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Roberto Martínez tem um trunfo secreto para preparar os seus jogadores para defrontar a Espanha nos oitavos de final deste Mundial-2026: a numerologia. O selecionador português explicou-o sem rodeios ainda antes do início da competição: "Acredito muito na numerologia. Penso que o 6 pode trazer algo de muito bom. Em 2016, Portugal venceu o Euro, 1966 foi o melhor resultado, houve uma meia-final em 2006... E o Cristiano vai disputar o seu sexto Mundial." Um método de preparação que tem o mérito da originalidade, mesmo que não seja o mais rigoroso do ponto de vista estatístico.
É que, para que a demonstração faça sentido, é preciso aceitar só reter os anos positivos. Em 1976, Portugal falhou simplesmente a qualificação para o Euro. Em 1986, a seleção viveu o maior trauma da sua história no Mundial do México, com o caso Saltillo: uma preparação caótica, greve dos jogadores e eliminação logo na fase de grupos. E em 1996, no Euro de Inglaterra, Portugal de Luís Figo e Rui Costa caiu logo nos quartos de final perante uma República Checa impulsionada por um golo de chapéu memorável de Karel Poborský. Três anos terminados em 6, três desilusões, cuidadosamente ignoradas pelo selecionador.
Mas, procurando bem, os adeptos portugueses encontraram outros indícios a favor desta teoria do 6: Roberto Martínez nasceu a 13 de julho de 1973 e a final deste Mundial 2026 está marcada para 19 de julho, ou seja, exatamente seis dias após o seu aniversário. Seguindo a sua lógica, mais um motivo de otimismo.

Golos ao minuto 6 neste Mundial
No relvado, de facto, o número apareceu várias vezes. Logo na estreia de Portugal, a 17 de junho em Houston frente à RD Congo, foi João Neves quem inaugurou o marcador de cabeça após cruzamento de Pedro Neto. O minuto do golo: 6. Um arranque perfeito que, no entanto, não impediu os lusos de serem travados no final do jogo (1-1). Seis dias depois, frente ao Uzbequistão, repetiu-se o cenário: Cristiano Ronaldo, que disputa o sexto Mundial da sua carreira, abriu o marcador logo ao minuto 6, tornando-se o primeiro jogador da história a marcar em seis edições diferentes do Mundial. Resultado final: 5-0.
Depois, nos dezasseis avos de final contra a Croácia em Toronto, foi ao minuto 68 que Ronaldo empatou de penálti, antes de Gonçalo Ramos dar a vitória à seleção portuguesa nos descontos (2-1). Três ocorrências bem reais, que se podem ler como um sinal do destino ou, mais simplesmente, como o tipo de coincidência que qualquer jogo de futebol pode produzir se procurarmos com afinco um número entre os minutos 1 e 90.
Um número 21 entra na teoria
Não é, aliás, a única teoria numérica de Roberto Martínez, que se apoia nestas crenças para alimentar a esperança de vitória dos seus. Este triunfo frente à Croácia aconteceu praticamente um ano após o falecimento de Diogo Jota e do seu irmão André Silva, mortos num acidente de viação em Espanha a 3 de julho de 2025. Resultado do jogo: 2-1, ou seja, 21, o número que Rúben Neves passou a usar na seleção em homenagem ao antigo companheiro. Após o apito final, Cristiano Ronaldo ergueu uma camisola com esse número no relvado, em lágrimas. Martínez, fiel a si próprio, viu aí mais um sinal, evocando jogadores que "sentiram prazer em jogar por Portugal, pelo pai do Ricardo Carvalho e pelos nossos Diogo Jota e André".
Resta que Portugal disputa o acesso aos quartos de final frente à Espanha a 6 de julho, um encontro que a teoria de Martínez não deixará de interpretar como mais um sinal positivo. E a verdade é que o último dérbi ibérico convida ao otimismo português: a 8 de junho de 2025, ou seja, 8/06, mês número 6, a La Roja já tinha perdido frente à equipa das quinas na final da Liga das Nações, nos penáltis (2-2, 5-3 g.p.), após golos portugueses de Nuno Mendes ao minuto 26 e de Cristiano Ronaldo ao minuto 61. O penálti decisivo, nesse dia, foi convertido por Rúben Neves, hoje herdeiro do número 21 de Diogo Jota. Mais uma linha, sem dúvida, para o quadro numerológico do selecionador português.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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