Os Bleus viajam para os Estados Unidos no topo do ranking mundial e são claramente um dos principais candidatos à vitória final.
Procuram chegar à terceira final consecutiva do Mundial, depois de conquistarem o troféu em 2018 e perderem um duelo épico nos penáltis frente à Argentina em 2022.
Deschamps foi nomeado em 2012, numa altura em que a França lutava para recuperar do ponto mais baixo atingido no Mundial-2010, marcado por um motim do plantel contra o então selecionador Raymond Domenech.
Sob o comando de Deschamps, a França voltou a ser um dos nomes mais temidos no futebol internacional.
"É uma sensação estranha", afirmou recentemente Deschamps, agora com 57 anos, após anunciar a sua última convocatória para um Mundial.
"Normalmente tento esconder as minhas emoções. Mas estou tranquilo com tudo isto. O que aconteceu faz parte do passado e foi feito bastante bem – se não tivesse sido, não estaria aqui ao fim de 14 anos. Agora toda a minha energia está focada neste Mundial".
Espera-se que o antigo colega de equipa de Deschamps na seleção francesa, Zinedine Zidane, o suceda após o torneio.
Até lá, Deschamps tentará conduzir a França à sua quinta final do Mundial em oito edições e ao terceiro título.
O técnico natural do País Basco tem um currículo notável tanto como jogador como treinador, tendo capitaneado o seu país à glória no Mundial em casa em 1998 e no Euro-2000.
Como médio, tinha 24 anos quando liderou o Marselha à vitória na final da Liga dos Campeões em 1993.
Mais tarde, também venceu a Liga dos Campeões ao serviço da Juventus, retirando-se dos relvados com apenas 32 anos e levando o Mónaco à final da principal competição europeia de clubes em 2004. Depois, conquistou um título francês com o Marselha em 2010.
Após uma derrota apertada nos quartos de final frente à futura campeã Alemanha, sob o calor do Maracanã no Mundial-2014, levou a sua seleção à final do Euro-2016 como anfitriã.
Uma derrota no prolongamento frente a Portugal no Stade de France foi dolorosa, mas nessa altura já contava com uma geração entusiasmante de jogadores a despontar, com nomes como Paul Pogba e Antoine Griezmann.
Terceira final consecutiva?
Kylian Mbappé surgiu depois, estreando-se aos 18 anos em março de 2017, e o jovem avançado brilhou ao ajudar a França a conquistar o seu segundo Mundial, em Moscovo, em 2018.
Mbappe viria a marcar um hat-trick impressionante na final de Doha em 2022, numa altura em que a França não conseguiu impedir Lionel Messi de viver o seu momento de consagração com a Argentina.
Este será o sétimo grande torneio como treinador para Deschamps, que até agora soma um título, duas derrotas em finais e uma presença nas meias-finais nesse período.
A França também venceu a Liga das Nações em 2021 e o próximo selecionador terá muito a provar.
Acima de tudo, Deschamps é um vencedor, normalmente a privilegiar a eficácia em detrimento do estilo, apesar de ter muito talento à disposição.
Foi amplamente criticado no Euro-2024, quando a França chegou às meias-finais marcando apenas quatro golos em seis jogos – dois deles autogolos e um de penálti.
"Se estiveres aborrecido, podes ver outra coisa", respondeu Deschamps a uma pergunta durante esse torneio, sugerindo que a França era aborrecida.
No entanto, a França tem-se apresentado muito convincente no último ano, com um sistema 4-2-3-1 que permite encaixar no ataque Mbappé, o atual detentor da Bola de Ouro Ousmane Dembélé e a estrela do Bayern Munique Michael Olise.
Apenas a Alemanha Ocidental, entre 1982 e 1990, e o Brasil, de 1994 a 2002, conseguiram anteriormente chegar a três finais consecutivas do Mundial.
Se levar a França à vitória no Estádio MetLife a 19 de julho, tornar-se-á apenas o segundo treinador a conquistar o Mundial por duas vezes, depois de Vittorio Pozzo, da Itália, nos anos 30.
Depois, será altura para um novo desafio.
"Não excluo nada. Estou disponível, como todos sabem. Veremos", afirmou recentemente.
