Depois de conquistar o título da liga egípcia pelo Zamalek, Abdelmaguid pretende ajudar a equipa de Hossam Hassan a alcançar mais do que apenas vencer um jogo no Mundial pela primeira vez.
"O Mundial era um sonho para mim porque o meu irmão mais velho falava-me do torneio quando eu era criança. Lembro-me de lhe dizer que um dia iria jogar no Mundial", contou Abdelmaguid à Reuters, numa entrevista via Zoom.
"Mas não esperava concretizar esse sonho de infância tão rapidamente, apenas três anos depois de chegar à equipa principal", acrescentou.
O Egito está no Grupo G com a Bélgica, a Nova Zelândia e o Irão, um sorteio que aumentou as esperanças entre os seus adeptos de uma campanha de destaque no Mundial.
No entanto, Abdelmaguid afirmou que a equipa não se deixará pressionar pelas expectativas.
"É isto que os adeptos esperam de nós, e é o seu direito. Também é nosso direito ambicionar chegar à fase a eliminar", disse.
"Todo o adepto tem o direito de sonhar em vencer o torneio, mas cada equipa tem as suas próprias circunstâncias. Acredito que podemos passar a fase de grupos e ir longe no Mundial. Queremos vencer todos os jogos e, se não conseguirmos ganhar, então pelo menos não perder. Estamos a tentar dar tudo o que podemos", acrescentou.
Abdelmaguid acredita que o plantel tem qualidade para competir, com jogadores como o avançado do Manchester City, Omar Marmoush, Mohamed Salah, que está de saída do Liverpool, e o promissor avançado de 18 anos do Al Ahly, Hamza Abdelkarim, que está emprestado ao Barcelona.
"O Hossam Hassan motiva-nos sempre e diz-nos que somos capazes, o que nos dá confiança de que podemos alcançar algo pelo Egito", acrescentou Abdelmaguid.
Incerteza em torno do Irão
Havia dúvidas sobre a participação do Irão no torneio devido às tensões no Médio Oriente, com Teerão a pedir que os seus jogos fossem transferidos dos Estados Unidos, mas o presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou que o calendário se manterá inalterado.
Questionado sobre o impacto da situação do Irão na sua preparação para o Mundial, Abdelmaguid respondeu: "Não me concentrei nessas notícias e isso não tem nada a ver connosco. Podia estar a pensar em defrontar o Irão e acabar por perder com a Bélgica."
O Egito vai defrontar três equipas que contam cada uma com um avançado fisicamente forte, o que deixa ao alto Abdelmaguid a provável tarefa de lidar com o belga Romelu Lukaku, o neozelandês Chris Wood e o iraniano Mehdi Taremi.
Abdelmaguid afirmou que começou a preparar-se cedo, estudando os avançados, acrescentando: "Todos eles são jogadores de topo, mas isso não significa que os tema, porque jogo pelo Egito... Foco-me nos detalhes e vejo os seus vídeos com o meu analista de desempenho, assim como em sessões com o Hossam Hassan.”
"Capitão Hossam"
Hossam Hassan tornou-se o primeiro egípcio a chegar ao Mundial como jogador e treinador, tendo marcado o golo que garantiu a qualificação em 1990 antes de liderar novamente a equipa, 36 anos depois, para uma quarta presença.
Abdelmaguid sente que a experiência de Hossam Hassan no Mundial, juntamente com o irmão do treinador, Ibrahim, diretor da equipa, deu aos jogadores um impulso significativo e ajudou-os a adaptar-se ao "ambiente do torneio global".
"Ele é o Capitão Hossam antes de ser o selecionador nacional. O mesmo se aplica ao Capitão Ibrahim. Não o vemos apenas como um treinador que um dia virá e partirá. É diferente. Estamos felizes por ter alguém com o seu historial connosco. Para além do lado técnico, transmite-nos confiança através da sua experiência, e isso ajuda-nos a ter sucesso", disse Abdelmaguid.
O antigo avançado Hassan esteve envolvido no único grande destaque do Egito em Mundiais, ao conquistar um penálti tardio no empate 1-1 frente aos Países Baixos, então campeões europeus.
"O futebol mudou desde então, mas o ambiente mantém-se igual. No jogo com os Países Baixos, enfrentou jogadores de topo como (Marco) van Basten, (Ruud) Gullit e (Ronald) Koeman em igualdade de circunstâncias, e é isso que ele nos transmite", acrescentou Abdelmaguid.
