Análise: Adrien Rabiot, a peça que faltava no meio-campo francês

Adrien Rabiot, médio da seleção francesa
Adrien Rabiot, médio da seleção francesaReuters

Revelação no Mundial-2022, em que substituiu os lesionados Paul Pogba e N'Golo Kanté, o médio Adrien Rabiot apresenta-se na América do Norte como um dos líderes dos Bleus, como demonstrou na estreia vitoriosa por 3-1 frente ao Senegal.

Se os colegas de Kylian Mbappé não soçobraram durante uma primeira parte apática contra os Leões da Teranga em East Rutherford, nos arredores de Nova Iorque, na terça-feira, na abertura do Grupo I, devem-no em grande parte à dupla de centrais Dayot Upamecano-William Saliba.

Mas sobretudo graças ao médio do AC Milan, um dos poucos Bleus que estiveram à altura durante todo o encontro.

Michael Olise e Ousmane Dembélé eram supostamente os responsáveis por servir o capitão francês, mas Rabiot forneceu-lhe rapidamente bons passes, sem que Mbappé, também apático na hora de afinar a pontaria, os conseguisse aproveitar devidamente.

E quando, na segunda parte, a pérola do Bayern e a superestrela do Real Madrid despertaram, permitindo à França inaugurar o marcador e a Mbappé entrar para a história, o Duque não abrandou o ritmo e, com a sua terceira assistência pela seleção fracnesa, serviu Bradley Barcola para o 2-0.

Harmonia 

Se esse quarteto ofensivo Mbappé, Dembélé, Olise, Doué, inveja de muitos, continua à procura de um equilíbrio que lhe permita mostrar todo o seu potencial, o meio-campo idealizado por Didier Deschamps já encontrou a harmonia certa.

Neste duplo pivô, Aurélien Tchouaméni assume o papel de clássico número 6, encarregado de iniciar a saída de bola, enquanto Rabiot assegura a ligação com os seus avançados... para o melhor e para o pior.

"Na primeira parte perdemos muitas bolas em fase ofensiva com os nossos quatro jogadores da frente. Por isso, ficámos expostos com o Aurélien e o resto da defesa", lamentou com total franqueza, medindo o peso que recai sobre os seus ombros no sistema idealizado por Deschamps.

Rabiot, cuja relação com os Bleus foi tumultuosa, parece agora disposto a assumir as suas responsabilidades.

Deschamps, que o tinha afastado durante dois anos após o Mundial-2018, tornou-o desde então num dos seus homens de confiança. Mesmo quando o jogador, de personalidade vincada, tinha problemas no seu clube.

Há menos de um ano, quando o médio saiu do Marselha de forma ruidosa, após uma "love story" de uma época, Deschamps apoiou-o na seleção, afirmando que "valoriza Adrien Rabiot pelo que ele é, pelo que fez" com a seleção.

Sem rodeios 

O que é, Rabiot, de 31 anos, diz-o sem rodeios sempre que toma a palavra.

Após a vitória frente aos africanos, teve tempo para se pronunciar sobre as condições do relvado do MetLife Stadium, onde se vai disputar a final do Mundial a 19 de julho.

"O relvado... nem sei se se pode chamar assim. Parece mais um sintético bastante duro, rígido. Mas é igual para todas as equipas, temos de nos adaptar", atirou, antes de expressar o desejo de ter "um melhor terreno nos outros jogos".

Rabiot diz o que pensa, faz o que diz e também defende os seus colegas. À sua maneira.

Durante os jogos de preparação, o médio ofensivo Rayan Cherki anunciou que queria "arrasar com toda a gente" durante o Mundial, uma frase contundente muito comentada num ambiente futebolístico cada vez mais asséptico.

"Eu não achei despropositado, na verdade não percebi muito bem a polémica", considerou, pelo contrário, Rabiot.

"Sou o primeiro a dizer ou a fazer coisas que por vezes vão contra o que normalmente se pensa. É um discurso bastante ambicioso, que talvez tenha sido mal interpretado. Não creio que lhe tenha faltado humildade, de todo. Não é o estilo do Rayan", acrescentou.

O que Rabiot poderia ter feito há uns anos, antes de assumir plenamente o seu papel de patrão.

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