Os números revelados pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) confirmam a tendência de crescimento do futebol feminino nacional, que tem vindo a aumentar de forma consistente nos últimos anos, e em todos os escalões, após a quebra temporária provocada pela pandemia de covid-19 na época 2020/21.
Segundo o Plano Estratégico do Futebol Feminino 2025-2029 da FPF, o número de praticantes femininas quase quadruplicou desde 2018/19, quando estavam inscritas 5.584 atletas.
Numa única época, o futebol feminino ganhou 7.470 praticantes, passando de 13.888 atletas em 2024/25 para 21.358 no final de junho de 2025/26, o equivalente a um aumento de cerca de 54%.
A análise da distribuição das atletas por escalões evidencia um crescimento sustentado das categorias sub-13, sub-15 e sub-17.
Em contrapartida, os escalões sub-7 e sub-9 apresentam uma evolução mais estável, enquanto a representatividade das seniores diminuiu após o pico de 32% registado em 2020/21 para 17% em 2023/2024, um valor que a FPF associa ao contexto excecional da pandemia.
A evolução da prática tem sido acompanhada pelo aumento do número de equipas, clubes e competições femininas que caiu durante a pandemia (2019/20 e 2020/21), mas recuperou desde 2021/22, estabilizando em torno de 17/18 competições nas épocas mais recentes.
De acordo com o documento estratégico da FPF, o número de equipas de futebol feminino quase triplicou entre as épocas 2018/19 e 2024/25, passando de 550 para 1.498, enquanto o número de clubes subiu de 209 para 420 no mesmo período.
O aumento do número de jogadoras é apontado como determinante para reforçar a competitividade das provas nacionais, alargar a base de recrutamento das seleções e sustentar a profissionalização progressiva do futebol feminino português.
Nos últimos anos, a evolução refletiu-se também nos resultados desportivos da seleção nacional AA feminina, que ocupa atualmente o 22.º lugar do ranking da FIFA, depois da derrota frente à Finlândia, no último encontro da primeira fase de qualificação para o Mundial de 2027, em 09 de junho.
A federação considera o crescimento da base de praticantes um dos pilares para o desenvolvimento da modalidade, estabelecendo como objetivo alcançar as 27.000 atletas até 2029.
O objetivo assenta no reforço da oferta competitiva, no aumento do número de clubes com equipas femininas e na criação de mais oportunidades de prática em todo o território nacional.
Entre as medidas previstas contam-se a criação de competições de formação em todas as associações distritais e regionais - pelo menos uma competição do escalão sub-15 (ou inferior), bem como a criação de escalão de sub-17.
A estratégia federativa prevê ainda a continuação do processo de profissionalização da Liga feminina, apontando à existência de seis equipas profissionais até 2029, bem como aumentar em 50% o número de treinadoras UEFA e a assistência médias da liga principal e atingir os 6.000 expectadores nos jogos da seleção AA.
