Recorde as incidências da partida
O regresso do Haiti após 52 anos de ausência pode ter terminado de forma semelhante, três derrotas em três jogos, mas a equipa despediu-se com classe, com uma primeira parte que terá sido provavelmente os 45 minutos mais entusiasmantes de futebol deste Mundial até agora.
"Voltaremos", lia-se num cartaz erguido por um adepto do Haiti no Estádio de Atlanta, e a exibição frente aos semifinalistas de 2022 mostrou que talvez não tenham de esperar tanto tempo para regressar.
Marrocos procurava golos para tentar liderar o Grupo C, mas o Haiti adiantou-se por duas vezes. Marrocos acabaria por vencer 4-2 numa partida que, ainda assim, servirá de aviso. A única presença anterior do Haiti no Mundial tinha sido em 1974, e a sua qualificação desta vez foi vista como resultado da decisão da FIFA de alargar o torneio.
Após uma derrota renhida por 1-0 frente à Escócia, o Brasil mostrou-se demasiado forte e o Haiti perdeu por 3-0 despedindo-se do torneio, mas a exibição frente a Marrocos ficará na memória da grande legião de adeptos haitianos presentes no Estádio de Atlanta.
"Mostrámos que não roubámos o nosso lugar aqui", afirmou o treinador Sebastien Migne.
"Merecemos estar aqui. Espero que aquilo que demos aos adeptos tenha sido suficiente para eles. Infelizmente, não conseguimos conquistar um ponto; teríamos adorado dar pelo menos um ponto aos nossos adeptos. Conseguimos mostrar que fomos dignos desta qualificação. Estávamos no lugar certo. Agora precisamos de melhorar e não esperar mais 52 anos."
O capitão e guarda-redes do Haiti, Johny Placide, já tinha anunciado que o jogo com Marrocos seria o seu último internacional, e o jogador de 38 anos negou o golo aos marroquinos em várias ocasiões, com uma defesa dupla impressionante na primeira parte.
Os primeiros versos do hino do Haiti, entoados antes do apito inicial, diziam: 'Pelo País, pelos Antepassados, marchemos unidos, marchemos unidos', mas este jogo e a qualificação para o Mundial foram também, em grande parte, para a diáspora.
O Haiti não disputou qualquer jogo de qualificação em casa devido à crise de segurança que continua a afetar o país, devastado pela violência de gangues desde 2021. As restrições de viagem fizeram com que a maioria do apoio no Mundial viesse de haitianos já residentes nos EUA.
A maioria dos seus jogadores também foi recrutada no estrangeiro, e Migne, que ainda não visitou o Haiti, está determinado a levar o país de volta ao maior palco do futebol mundial.
"Marcámos dois golos, o que é histórico num jogo (único) do Mundial para o Haiti", disse Migne. "Vamos continuar a trabalhar para podermos regressar daqui a quatro anos."
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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