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O lateral do Bayern Munique entrou em campo no final do jogo contra os sul-africanos, somando os seus primeiros 15 minutos no torneio, sem, no entanto, se destacar. Um regresso progressivo, à imagem do protocolo seguido há várias semanas pelo jogador de 25 anos, que esteve afastado dos relvados durante muito tempo.
Ausente do grupo canadiano desde março de 2025, Alphonso Davies regressa de longe. Lesionou-se gravemente no joelho durante o jogo pelo terceiro lugar da Gold Cup frente aos Estados Unidos, a 23 de março de 2025, no SoFi Stadium, em Los Angeles, precisamente onde o Canadá disputou o seu 16 avos de final contra a África do Sul. Após uma longa reabilitação, regressou à competição com o Bayern Munique em dezembro passado, antes de sofrer uma nova lesão, desta vez nos isquiotibiais, na segunda mão da meia-final da Liga dos Campeões frente ao PSG (5-4, 1-1) no início de maio. Esta recaída obrigou-o a assistir a toda a fase de grupos do Mundial a partir do banco.
Um regresso como um "isco"
Uma espera que o próprio jogador descreveu como difícil de suportar. "Obviamente, foi doloroso. Tudo o que queremos é jogar. É a minha verdadeira paixão", confessou em conferência de imprensa antes dos 16 avos de final contra a África do Sul. "Desde o primeiro jogo, ao vê-lo, fiquei ansioso por entrar em campo. No segundo jogo, ainda mais, e claro, no terceiro jogo. Fui falar com o Marsch antes do jogo. Perguntei-lhe: achas que posso ter alguns minutos?".
Jesse Marsch, por sua vez, admitiu ter mantido deliberadamente o mistério sobre um possível regresso da sua estrela durante a fase de grupos, chegando a usar essa incerteza como um "isco" para baralhar a Suíça antes do último jogo do grupo. "Desde o início, estávamos bastante certos de que era pouco provável que ele jogasse durante a fase de grupos", explicou o selecionador. "Depois perguntei-lhe se concordava que o usássemos como isco. Olhou para mim como se eu fosse louco, mas disse: 'Ok, vamos a isso'".

O treinador norte-americano também não escondeu a dificuldade desta decisão: "Para mim, ter de dizer ao nosso melhor jogador, e àquele que representa uma peça fundamental em tudo o que fazemos, que teria de esperar, também foi doloroso, admitiu. Mas fizemos isto no interesse do Alphonso, da sua carreira e da sua saúde. E é bom saber que agora temos um plano que o traz de volta ao relvado".
De "apto a jogar" a titular?
Desde o segundo jogo da fase de grupos frente ao Catar, Marsch tem repetido que Davies está "apto a jogar". Mas antes deste duelo frente ao Marrocos, o técnico evitou ir mais longe, limitando-se a referir a sua "disponibilidade", tal como a de Moïse Bombito, sem nunca confirmar uma possível titularidade. Uma estratégia, provavelmente, para não dar demasiadas pistas aos marroquinos, que podem esperar vê-lo no onze inicial depois dos minutos que somou frente à África do Sul.
"Os jogadores de mais alto nível, é preciso tratá-los como Ferraris", ilustrou Marsch. "É preciso mantê-los, e garantir que atingem todos os patamares necessários antes de os deixar jogar livremente. Existe uma ciência por trás da recuperação de lesões musculares". E acrescentou, sobre o seu método: "O que disse ao Alphonso foi que quero que entre em campo e se sinta livre. E penso que, se atingirmos os critérios no momento certo, isso dá-lhe uma melhor base para estar mental e intelectualmente preparado e ter feito tudo para preparar o seu corpo para estar ao mais alto nível".

Para o acompanhar nesta reta final, Davies rodeou-se de um preparador físico pessoal, o alemão Matthias Blankenburg, que se juntou ao grupo canadiano no final de maio. "O Matthias foi excelente", elogiou o jogador. "Ajudou-me a recuperar a plena forma física". Uma iniciativa totalmente apoiada por Marsch: "Quando o Alphonso me disse que queria integrar um preparador físico pessoal para o ajudar na reabilitação, apoiei totalmente. Acho que está mais do que pronto".
O selecionador sublinhou ainda a importância deste acompanhamento individualizado: "É realmente importante, sobretudo quando se está ao nível do Alphonso, ter alguém que conhece exatamente as necessidades do teu corpo. E penso que o Blankenburg foi uma grande ajuda para o Alphonso. Agora vemos que está em grande forma e em excelente condição física".
"Um fator X" para o Canadá
Marsch nunca escondeu a importância que atribui ao seu capitão no equilíbrio e ambição da sua equipa: "É um fator X para nós porque tem um talento incrível. É um jogador notável na transição. Podemos utilizá-lo a lateral-esquerdo, no meio-campo e até no ataque. Dá uma dinâmica tal à equipa que a torna melhor. Mas, acima de tudo, é o efeito que tem na equipa ao estar em campo que muda tudo".
A sua importância vai além do aspeto futebolístico, com Marsch a referir a dimensão quase psicológica deste regresso: "A confiança que a equipa tem nele, a confiança que ele tem em si próprio, penso que tudo isso pode mudar o potencial da nossa equipa e até as ambições que podemos ter neste torneio". Uma convicção reafirmada na véspera dos 16 avos de final: "O Alphonso está de volta, está saudável e está pronto para render. É um grande momento para a equipa e será uma grande ajuda".

Encontro com a história
Resta saber qual será o papel de Davies frente a Marrocos. Os 15 minutos que jogou contra a África do Sul, sem grande brilho, sugerem que ainda precisará de alguns jogos para recuperar o seu melhor nível, ele que só foi titular em sete jogos nas 23 aparições que fez esta época pelo Bayern Munique. Mas a entrada em campo nos 16 avos de final marcou uma etapa simbólica: o regresso à competição, 15 meses depois da lesão no joelho sofrida no mesmo local, em Los Angeles.
Para um Canadá que disputa o jogo mais importante da sua história, a presença, mesmo que progressiva, do seu capitão e do seu talento mais explosivo pode fazer toda a diferença frente a um Marrocos sólido e organizado. Motivos de sobra para alimentar a esperança, do lado canadiano, de conseguir o feito.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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