Se os colegas de Kylian Mbappé não soçobraram durante uma primeira parte apática contra os Leões da Teranga em East Rutherford, nos arredores de Nova Iorque, na terça-feira, na abertura do Grupo I, devem-no em grande parte à dupla de centrais Dayot Upamecano-William Saliba.
Mas sobretudo graças ao médio do AC Milan, um dos poucos Bleus que estiveram à altura durante todo o encontro.
Michael Olise e Ousmane Dembélé eram supostamente os responsáveis por servir o capitão francês, mas Rabiot forneceu-lhe rapidamente bons passes, sem que Mbappé, também apático na hora de afinar a pontaria, os conseguisse aproveitar devidamente.
E quando, na segunda parte, a pérola do Bayern e a superestrela do Real Madrid despertaram, permitindo à França inaugurar o marcador e a Mbappé entrar para a história, o Duque não abrandou o ritmo e, com a sua terceira assistência pela seleção fracnesa, serviu Bradley Barcola para o 2-0.
Harmonia
Se esse quarteto ofensivo Mbappé, Dembélé, Olise, Doué, inveja de muitos, continua à procura de um equilíbrio que lhe permita mostrar todo o seu potencial, o meio-campo idealizado por Didier Deschamps já encontrou a harmonia certa.
Neste duplo pivô, Aurélien Tchouaméni assume o papel de clássico número 6, encarregado de iniciar a saída de bola, enquanto Rabiot assegura a ligação com os seus avançados... para o melhor e para o pior.
"Na primeira parte perdemos muitas bolas em fase ofensiva com os nossos quatro jogadores da frente. Por isso, ficámos expostos com o Aurélien e o resto da defesa", lamentou com total franqueza, medindo o peso que recai sobre os seus ombros no sistema idealizado por Deschamps.
Rabiot, cuja relação com os Bleus foi tumultuosa, parece agora disposto a assumir as suas responsabilidades.
Deschamps, que o tinha afastado durante dois anos após o Mundial-2018, tornou-o desde então num dos seus homens de confiança. Mesmo quando o jogador, de personalidade vincada, tinha problemas no seu clube.
Há menos de um ano, quando o médio saiu do Marselha de forma ruidosa, após uma "love story" de uma época, Deschamps apoiou-o na seleção, afirmando que "valoriza Adrien Rabiot pelo que ele é, pelo que fez" com a seleção.
Sem rodeios
O que é, Rabiot, de 31 anos, diz-o sem rodeios sempre que toma a palavra.
Após a vitória frente aos africanos, teve tempo para se pronunciar sobre as condições do relvado do MetLife Stadium, onde se vai disputar a final do Mundial a 19 de julho.
"O relvado... nem sei se se pode chamar assim. Parece mais um sintético bastante duro, rígido. Mas é igual para todas as equipas, temos de nos adaptar", atirou, antes de expressar o desejo de ter "um melhor terreno nos outros jogos".
Rabiot diz o que pensa, faz o que diz e também defende os seus colegas. À sua maneira.
Durante os jogos de preparação, o médio ofensivo Rayan Cherki anunciou que queria "arrasar com toda a gente" durante o Mundial, uma frase contundente muito comentada num ambiente futebolístico cada vez mais asséptico.
"Eu não achei despropositado, na verdade não percebi muito bem a polémica", considerou, pelo contrário, Rabiot.
"Sou o primeiro a dizer ou a fazer coisas que por vezes vão contra o que normalmente se pensa. É um discurso bastante ambicioso, que talvez tenha sido mal interpretado. Não creio que lhe tenha faltado humildade, de todo. Não é o estilo do Rayan", acrescentou.
O que Rabiot poderia ter feito há uns anos, antes de assumir plenamente o seu papel de patrão.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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