Mundial-2026: Cartões vermelhos no México - África do Sul fizeram recordar jogo de Portugal

Yaya Sithole, médio do Tondela, recebeu um cartão vermelho no início da segunda parte
Yaya Sithole, médio do Tondela, recebeu um cartão vermelho no início da segunda parteREUTERS/Hannah Mckay

A vitória do México sobre a África do Sul na estreia do Mundial-2026 marcou um acontecimento raro que só tinha ocorrido duas vezes anteriormente na história da competição.

Recorde as incidências do encontro

O Mundial-2026 deu início quando o México recebeu a África do Sul no Estádio Azteca na noite de quinta-feira, um jogo que correspondeu às elevadas expectativas em torno deste torneio.

Para além da vitória dos mexicanos por 2-0 – tornando-os a primeira equipa a garantir três pontos neste torneio –, o jogo ficou marcado pelos três cartões vermelhos mostrados pelo árbitro brasileiro Wilton Sampaio.

Yaya Sithole, médio do Tondela, recebeu um cartão vermelho no início da segunda parte, deixando os sul-africanos reduzidos a 10 jogadores, antes de o seu companheiro de equipa Zwane ser expulso nos minutos finais, na sequência de uma revisão do VAR por conduta violenta.

Notas dos jogadores
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O mexicano Cesar Montes também recebeu um cartão vermelho nos descontos, o que significa que o jogo ficou na história como apenas o terceiro na história da competição em que o árbitro mostrou exatamente três cartões vermelhos.

Uma das duas ocasiões anteriores ocorreu em Toulouse durante o Mundial-1998, quando a África do Sul empatou com a Dinamarca a 1-1 na segunda ronda da fase de grupos. Embora os sul-africanos estivessem envolvidos neste feito raro, tal como aconteceu contra o México, nessa ocasião foi a equipa de Philippe Troussier que recebeu um cartão vermelho, enquanto os dinamarqueses receberam dois.

Miklos Molnar recebeu um cartão vermelho aos 66 minutos, apenas dois minutos antes de Phiri, da África do Sul, também ser expulso. Morten Wieghorst reduziu a Dinamarca a nove jogadores após receber um cartão vermelho aos 85 minutos, tornando-se o primeiro jogo da história a registar um total de três cartões vermelhos.

No jogo da fase de grupos que terminou num empate 2-2 entre a Croácia e a Austrália na edição de 2006, o árbitro Graham Poll também mostrou três cartões vermelhos, todos resultantes de um segundo cartão amarelo.

O croata Simic recebeu o seu segundo cartão amarelo aos 85 minutos, tal como o australiano Emerton apenas dois minutos depois. Para coroar a loucura desses últimos cinco minutos, Simunic foi advertido duas vezes em rápida sucessão no último minuto do tempo regulamentar, tornando-se o terceiro jogador expulso.

Exceções da era pré-cartão

Os três jogos acima mencionados são os únicos na história da competição em que foram mostrados três cartões vermelhos, embora não sejam os únicos em que três jogadores foram expulsos.

Antes de 1970, quando o sistema de cartões foi introduzido, não existia um cartão físico para indicar a sanção. Se um jogador cometesse uma infração que justificasse a expulsão, o árbitro mandava-o sair do campo. Isto podia causar problemas, especialmente em competições internacionais, uma vez que nem sempre havia uma comunicação clara entre o árbitro e o jogador devido a barreiras linguísticas.

Mesmo assim, houve apenas dois jogos em que três ou mais jogadores foram expulsos antes da introdução do sistema de cartões. No torneio de 1954, a vitória da Hungria por 4-2 sobre o Brasil nos quartos de final viu três jogadores serem expulsos.

Jozsef Bozsik e Nilton Santos foram ambos expulsos aos 71 minutos, poucos minutos antes de o brasileiro Humberto Tozzi também ter sido expulso pelo árbitro.

O outro precedente ocorreu no torneio de 1938, durante um empate 1-1 nos quartos de final entre o Brasil e a Checoslováquia, apelidado de “Batalha de Bordéus” e conhecido como uma das partidas mais violentas da história do futebol devido à brutalidade das faltas.

Zeze Procopio foi expulso aos 14 minutos, e Arthur Machado e o checoslovaco Jan Riha foram expulsos pouco antes do final do jogo, marcando a primeira vez na história do Mundial que três jogadores foram expulsos.

Portugal e Países Baixos detêm o recorde

O único jogo de um Mundial da história em que houve mais cartões vermelhos do que nos jogos acima mencionados ocorreu na edição de 2006, quando Portugal eliminou os Países Baixos nos oitavos de final com uma vitória por uma diferença mínima.

Costinha foi expulso pouco antes do intervalo por receber o segundo cartão amarelo, antes de o neerlandês Boulahrouz sofrer o mesmo destino que o jogador português aos 63 minutos.

Deco também foi expulso aos 78 minutos após receber o segundo cartão amarelo e o neerlandês Van Bronckhorst juntou-se à lista ao receber o seu segundo cartão amarelo pouco antes do apito final, garantindo que este jogo entrasse para a história da competição com um total de quatro jogadores expulsos.

Jogos do Mundial com três expulsões:

1938 – Brasil - Checoslováquia (Quartos de final)*

1954 – Hungria - Brasil (Quartos de final)*

1998 – África do Sul - Dinamarca (Fase de grupos)

2006 – Croácia - Austrália (Fase de grupos) 

2026 – México - África do Sul (Jogo de abertura)

*Sistema de cartões ainda não introduzido.