Mundial-2026: Brasil de Ancelotti procura a maturidade contra a Escócia

Ancelotti tem muito em que pensar
Ancelotti tem muito em que pensarMAURO PIMENTEL/AFP

Uma equipe mutante para acompanhar aquilo que o campo mostra. Na primeira experiência à frente de uma seleção, e também num Mundial, Carlo Ancelotti ainda procura um onze sólido. O pouco tempo que o treinador italiano teve para montar uma equipa confiável ficou nos livros de história.

O jogo desta terça-feira contra a Escócia - o quinto entre as seleções em Mundiais, todos na fase de grupos e sem nenhuma derrota brasileira - é chave para tentar ficar em primeiro lugar e viajar menos pela América do Norte, mas, principalmente, para dar pistas sobre se a campanha será longa.

A partida anterior contra o Haiti, fora a lesão de Raphinha, mostrou uma equipa bastante diferente da primeira, pelo menos em termos de disposição em campo. Ainda assim, a maturidade segue como uma construção voltada para o futuro.

Em 2002, Edmílson entrou e ajudou a proteger a equipa
Em 2002, Edmílson entrou e ajudou a proteger a equipaPEDRO UGARTE/AFP

Na campanha da quinta conquista, em 2002, a rapidez com que Felipão se adaptou aos problemas apresentados foi decisiva. A linha de três defesas, por exemplo, virou solução recorrente.

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Na fase a eliminar, Edmílson entrou para não sair mais e passou a atuar como terceiro homem da defesa ou médio-defensivo, dependendo do adversário. Cafu, pela direita, precisou conter mais os avanços ofensivos. Na frente, os “três R’s” - Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo - marcaram 15 dos 18 golos da Seleção (um a menos do que em 1970). Antes do Mundial, naquele ano, Ronaldinho Gaúcho e Kleberson não estavam entre os nomes mais cotados para brilhar. O Brasil venceu todos os sete jogos.

Regresso o futuro

A questão agora é mostrar evolução a partir do losango no meio-campo que funcionou contra o Haiti, uma seleção de nível técnico inferior. Casemiro na base, à frente da defesa; Paquetá pela esquerda; e Bruno Guimarães pela direita. Matheus Cunha como falso nove. Vini Jr. pela esquerda e uma incógnita pela direita. Se Luiz Henrique abre espaços, Rayan é para atacar os espaços.

Contra Marrocos, trio do meio deixou muitos espaços para Marrocos jogar
Contra Marrocos, trio do meio deixou muitos espaços para Marrocos jogarStats Perform/Opta

A comparação com 2002 é apenas retórica, no sentido de que Ancelotti precisa ser rápido — principalmente para escolher peças que estejam a pedir minutos. Hoje, ao contrário do passado, os treinos são fechados e a informação circula menos. O próprio Felipão é bom exemplo. Astuto em 2002, não teve uma leitura clara do jogo quando o 7-1 para a Alemanha se desenhou. 

Jogadores mais bem posicionados deram fluência ao time; na frente, a novidade Matheus Cunha, com a 9
Jogadores mais bem posicionados deram fluência ao time; na frente, a novidade Matheus Cunha, com a 9Stats Perform/Opta

Se os campos norte-americanos mostraram até agora “dois Brasis”, o primeiro deles, contra Marrocos, não deve voltar a aparecer, sob risco de a Seleção ter vida curta no primeiro Mundial com 48 seleções e uma fase adicional mais perigosa. Japão, Países Baixos ou Suécia podem aparecer já no início da semana que vem. 

Em busca da solidez

O desenho tático das duas apresentações do Brasil mostra que, mesmo com poucas mudanças de peças, o coletivo comportou-se de forma diferente. A questão é se o comportamento da equipa, as diretrizes do treinador e o ímpeto de evolução vão fazer o Brasil subir alguns degraus na escada dos favoritos e aproximar-se de França e Argentina - além de outras seleções que oscilaram, mas apresentam maior organização ou maturidade, como disse o lateral Danilo, casos de Espanha, Inglaterra, Portugal e até Noruega.

O Brasil, que escapou de perder para Marrocos na estreia (os africanos criaram duas oportunidades claras contra uma da Seleção), não depende exclusivamente de si para terminar em primeiro no grupo. A segunda posição transformaria a equipa em praticamente itinerante. E, nas fases mais agudas, obrigaria confrontos mais pesados contra equipas que já acumularam mais jogos até aqui antes da decisão. Uma derrota com a Escócia coloca o conjunto de Ancelotti na trilha desconhecida dos terceiros colocados, que pode levar à Alemanha – pelas simulações da Opta, um terceiro colocado com 4 pontos tem 0,2% de chances de não avançar no Mundial. 

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