Recorde as incidências da partida
“Confirmou-se a expectativa sobre o maior Campeonato do Mundo de sempre, com as maiores audiências e receitas de sempre. Vimos uma festa total, com estádios cheios, patrocinadores muito ativos e diversas histórias a serem contadas à volta do futebol”, observou à agência Lusa Daniel Sá.
A campeã europeia Espanha conquistou o título mundial pela segunda vez no domingo, reeditando o êxito de 2010, ao ganhar na final à bicampeã sul-americana Argentina (1-0, após prolongamento), três vezes vitoriosa (1978, 1986 e 2022) e então detentora do cetro, em East Rutherford.
A 23.ª edição da principal prova internacional de seleções decorreu desde 11 de junho e integrou pela primeira vez 48 equipas, ao contrário das 32 participantes entre 1998 e 2022, num recorde de 104 encontros e 39 dias, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.
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“A FIFA usou pela primeira vez a lógica dos preços dinâmicos na bilhética, que variavam com a oferta e a procura e originaram valores exorbitantes. Apesar de não haver dados fechados, vamos estar indiscutivelmente perante o maior sucesso comercial da história do organismo”, enquadrou.
Com previsões universais de 13 mil milhões de dólares (11,4 mil milhões de euros) em receitas e de 12.900 mil (11,3 mil) em gastos no ciclo 2023-2026, a FIFA estimou um orçamento de 3.756 mil (3.286 mil) no último Campeonato do Mundo, na expectativa de arrecadar, pelo menos, 11 mil (9,6 mil), contra os 6.314 mil (5.524 mil ME) da edição de 2022, no Catar.
“Do ponto de vista da imagem, a FIFA não tem sido um exemplo de transparência, mas isso não vem desta competição e já faz parte da sua história. Há sempre telhados de vidro, ingerências políticas e algumas situações muito pouco transparentes. É perigoso, porque o adepto quer uma instituição pura e honesta. Se desconfia que tal não acontece, pode afastar-se do futebol. É um risco para o futuro da FIFA”, notou Daniel Sá.
Ainda assim, o diretor-executivo do IPAM atribui mérito ao organismo pelo gradual contacto com novos segmentos e pessoas sem vínculo ao futebol, sendo já equacionada a expansão das fases finais para 64 participantes.
“Um quarto dos países esteve no Mundial-2026. Vamos ao exemplo mais querido: Cabo Verde vibrou como nunca numa prova deste género. Há um equilíbrio difícil. Por um lado, existem jogos a mais e podemos cansar as audiências, fazendo aborrecê-las com várias paragens e tanto tempo a ver determinada partida. Ao mesmo tempo, está-se a chegar a mais mercados e a produzir melhores conteúdos fora dos 90 minutos. Insisto sempre nisso: não nos vamos ficar sempre pelas audiências televisivas, porque muitas vezes chegamos mais rápido às pessoas pelos resumos dos jogos”, referiu.
O Mundial-2026 fixou um recorde de 6.810.966 espetadores nos estádios, à média de 65.490 por jogo e com uma taxa de ocupação de 99,7%, acima dos 3.587.538 presentes nas 52 partidas efetuadas em 1994, numa edição organizada a solo pelos Estados Unidos.
Dispersa por 16 cidades - 11 dos Estados Unidos, três do México e duas do Canadá -, a prova teve 78 dos 104 duelos em território norte-americano, onde, segundo a revista Forbes, a final entre Espanha e Argentina incluiu os ingressos mais caros de sempre em eventos desportivos ali realizados.
