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Mesmo tendo ainda de jogar contra os Países Baixos, as Águias de Cartago já estão eliminadas do Mundial-2026, depois de terem sido goleadas pela Suécia (5-1) e depois pelo Japão (4-0). Logo após o primeiro desaire, o selecionador Sabri Lamouchi foi afastado das suas funções e substituído, para o resto da competição, por Hervé Renard.
O capitão da equipa, Ellyes Skhiri, pediu desculpa ao povo tunisino. "Temos simplesmente de reconhecer que não estivemos ao nível exigido por esta competição", afirmou.
No entanto, a memória do Mundial de 1978 nunca está longe na Tunísia, quando o país se tornou o primeiro africano a vencer um jogo no Mundial. Mais recentemente, em 2004, conquistou a sua primeira Taça das Nações Africanas em casa. E durante o Mundial-2022, a seleção venceu por 1-0 um jogo frente aos Franceses, então campeões do mundo em título.
Mas atualmente, a derrota frente à Suécia foi tão dolorosa que muitos adeptos desistiram de acordar ao amanhecer — devido ao fuso horário com a América do Norte — para não se sujeitarem a mais uma humilhação. "Tinha posto o despertador, mas à última hora mudei de ideias e voltei a deitar-me", contou à AFP o gerente de um café.
"Máfia do futebol"
Entre os adeptos e na imprensa, o diagnóstico é claro: os responsáveis locais têm de prestar contas. "O colapso da seleção nacional perante a Suécia e o Japão revelou a +máfia do futebol+ cujo desmantelamento todos exigem hoje, antes de recomeçar do zero e reconstruir o nosso futebol sobre bases sólidas", sublinha assim o diário arabófono Al Chourouq.
Porque o futebol tunisino, critica o diário francófono Le Temps, "está minado há muitos anos pelo clientelismo e pelas lutas internas entre clubes". As principais críticas: preparação considerada insuficiente dos jogadores, governação local deficiente e composição da seleção.
"Considerações de ordem pessoal levaram à convocatória de jogadores que não tinham lugar na seleção", afirma assim o Le Temps.
O meio de comunicação de investigação online Inkyfada garante, por sua vez, que uma "política de quotas não oficial" levou "à escolha de jogadores em detrimento da coerência desportiva, para satisfazer os grandes clubes do campeonato local e garantir que cada um receba a sua parte das indemnizações pagas pela FIFA".
Contactada pela AFP, a Federação Tunisina não respondeu. Irão cair cabeças na FTF? Segundo meios de comunicação tunisinos, estará antes a tentar uma reorganização interna.
"Finjam um desmaio"
Enquanto se aguardam eventuais sanções, muitos tunisinos recordam as palavras do jogador tunisino Hannibal Mejbri : "Sonhamos muito, não trabalhamos o suficiente". "Temos mesmo de nos questionar (...) porque ficámos muito para trás", disse em janeiro, após a eliminação da Tunísia frente ao Mali nos oitavos de final da CAN.
Espelhando a frustração de muitos dos seus compatriotas, que avaliam de forma dura a realidade económica e política do seu país, a ensaísta Olfa Youssef escreveu no Facebook que "a seleção nacional (estava) à imagem da Tunísia de hoje".
Mas, como tantas vezes, outros tunisinos optaram pelo humor para digerir a prestação desastrosa da sua equipa, numa altura em que as seleções do Marrocos e do Egito proporcionam aos seus países momentos de alegria.
O único modo de a Tunísia marcar no próximo jogo contra os Países Baixos em Kansas City, brinca assim uma página tunisina no Facebook, é que o relvado esteja totalmente inclinado para que a bola entre sozinha na baliza neerlandesa...
O humorista franco-tunisino Hakim Jemili tem, por sua vez, uma sugestão quase tão original para os jogadores. "Finjam um desmaio!", lançou.
