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Há nove anos, um jovem de 18 anos entrou em campo frente ao Luxemburgo aos 78 minutos. Ninguém sabia ainda, mas essa aparição iria mudar o rumo da seleção de França para toda uma geração. Esta segunda-feira à noite, em Filadélfia, Kylian Mbappé vai pisar o relvado pela centésima vez com a camisola dos gauleses, frente ao Iraque. Um número impressionante para quem vai celebrar 28 anos no final do ano e pode orgulhar-se de já ter batido todos os recordes com os Bleus, incluindo o de melhor marcador frente ao Senegal, que agora detém com 58 golos.
2017: Estreia e um primeiro golo numa vitória crucial
A 25 de março de 2017, Mbappé tornou-se o segundo jogador mais jovem da história a vestir a camisola da seleção principal de França, na sua estreia frente ao Luxemburgo.
Ainda não tinha 19 anos, vinha de uma época extraordinária pelo Mónaco, onde foi campeão francês e semifinalista da Liga dos Campeões, e chegou à seleção como se sempre lá tivesse estado.
O seu primeiro golo pela seleção surgiu cinco meses depois, numa vitória por 4-0 frente aos Países Baixos no Stade de France, no jogo que garantiu a qualificação dos Bleus para o Mundial da Rússia, e apenas algumas horas depois de ter sido transferido para o PSG. Em poucos meses, já se tinha afirmado no grupo de Didier Deschamps, não como uma promessa a proteger, mas como um titular em potência. O caminho estava traçado, o ritmo de cruzeiro também.

2018: Campeão do mundo aos 19 anos
Foi o verão da consagração. Se toda a França já se entusiasmava com o prodígio de Bondy, o mundo descobriu Mbappé na Rússia com os Bleus, que acabaram por se sagrar campeões do mundo graças ao seu talento.
Tornou-se o segundo jogador mais jovem, depois de Pelé, a marcar dois golos numa fase final, nos oitavos de final frente à Argentina, e depois a marcar na final, vencida por 4-2 frente à Croácia. Esses oitavos frente à Albiceleste continuam a ser um dos jogos fundadores da sua lenda azul: no seu corredor esquerdo, atormentou Marcos Rojo, conquistou penáltis, marcou dois golos e eliminou praticamente sozinho a Argentina. Com quatro golos no torneio, saiu com o prémio de melhor jovem jogador do Mundial. Aos 19 anos, Mbappé era campeão do mundo, com um título que leva a sua marca.
2021: A ferida suíça
Nem tudo é perfeito nesta história azul. No Euro-2020, Mbappé falhou o penálti decisivo que ditou a eliminação da França nos oitavos de final frente à Suíça. Uma noite negra em Bucareste, imagens dolorosas que se repetem: a bola a passar por cima da barra, o rosto desolado, as lágrimas quase a cair. E insultos em massa nas redes sociais.
Pela primeira vez, o grande público viu Mbappé falhar no palco internacional e alguns começaram a questionar a sua capacidade de decidir nos grandes momentos. A França venceu a Liga das Nações nesse mesmo ano e Mbappé respondeu às dúvidas ao marcar um golo e fazer uma assistência na final frente à Espanha. Em novembro de 2021, marcou quatro golos frente ao Cazaquistão na qualificação para o Mundial, o primeiro poker desde Just Fontaine em 1958.

2022: Um hat-trick em vão na final do Mundial
Numa final disputada a 18 de dezembro no Catar, Mbappé deixou marca sem conseguir o título. Durante 60 minutos, a França esteve irreconhecível, a perder por 2-0, incapaz de encontrar o ritmo certo perante uma Argentina organizada e liderada por um Lionel Messi imperial. Depois, o avançado francês apareceu finalmente.
Em menos de dois minutos, empatou de penálti e depois com um remate de pé esquerdo. O jogo mudou, foi para prolongamento, e ele ainda marcou um terceiro golo já perto do fim para forçar os penáltis. Assinou um hat-trick na final, o primeiro desde o inglês Geoff Hurst em 1966, e saiu com o troféu de melhor marcador do torneio, com oito golos. Mas a França perdeu nos penáltis e o segundo título mundial escapou a Mbappé, que prometeu voltar mais forte.
2026: Recordes atrás de recordes e alguns anos para os tornar inalcançáveis
E voltou em força. Frente ao Senegal no jogo de abertura do Mundial-2026, Mbappé marcou dois golos que lhe permitiram ultrapassar Olivier Giroud e tornar-se o melhor marcador de sempre da seleção francesa, com 58 golos. Bateu também o recorde de Just Fontaine em Mundiais, elevando o seu total para 14 golos na competição.

Aos 27 anos e agora capitão dos Bleus, já não é a promessa que todos esperavam, mas quase um veterano em quem todos confiam para trazer à seleção francesa a terceira estrela. Frente ao Iraque, atinge as 100 internacionalizações e está apenas a 47 de bater o recorde da seleção masculina francesa, detido por Hugo Lloris (147 internacionalizações). A menos que queira bater a marca absoluta de Eugénie Le Sommer (200).
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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