Mundial-2026: Eusébio guiou estreante Portugal ao pódio, em 1966

Eusébio é uma lenda do futebol português
Eusébio é uma lenda do futebol portuguêsNICOLAS ASFOURI / AFP

A suprema inspiração de Eusébio, melhor marcador da prova, com nove golos em seis jogos, valeu à estreante seleção portuguesa de futebol um brilhante, e jamais repetido, terceiro lugar no Mundial de 1966.

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Em Inglaterra, o pantera negra, com 24 anos, esteve imparável e conseguiu colocar Portugal na corrida ao título, sonho que morreu nas meias-finais, às mãos da anfitriã Inglaterra (1-2), antes da vitória de consolação face à União Soviética (2-1).

Antes da única derrota lusa em solo inglês, Eusébio já havia entrado para a lenda dos Mundiais, pelo bis ao bicampeão em título Brasil (3-1, na primeira fase), mas, sobretudo, pelo póquer à Coreia do Norte, que virou um 0-3 em 4-3. Acabou 5-3.

O então jogador do Benfica, nascido em 25 de janeiro de 1942 em Maputo e falecido em 05 de janeiro de 2014, com 71 anos, ainda marcou à Bulgária (3-0), na derrota com os ingleses e no triunfo com os soviéticos, depois de uma entrada em branco.

Portugal deve, assim, o inédito bronze ao jogador de origem moçambicana, que só não marcou na estreia na fase final (3-1 à Hungria) e, na qualificação, apontou sete dos nove tentos lusos, selando, quase a solo, o primeiro apuramento português.

Eusébio marcou três tentos na receção à Turquia (5-1), um em Ancara (1-0), um na Checoslováquia (1-0) e dois com a Roménia (2-1): entre qualificação e fase final, marcou 16 dos 26 golos de Portugal.

Em Inglaterra, Portugal começou com um triunfo por 3-1 sobre a Hungria, jogo em que brilhou José Augusto, com um bis, mas em que foi preciso sofrer até final, já que o tento da tranquilidade, do bom gigante Torres, só apareceu a acabar.

No segundo jogo da fase de grupos, frente à Bulgária (3-0), Eusébio estreou-se a marcar, em mais um jogo em que foi Torres a fechar a contagem, e, a acabar a primeira fase, o pantera negra teve o seu primeiro grande jogo, ao bisar e afastar o Brasil (3-1), que tinha Pelé tocado e Garrincha no banco.

Tudo corria de feição, até que chegaram os quartos de final e uma Coreia do Norte que, poucos dias depois de ter arrumado a Itália (1-0), chegou aos 25 minutos a vencer por inapeláveis três golos sem resposta.

Os comandados de Manuel da Luz Afonso (selecionador) e Otto Glória (treinador) pareciam perdidos, mas, com dois tentos ainda antes do intervalo, o segundo de grande penalidade, Eusébio manteve Portugal na corrida.

O grupo de Portugal no Mundial-2026
O grupo de Portugal no Mundial-2026Flashscore

Na segunda parte, o intratável avançado do Benfica empatou o jogo, aos 56 minutos, e, aos 59, apontou o seu quarto golo, ao converter novo penálti, por si conquistado, depois de um arranque só detido à enésima falta.

Os magriços tinham conseguido a reviravolta e acabaram por sentenciar aos 80 minutos, quando José Augusto estabeleceu o 5-3 final: Portugal e, sobretudo, Eusébio tinham acabado de entrar na lenda dos Mundiais.

Nas meias-finais, transferidas à última hora de Liverpool para Londres, num golpe dos anfitriões, a Inglaterra acabou com o sonho de Eusébio, que marcou mais um tento, de castigo máximo, mas após um penalizador bis de Bobby Charlton.

Depois de ter maravilhado, Eusébio não aguentou o facto de Portugal ter perdido a possibilidade única de disputar a final e desfez-se em lágrimas, em imagens que correram mundo.

Como consolação, Portugal conquistou, dois dias volvidos, o terceiro posto: frente à União Soviética, os magriços venceram por 2-1, com Eusébio a bater Lev Yashin aos 12 minutos, de grande penalidade, e Torres a selar o triunfo, aos 89'.