Entre as alterações testadas na competição estiveram limites de tempo mais apertados nas reposições de bola, nomeadamente em pontapés de baliza e lançamentos laterais, maior rapidez nas substituições e a permanência temporária fora de campo de jogadores assistidos, além de novas possibilidades de intervenção tecnológica.
Pedro Henriques destacou o impacto das medidas no tempo útil de jogo, lembrando que, até aos quartos de final, o Mundial apresentava uma média de 58 minutos e oito segundos, acima dos 56:43 da última Liga dos Campeões e dos 53:47 registados na última edição do campeonato português.
“(Estas medidas) Acho que são interessantes, são úteis”, avaliou o antigo árbitro, considerando que as alterações destinadas a acelerar as reposições terão efeitos particularmente visíveis em Portugal.
“Vai revolucionar no sentido de acelerar, mesmo que o árbitro compense, claramente que aquelas perdas de tempo muitas vezes exageradas, por exemplo, no pontapé de baliza vão deixar de existir”, sustentou.
Pedro Henriques mostrou-se também favorável ao recurso a tecnologia mais avançada, nomeadamente ao fora de jogo semiautomático e aos sistemas que permitem determinar se a bola ultrapassou totalmente a linha de baliza, embora reconheça o obstáculo financeiro à sua implementação em Portugal.
“Depende do investimento, mas acho que era muito importante”, afirmou, estimando em cerca de cinco milhões de euros o investimento necessário para dotar as competições nacionais dessa tecnologia.
Ainda no âmbito tecnológico, o ex-árbitro internacional defendeu o alargamento das competências do VAR a lances de bola parada, nomeadamente nos pontapés de canto, e também em casos de troca de identidade.
"São situações que o International Board permite que as federações de cada país adotem ou não, mas acho que as pessoas percebem que faz todo o sentido e creio que os clubes também vão querer”, disse Pedro Henriques.
Já Paulo Pereira classificou o combate às perdas de tempo como “uma das grandes vitórias deste Mundial”, considerando que as novas regras alteraram de forma evidente o comportamento de jogadores e equipas.
“Acabaram praticamente as perdas de tempo neste aspeto. Depois também as substituições foram muito mais céleres. Um caso curioso e que deve servir de reflexão ao futebol nacional é que assistências com necessidade de intervenção de equipas médicas no terreno de jogo foram raríssimas”, observou.
Para o antigo árbitro de Viana do Castelo, estas medidas deveriam ser rapidamente transportadas para as competições portuguesas.
“Era de todo o interesse para o futebol português que elas fossem aplicadas de imediato, porque de facto criou uma diferença enorme e, se transportarmos isto, vai ser realmente impactante e importante no desenvolvimento do jogo”, defendeu.
Paulo Pereira acredita que eventuais dificuldades iniciais de adaptação seriam rapidamente ultrapassadas, à semelhança do sucedido durante o Mundial.
“Nas primeiras jornadas acredito que possa haver algumas situações em que o árbitro vai ter que atuar. Mas, de uma forma rápida, toda a gente se vai adaptar à nova realidade”, afirmou.
Mais reticente quanto à possibilidade de o futebol português acompanhar todas as inovações, Paulo Pereira apontou igualmente os custos do fora de jogo semiautomático e manifestou reservas quanto à intervenção do videoárbitro (VAR) apenas em pontapés de canto incorretamente assinalados.
“Eu não concordo muito de uma forma pessoal, porque acho que a política devia ser igual para os dois. Se fosse um pontapé de canto erradamente assinalado, o VAR interviria, mas se fosse um pontapé de baliza erradamente assinalado, também deveria intervir”, analisou.
