Mundial-2026: Escócia entra em cena com teste exigente frente ao Haiti

O Haiti perfilado antes do particular com o Peru
O Haiti perfilado antes do particular com o Peru CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH / EPA / Profimedia

A Escócia prepara-se para disputar o seu primeiro jogo no Mundial em quase 30 anos, frente a uma seleção do Haiti que também aguardava há muito tempo para regressar ao maior torneio de futebol do mundo.

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Uma das histórias mais inspiradoras da qualificação para o Mundial, Haiti vai agora participar na competição pela primeira vez desde 1974 – a sua única presença anterior.

O caminho até à edição de 2026 esteve longe de ser fácil e muitos preveem uma saída precoce, mas superar adversidades tem sido uma constante no percurso da seleção nacional.

O Haiti tem sido assolado por violência de grupos armados e crise política, ao ponto de os seus jogos em casa terem de ser disputados em campos neutros. Ainda assim, isso não impediu a equipa de fazer história na fase de qualificação, superando Costa Rica, Honduras e Nicarágua para terminar no topo do grupo.

A Escócia parte como favorita para o jogo de estreia, mas os haitianos sabem como contrariar o favoritismo e vão colocar à prova a equipa de Steve Clarke.

Uma vaga de novos jogadores

A ascensão do Haiti nos últimos anos não foi obra do acaso. O plantel recebeu uma vaga de novos jogadores, com estrelas a optarem por mudar de seleção e comprometer-se com os Les Grenadiers.

Nem todas essas mudanças resultaram do sucesso recente, já que nomes como Hannes Delcroix e Jean-Ricner Bellegarde declararam-se disponíveis para a seleção logo no início da fase de qualificação, e não apenas no final.

Estes dois nomes podem ser familiares para os adeptos da Premier League. Bellegarde foi dos melhores no Wolves, enquanto Delcroix representou o Burnley e o Swansea nas últimas épocas, antes de se transferir para o clube suíço Lugano.

O primeiro é um médio eficaz e enérgico, capaz de contribuir em ambas as áreas do relvado, mas que costuma destacar-se mais adiantado. Registou sete assistências na temporada 2024/25 da Premier League.

Delcroix será um pilar da defesa do Haiti e pode atuar no centro ou à esquerda, sendo que a sua experiência nas principais ligas europeias (Inglaterra, Suíça, Bélgica) será uma mais-valia no maior palco do futebol mundial.

Talvez a maior joia deste grupo de novos jogadores seja o avançado Wilson Isidor. Aos 25 anos, trocou a França pelo Haiti em março de 2026 e tem sido um sucesso desde então.

Isidor já alinhou três vezes pelos Les Grenadiers e contribuiu com dois golos e uma assistência – trazendo mais qualidade às opções ofensivas da equipa. Teve um papel fundamental na vitória por 4-0 sobre a Nova Zelândia e marcou no desaire por 2-1 frente ao Peru.

O avançado do Sunderland tem tido impacto no futebol inglês desde que chegou, somando 19 golos em 82 jogos, apesar de nem sempre ser titular. Isidor marcou seis golos na Premier League esta época e já demonstrou ser capaz de finalizar de várias formas.

A Escócia, apesar de conhecer bem a qualidade de Isidor, terá de estar atenta ao perigo que representa.

Outros fatores na ascensão do Haiti

Tal como os novos reforços, também os jogadores que já estavam na seleção muito antes da fase de qualificação para o Mundial têm sido fundamentais para o sucesso do Haiti.

O guarda-redes Johnny Placide – que passou pelo Oldham e agora joga no Bastia – integra a seleção desde 2011 e detém o recorde da terceira maior marca de internacionalizações de sempre.

A sua influência como capitão faz-se sentir em todo o grupo, tal como o talento ofensivo do extremo Louicius Deedson.

O jogador de 25 anos marcou quatro golos na fase de qualificação e tem uma média de participação direta em golo a cada três jogos pelos Les Grenadiers. Todos estes jogadores trabalham sob a orientação do experiente selecionador internacional Sebastien Migne.

Selecionador do Haiti Sebastien Migne
Selecionador do Haiti Sebastien MigneThomas Shea-Imagn Images via Reuters

O francês já orientou seleções como a RD Congo e o Quénia ao longo da carreira, tendo sido mais recentemente treinador adjunto dos Camarões.

Durante a fase de qualificação do Haiti, privilegiou uma variação do 4-3-3 ou 4-2-3-1, mas desde então passou para um 4-4-2 mais estruturado nos particulares de preparação para o Mundial.

Esta alteração pode coincidir com a entrada de Isidor, que costuma render mais com um parceiro de ataque ao seu lado. Esse papel deverá caber ao ponta de lança Frantzdy Pierrot, que oferece um perfil diferente de Isidor, destacando-se pelos seus 1,93 metros de altura.

O jogador de 31 anos é presença habitual na seleção dos Les Grenadiers há quase uma década e soma 34 golos em 51 internacionalizações.

Uma dupla na frente pode também abrir espaço para o melhor marcador da história do Haiti, Duckens Nazon, que já marcou 44 golos em 78 jogos.

Uma estrutura defensiva mais sólida pode ser o caminho para o Haiti no Mundial e frente à Escócia – com a equipa de Migne a apostar frequentemente num estilo direto e de contra-ataque.