, é. Para mim, o nome não conta. Já treinei os dois melhores jogadores do mundo, falta-me o terceiro, que é o Messi e já não vou treinar. Treinei o Neymar e o Ronaldo. Uma vez disse assim ao Neymar 'tu, finish'. O que achar melhor para a equipa, será feito".

Pepe na estrutura: "A minha equipa técnica vai ser minha e depois da seleção, como é óbvio. Nunca falei com o Pepe. Se o Pepe é um nome que me poderia agradar? É! Porquê? Não é novo na seleção. Quando cheguei ao Benfica, fui buscar o Luisão para a minha equipa técnica. Quando cheguei à Arábia Saudita, fui buscar um antigo jogador desses clubes para fazer parte da equipa técnica. O Pepe reúne todas as condições pelo passado na seleção, mas o último a decidir é ele. A seleção tem antigos jogadores que faziam parte da equipa técnica do antigo selecionador. Não é problema de maior".

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O que faria diferente no Mundial: "Não que queira fugir a alguma situação, mas não me compete. Não é elegante da minha parte dizer o que podia ter feito. Se calhar, para mim o 1.º lugar do grupo era importantíssimo. Depois já sabia qual o fecho da calendarização e não é a mesma coisa jogar com a Espanha ou com a Suíça". 

Treinos: "Se treinar mais tempo com jogadores, o processo começa a ficar identificado. As ideias que nós temos é que, no tempo que houver, temos de trabalhar a equipa. A 24 de setembro, os jogadores jogam três dias depois. Não há desculpas, é o que é. Vamos fazer quatro jogos em 10 dias. Para mim, é bom. Vou estar com os jogadores estes dias todos. Se não funcionar, não é por esse motivo".

Portugal a jogar o dobro: "Tem de jogar o dobro, senão fica tudo igual. A qualidade está cá. Acredito muito no nosso trabalho, nos jogadores e volto a dizer que só isto não chega. A estrutura também é importante. A seleção é muito mais do que um clube, mas ideias do que é uma seleção e um clube não fogem. Quem não partilhar essa ideia é que não tem hipótese. Se acham que a seleção é para ver os amigos, família, jogar, voltar e está tudo bem, não é. Se queremos ganhar, temos de pagar o preço. Vamos criar uma identidade. A minha ideia de jogo não tem nada a ver com a ideia de jogo que era da seleção portuguesa. Acredito plenamente que viemos para vencer".

Dúvidas na seleção: "O futebol tem evoluído muito como desporto coletivo. É para as equipas e jogadores que percebem que os espaços. Não gosto de jogar com três médios em 4x3x3. Gosto de jogar com médios com mais dinâmica. Toda a gente falou sobre o melhor meio-campo do mundo. Mas o melhor meio-campo do mundo onde? Dois jogam no PSG e outro no Manchester United. Melhores do mundo onde? No PSG? Aí as ideias são diferentes, os avançados são diferentes. Portugal não tem esses avançados que puxam o jogo individualmente. A minha ideia é implementar na equipa ideias com as características dos jogadores. O treinador tem de ajudar os jogadores. A qualidade é muita e vamos estar lá para os ajudar.

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