Mundial-2026: Haiti sai de cena de cabeça erguida e promete voltar

Jogadores do Haiti agradecem apoio dos adeptos
Jogadores do Haiti agradecem apoio dos adeptos Kevin C. Cox/Getty Images

O Haiti foi a primeira equipa a ser eliminada do Mundial-2026 e, apesar de mais uma derrota no seu último jogo na quarta-feira, proporcionou um espetáculo emocionante em Atlanta, quase surpreendendo Marrocos, e mostrou exatamente porque merece o seu lugar na competição.

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O regresso do Haiti após 52 anos de ausência pode ter terminado de forma semelhante, três derrotas em três jogos, mas a equipa despediu-se com classe, com uma primeira parte que terá sido provavelmente os 45 minutos mais entusiasmantes de futebol deste Mundial até agora.

"Voltaremos", lia-se num cartaz erguido por um adepto do Haiti no Estádio de Atlanta, e a exibição frente aos semifinalistas de 2022 mostrou que talvez não tenham de esperar tanto tempo para regressar.

Marrocos procurava golos para tentar liderar o Grupo C, mas o Haiti adiantou-se por duas vezes. Marrocos acabaria por vencer 4-2 numa partida que, ainda assim, servirá de aviso. A única presença anterior do Haiti no Mundial tinha sido em 1974, e a sua qualificação desta vez foi vista como resultado da decisão da FIFA de alargar o torneio.

Após uma derrota renhida por 1-0 frente à Escócia, o Brasil mostrou-se demasiado forte e o Haiti perdeu por 3-0 despedindo-se do torneio, mas a exibição frente a Marrocos ficará na memória da grande legião de adeptos haitianos presentes no Estádio de Atlanta.

"Mostrámos que não roubámos o nosso lugar aqui", afirmou o treinador Sebastien Migne.

"Merecemos estar aqui. Espero que aquilo que demos aos adeptos tenha sido suficiente para eles. Infelizmente, não conseguimos conquistar um ponto; teríamos adorado dar pelo menos um ponto aos nossos adeptos. Conseguimos mostrar que fomos dignos desta qualificação. Estávamos no lugar certo. Agora precisamos de melhorar e não esperar mais 52 anos."

O capitão e guarda-redes do Haiti, Johny Placide, já tinha anunciado que o jogo com Marrocos seria o seu último internacional, e o jogador de 38 anos negou o golo aos marroquinos em várias ocasiões, com uma defesa dupla impressionante na primeira parte.

Os primeiros versos do hino do Haiti, entoados antes do apito inicial, diziam: 'Pelo País, pelos Antepassados, marchemos unidos, marchemos unidos', mas este jogo e a qualificação para o Mundial foram também, em grande parte, para a diáspora.

O Haiti não disputou qualquer jogo de qualificação em casa devido à crise de segurança que continua a afetar o país, devastado pela violência de gangues desde 2021. As restrições de viagem fizeram com que a maioria do apoio no Mundial viesse de haitianos já residentes nos EUA.

A maioria dos seus jogadores também foi recrutada no estrangeiro, e Migne, que ainda não visitou o Haiti, está determinado a levar o país de volta ao maior palco do futebol mundial.

"Marcámos dois golos, o que é histórico num jogo (único) do Mundial para o Haiti", ⁠disse Migne. "Vamos continuar a trabalhar para podermos regressar daqui a quatro anos."

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