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“Portugal é um gato negro para Croácia. Toda a gente sabe disso, mas tem de acabar alguma vez. Se vai ser agora ou mais tarde, não sei, mas é um dos poucos países aos quais nunca ganhámos (oficialmente)”, lembrou à agência Lusa o ex-guarda-redes, de 65 anos e totalista no Campeonato do Mundo de 1990 pela já dissolvida Jugoslávia, da qual a Croácia se tornou independente em 1991.
No histórico de 10 encontros com Portugal, os balcânicos têm uma vitória, obtida num particular em 2024, em Oeiras, dois empates e sete derrotas, duas das quais nos Europeus de 1996, no Grupo D da primeira fase (3-0), em Inglaterra, e de 2016, para os oitavos (1-0, após prolongamento), em França, onde os lusos lograram um inédito troféu de campeão continental.
Os dois países realizaram ainda quatro partidas na fase de grupos da Liga das Nações, cujo troféu é detido pelos lusos, e reencontram-se na quinta-feira, às 19:00 locais (00:00 de sexta-feira em Lisboa), no Estádio BMO Field, em Toronto, no Canadá, nos 16 avos de final do Mundial-2026, fase inédita na história da prova, disputada pela primeira vez por 48 seleções.
“A Croácia não tem pressão nenhuma. Ter passado à fase a eliminar já é bom, porque esta equipa é completamente diferente. Além disso, Portugal tem experiência de como é difícil ganhar alguma coisa no futebol. Quando é que vocês tiveram uma medalha no Campeonato do Mundo? Já não se lembram. Por isso, quando se fala da Croácia, temos de levantar o chapéu e dizer que está a fazer um trabalho fantástico. É um dos poucos países a consegui-lo”, salientou Tomislav Ivkovic, com passagens pelas balizas de Sporting, Estoril Praia, Vitória FC, Belenenses e Estrela da Amadora.
Se Portugal ostenta como melhor resultado nas oito presenças anteriores a medalha de bronze alcançada logo na estreia, em 1966, a Croácia subiu ao pódio por três vezes antes da sétima participação como país independente, ao ser finalista derrotada em 2018 e terceira classificada em 1998, na primeira campanha depois das oito participações como Jugoslávia, e 2022.
“O que a Croácia fez como país muito pequeno, ao ganhar três medalhas em Campeonatos do Mundo, é algo que outras seleções só podem sonhar. Há grandes equipas que não venceram nada durante anos e anos. Não é fácil. Somos um país com pouca gente, mas temos muito orgulho e talento em todos os desportos”, frisou o antigo guarda-redes, medalha de bronze olímpica pela Jugoslávia nos Jogos Los Angeles-1984, nos Estados Unidos.

Os feitos da última década em Mundiais - aos quais se seguiu a derrota na final da Liga das Nações de 2023 frente à Espanha, através do desempate por penáltis -, contaram com 16 dos 26 convocados para o Mundial-2026, entre os quais Dominik Livakovic, Josko Gvardiol, Mateo Kovacic, Luka Modric, Ivan Perisic e Andrej Kramaric, sempre sob alçada de Zlatko Dalic.
“A seleção está em renovação há muito tempo. Há jovens na defesa, nas alas e no meio-campo, como Martin Baturina e Petar Sucic. A equipa está mais ou menos formada, mas terá mudanças depois do Mundial”, projetou.
Tomislav Ivkovic mostra-se expectante quanto ao futuro do médio e capitão Luka Modric, recordista de internacionalizações pelos balcânicos (201) e a cumprir a 10.ª fase final da carreira, entre cinco Europeus e cinco Mundiais.
“Conhecendo-o, é muito imprevisível e gosta do futebol. Ele sente-se bem, mas penso que este é, com certeza, o último Campeonato do Mundo. Não disse ainda se sairá já da seleção. Tudo depende dele”, comentou, sobre o melhor jogador do Mundial-2018, ano no qual conquistou a Bola de Ouro.
Além de Luka Modric, de 40 anos e vinculado aos italianos do AC Milan, que vai ser treinado pelo português Ruben Amorim a partir de 2026/27, Tomislav Ivkovic coloca Zlatko Dalic “para sempre na história” da Croácia, cuja estreia em grandes competições aconteceu há três décadas exatas.
“Acho que não vai nascer nenhum que conseguirá o que ele conseguiu. Muitos croatas ainda põem em questão a sua qualidade, mesmo tendo alcançado os melhores resultados do país. É uma coisa impressionante. Ninguém lhe dá o valor que merece”, lamentou, admitindo que a seleção ganha força para se transcender “quando toda a gente ataca e fala mal”.

