Mundial-2026: Ancelotti preocupado com fragilidades defensivas da seleção brasileira

Ancelotti afirma que esquema com dois no meio pode ruir
Ancelotti afirma que esquema com dois no meio pode ruirMAURO PIMENTEL/AFP

Apesar de os suplentes terem construído uma goleada por 4-1 na segunda parte, contribuindo decisivamente para o triunfo por 6-2 frente ao Panamá, Carlo Ancelotti deixou claro no final do encontro que a evolução da seleção brasileira assenta, acima de tudo, num princípio que considera essencial: a consistência defensiva.

Recorde as incidências da partida

Ao analisar a exibição da equipa, Carlo Ancelotti destacou o impacto positivo dos jogadores que entraram na segunda parte e admitiu que as prestações dos suplentes aumentaram as dúvidas na luta por um lugar no onze. Para o selecionador, trata-se de um problema positivo numa fase em que continua a avaliar as várias opções disponíveis.

“É importante ter dúvidas positivas. O que vi na segunda parte deixou-me com mais dúvidas, e isso é muito bom”, afirmou. 

O treinador italiano reconheceu ainda que poderá introduzir alterações táticas no futuro, incluindo uma eventual mudança do esquema 4-2-4, o sistema que mais tem utilizado desde que assumiu o comando da seleção brasileira.

Ancelotti admite problemas defensivos

Apesar dos elogios à prestação da equipa, Carlo Ancelotti sublinhou que o trabalho está longe de concluído. Segundo o selecionador, a pressão alta e a recuperação rápida da posse de bola são princípios fundamentais da identidade que pretende implementar, mas a execução coletiva ainda necessita de melhorias.

O técnico italiano considerou que o Brasil revelou dificuldades em manter as linhas próximas e em atuar de forma compacta em vários momentos da partida, sobretudo durante a primeira parte. Na sua opinião, esse será um dos aspetos prioritários a corrigir nos próximos treinos, já em território norte-americano.

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“A ideia defensiva é muito importante. Temos de melhorar porque a equipa não estava muito compacta. Isso ficou bastante evidente. Precisamos de pressionar mais rapidamente e recuperar a bola o mais cedo possível”, afirmou Ancelotti.

Ancelotti, no Maracanã, na goleada do Brasil sobre o Panamá
Ancelotti, no Maracanã, na goleada do Brasil sobre o PanamáMAURO PIMENTEL/AFP

A defesa é o melhor ataque

A preocupação de Carlo Ancelotti não se limita ao momento defensivo. Na visão do técnico italiano, uma equipa organizada sem bola cria também melhores condições para atacar. Um bloco compacto e equilibrado permite recuperar a posse em zonas mais favoráveis e explorar as transições ofensivas com maior eficácia.

O selecionador destacou ainda a atitude demonstrada pelo grupo nestes primeiros dias de trabalho. Ancelotti agradeceu o apoio dos adeptos e revelou satisfação com o ambiente encontrado no arranque deste novo ciclo à frente da seleção brasileira.

“Temos uma boa atitude e um grande compromisso com o trabalho. Mas o compromisso, por si só, não basta. É preciso ser forte e resiliente todos os dias, tanto nos bons como nos maus momentos”, afirmou.

Ainda sem definir a equipa-base para os próximos compromissos, o treinador garantiu que a avaliação continua em aberto. O estado físico apresentado pelos jogadores durante os três dias de preparação e ao longo do encontro frente ao Panamá continuará a ter um peso importante nas decisões que serão tomadas nas próximas semanas.

Raphinha exalta mais participação defensiva

Em declarações ao SporTV, Raphinha reconheceu que a consolidação dos processos defensivos continua a ser um dos principais desafios da seleção brasileira antes da estreia frente a Marrocos, marcada para 13 de junho.

Sem criticar diretamente o sistema utilizado por Carlo Ancelotti, o avançado deixou claro que o sucesso da equipa passará pelo compromisso coletivo no momento defensivo e pela capacidade de todos os jogadores contribuírem sem bola.

“Obviamente sabemos que o nosso potencial ofensivo é muito forte. Mas, defensivamente, se conseguirmos ajustar alguns aspetos e defender todos juntos, será muito difícil uma seleção conseguir vencer-nos com facilidade”, afirmou.

A análise de Raphinha vai ao encontro da mensagem transmitida por Ancelotti desde a chegada ao comando técnico. O selecionador tem insistido na necessidade de construir uma equipa mais compacta, capaz de pressionar de forma coordenada e recuperar a posse de bola rapidamente.

“Ainda temos muito para melhorar defensivamente, sobretudo nós, os jogadores mais adiantados”, admitiu o extremo brasileiro.

Raphinha comemora com Casemiro
Raphinha comemora com CasemiroMAURO PIMENTEL/AFP

Para além dos aspetos defensivos, Raphinha destacou a importância de a seleção brasileira aprender a gerir melhor os diferentes momentos de um jogo. Na opinião do extremo, a equipa ainda precisa de evoluir na leitura das partidas, percebendo quando deve acelerar o ritmo e quando deve privilegiar a circulação de bola e o controlo do encontro.

“Precisamos de perceber melhor quando controlar o jogo e quando atacar mais rapidamente. Houve momentos em que podíamos ter gerido melhor a posse e outros em que podíamos ter sido mais agressivos”, explicou.

O jogador acredita que a conjugação entre qualidade individual, espírito coletivo e maior compromisso defensivo pode transformar o Brasil numa das seleções mais difíceis de superar no Mundial.

“Temos alguns dos melhores jogadores do mundo a competir ao mais alto nível nos seus clubes. Quando existe união, trabalho e todos percebem que têm de ajudar o colega ao lado, torna-se muito difícil para qualquer adversário.”

Bruno Guimarães aponta falhas na pressão

Bruno Guimarães, uma das peças-chave do equilíbrio defensivo da seleção brasileira, alinhou pelo discurso de Carlo Ancelotti e Raphinha na análise ao encontro frente ao Panamá.

“Em termos táticos, podíamos ter defendido melhor na primeira parte, para ser sincero. Acabámos por conceder alguns espaços que não devíamos. Houve momentos em que eles tinham superioridade numérica em zonas interiores e isso dificultou a nossa pressão”, admitiu o médio.

Bruno Guimarães liderou passes para o trecho final do campo
Bruno Guimarães liderou passes para o trecho final do campoStats Perform/Opta

Segundo o jogador, uma das dificuldades esteve relacionada com a forma como o Panamá ocupou o corredor central e construiu o jogo desde trás. “A estrutura deles, com uma saída de bola a três, acabou por dificultar um pouco a nossa marcação.”

Bruno Guimarães reconheceu ainda que, em determinados momentos, o Brasil revelou alguma indecisão na forma de pressionar o adversário, situação que permitiu ao Panamá encontrar espaços entre linhas e progredir com relativa facilidade em algumas fases da partida.

As declarações de Carlo Ancelotti, Raphinha e Bruno Guimarães apontam para um diagnóstico comum: apesar da goleada e da qualidade ofensiva demonstrada frente ao Panamá, a seleção brasileira ainda tem margem de progressão em aspetos fundamentais como a compactação, a pressão após a perda de bola e a organização defensiva.

Resta agora perceber até que ponto este jogo de preparação servirá para Ancelotti e a sua equipa técnica afinarem os mecanismos do meio-campo, sobretudo nos momentos sem posse de bola, antes do arranque do Mundial.

Casemiro mostrou-se confiante na capacidade do selecionador para encontrar as melhores soluções. “O mister tem muita experiência e saberá qual é a melhor forma de fortalecer a equipa”, afirmou o médio brasileiro.

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