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Mundial-2026: Como o longo intervalo da final vai afetar os jogadores

Madonna, Shakira e Justin Bieber são alguns dos nomes que vão atuar no espetáculo do intervalo da final do Mundial
Madonna, Shakira e Justin Bieber são alguns dos nomes que vão atuar no espetáculo do intervalo da final do MundialJose Breton / Spain DPPI / DPPI via AFP / Profimedia

A final do Mundial entre Espanha e Argentina não marcará apenas um marco desportivo. Pela primeira vez na história do Mundial de futebol, está prevista uma grande atuação no intervalo com estrelas internacionais do pop. Enquanto artistas como Madonna, Shakira e Justin Bieber vão entreter o público no MetLife Stadium, os jogadores terão de adaptar-se a uma pausa muito mais longa do que o habitual.

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O médico desportivo de Colónia Hans-Georg Predel vê esta tendência com ceticismo. Do seu ponto de vista, uma pausa mais longa pode trazer vantagens na recuperação, mas também implica riscos desportivos.

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Uma pausa mais longa altera as condições físicas

"A duração atual do intervalo, de 15 minutos, não foi estabelecida por acaso. É um bom compromisso entre uma recuperação breve e a manutenção da disposição física para o rendimento", explicou Predel, diretor do Instituto de Investigação Cardiovascular e Medicina Desportiva da Universidade Alemã do Desporto em Colónia.

Uma extensão para 25 ou mesmo 30 minutos "altera significativamente as condições fisiológicas". Embora jogadores como Lamine Yamal ou Lionel Messi possam recuperar um pouco melhor, ao mesmo tempo diminuem a temperatura muscular, a frequência cardíaca e a ativação neuromuscular.

"Os estudos demonstraram que uma descida da temperatura muscular de apenas um ou dois graus Celsius pode afetar negativamente a força máxima, a velocidade de sprint e a potência explosiva. Como o futebol assenta em ações curtas e explosivas, isto pode ser especialmente relevante logo após a retoma", indicou.

A reativação torna-se um fator-chave

Segundo o médico desportivo, com uma pausa mais longa também aumenta, pelo menos em teoria, o risco de lesão. Por isso, um aquecimento específico mesmo antes da retoma do jogo é especialmente importante.

"O ideal é realizar nos últimos três a cinco minutos, antes da retoma, um programa estruturado de reativação com exercícios de corrida, mobilidade e movimentos curtos de aceleração e sprint. Muitas equipas de elite já o fazem após os intervalos habituais, mas com uma pausa mais longa, esta reativação ganha ainda mais importância", explicou Hans-Georg.

Para além dos aspetos físicos, também não deve ser subestimada a preparação mental. Especialmente num Mundial, qualquer pequena distração pode fazer a diferença. 

"A componente mental é fundamental numa final do Mundial, em que o mais pequeno erro pode decidir o jogo, e não deve ser subestimada.  Por isso, um programa profissional de reativação inclui sempre tanto a ativação física como a mental", concluiu o especialista.