Mundial-2026: Jogadores do Equador invadem a zona mista em festa após vencerem a Alemanha

Preciado era um dos mais animados após a vitória equatoriana sobre a Alemanha
Preciado era um dos mais animados após a vitória equatoriana sobre a Alemanha Josias Pereira / Flashscore

A festa impressionante dos adeptos equatorianos nas bancadas do MetLife Stadium prolongou-se para lá do apito final e contagiou os jogadores. Após a vitória expressiva por 2-1 frente à poderosa Alemanha, a seleção do Equador não escondeu a euforia pelo apuramento para a fase a eliminar do Mundial. Os festejos dos jogadores quebraram o protocolo e mostraram a alegria genuína do futebol sul-americano.

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Quem aguardava na zona de entrevistas ouviu a dimensão da festa muito antes de ver os jogadores surgirem no corredor. O médio Kendry Páez apareceu na zona mista com uma enorme coluna de som no volume máximo, de onde ecoavam músicas típicas associadas ao orgulho do país.

O plantel passou diante dos jornalistas em clima de celebração desde o primeiro instante, num ambiente ensurdecedor que espelhava o alívio e a dimensão do feito alcançado em Nova Jérsia.

Jogadores do Equador fazem festa na zona mista após classificação
Josias Pereira

Entre os mais radiantes estava Gonzalo Plata. O avançado do Flamengo, autor do golo decisivo da reviravolta aos 76 minutos, optou por não falar com a imprensa, mas a expressão denunciava uma felicidade plena.

Pouco antes, passou o jovem Nilson Angulo, autor do primeiro golo equatoriano da tarde. Visivelmente feliz, Angulo parou para celebrar o momento e deixou uma mensagem especial ao povo equatoriano.

Outro dos protagonistas da festa foi o lateral Ángelo Preciado, jogador do Atlético-MG, que fez questão de agradecer publicamente pela vitória e pelo enorme apoio dos adeptos, incluindo os seguidores do clube de Belo Horizonte.

Um dos nomes mais procurados na zona de entrevistas foi o experiente avançado Enner Valencia, que descreveu o ambiente vivido no balneário. Questionado sobre a música em volume elevado e a festa que surpreendeu quem estava na zona mista, o capitão destacou a identidade da equipa.

"A celebração está sempre presente. Foi assim no primeiro jogo, que perdemos, e no segundo, que empatámos. A música está sempre connosco. A nossa alegria é constante. Custa quando não vencemos, mas hoje sairemos daqui muito mais felizes", afirmou Valencia, que também destacou o orgulho que o apuramento representa para o povo equatoriano.

"O Equador está preparado para grandes feitos e já o demonstrámos na fase de qualificação. Nos dois primeiros jogos do Mundial, não conseguimos fazer aquilo que pretendíamos, por isso sabíamos do que precisávamos hoje. Vencemos uma das seleções favoritas, um adversário que costuma ser protagonista nos Mundiais, e estamos muito felizes por isso", concluiu.

Uma tarde de Quito em Nova Jérsia

A alma do futebol sul-americano pulsou com mais força em Nova Jérsia esta tarde. Num encontro que ficará marcado na história, a seleção do Equador contrariou o ceticismo generalizado, derrotou a poderosa Alemanha por 2-1 e garantiu o apuramento para a fase a eliminar do Mundial.

Mais do que o resultado dentro das quatro linhas, assistiu-se nas bancadas do MetLife Stadium a uma impressionante demonstração de paixão. A presença em massa dos adeptos equatorianos transformou o recinto numa extensão de Quito ou Guayaquil.

Caldeirão multicultural nos Estados Unidos

A forte presença tricolor reflete a realidade demográfica local. O estado de Nova Jérsia, vizinho da vibrante Nova Iorque, acolhe uma das maiores e mais dinâmicas comunidades equatorianas dos Estados Unidos. Esse apoio fervoroso já se fazia sentir desde os primeiros jogos, nomeadamente em Filadélfia, mas atingiu o ponto mais alto esta tarde, pintando o estádio de amarelo, azul e vermelho.

Para quem está habituado a públicos mais contidos, os equatorianos levaram ao MetLife Stadium a verdadeira catarse do futebol sul-americano. Ver o jogo sentado? Impossível. A cada lance de perigo, os adeptos levantavam-se, gesticulavam e empurravam a equipa com um repertório que marcava o ritmo do encontro. O clássico "Esta tarde tenemos que ganar" ecoava como um trovão, mas foi o emblemático "Sí, se puede!" ("Sim, é possível!") que ganhou força nos momentos decisivos.

"Ver um Mundial aqui é uma sensação indescritível. Os Estados Unidos abriram-nos as portas e hoje conseguimos retribuir essa energia, transformando este estádio na nossa casa", afirmou, emocionado, o adepto equatoriano Júlio Narváez, que viajou de Guayaquil para testemunhar este momento histórico. Perante o desfecho, todo o sacrifício valeu a pena.

Narvaez acompanhou vitória histórica do Equador
Narvaez acompanhou vitória histórica do EquadorJosias Pereira

Superação e o fim dos 100% da Alemanha

O feito equatoriano ganha contornos heroicos perante a dimensão do desafio. O Equador não entrou bem no Mundial e chegou à última jornada sob desconfiança, depois dos tropeços frente à Costa do Marfim e a Curaçau. Do outro lado estava a poderosa Alemanha, que procurava encerrar a fase de grupos com um registo perfeito e partia como ampla favorita.

Quando os alemães inauguraram o marcador, o cenário parecia desolador para quem assistia de fora. Ainda assim, os adeptos equatorianos mantiveram a confiança numa qualificação que muitos consideravam improvável. O "Sí, se puede" subiu de tom e embalou a reação.

A reviravolta por 2-1 foi consumada com um golo de Gonzalo Plata, avançado do Flamengo, que incendiou definitivamente o estádio. Dentro de campo, a seleção equatoriana superou-se na entrega e na determinação, deixando para trás os problemas de finalização que vinham causando preocupação desde os particulares de preparação.

Tradição de assistir ao jogo em pé foi mantida
Tradição de assistir ao jogo em pé foi mantidaFlashscore

Sem medo do futuro: "Venha quem vier"

O apito final desfez o nó na garganta de milhares de adeptos. Nas bancadas, as lágrimas de alívio e felicidade tomaram conta do público, que celebrou em uníssono ao som de uma tradicional canção folclórica equatoriana, eternizada pelas vozes de alguns dos maiores artistas do país.

A euforia foi de tal forma intensa que chegou às zonas interiores do MetLife Stadium. Enquanto os jovens Kenny Arroyo, conhecido por Patio, e Nilson Angulo, dois dos grandes destaques da partida, se dirigiam para a conferência de imprensa, o som vindo do exterior era ensurdecedor. Na zona mista, o ambiente era de total convicção.

Mais do que festejar o apuramento, adeptos e jornalistas equatorianos deixavam claro que esta seleção deixou de reconhecer limites. O respeito pela Alemanha ficou para trás e a convicção passou a ser outra: o Equador pode bater-se de igual para igual com qualquer gigante.

Venha quem vier, México, Inglaterra ou qualquer outro adversário, os adeptos mantêm-se firmes, embalados pelo grito que se transformou em mantra e realidade: o Equador pode.

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