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“É uma decisão tomada pelos presidentes das três federações e da FIFA e creio que devemos estar satisfeitos. Gostávamos de ter mais jogos, mas há que desfrutar dos que tivermos no México e dos que possamos assistir nos Estados Unidos ou no Canadá”, referiu à agência Lusa o ex-médio do Sporting, de 67 anos, que fez 73 jogos e 16 golos pela seleção azteca e disputou o Mundial-1986 no seu país, rubricando um tento para a história.
A 23.ª edição do Campeonato do Mundo realiza-se de 11 de junho a 19 de julho e integra pela primeira vez 48 seleções, incluindo Portugal, num total de 104 jogos, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, que albergou a prova em 1994, México, anfitrião em 1970 e 1986, e Canadá.
“Se o México tiver de ir aos Estados Unidos (na fase a eliminar), é como se estivesse a jogar em casa, por causa da gente que lá vive e da economia que geram. Inclusivamente, os respetivos países sabem que o México joga como (uma seleção) local no Canadá e nos Estados Unidos. Estamos tão perto que não temos nenhum problema”, enquadrou Manuel Negrete, cuja estreia no futebol europeu aconteceu ao serviço do Sporting, em 1986/87.
Ostentando 18 participações no principal torneio internacional de seleções, em igualdade com a Itália, ausente desde 2014, e só atrás do recordista Brasil, da Alemanha e da Argentina, detentora do troféu, o México medirá forças no Grupo A da primeira fase com a Coreia do Sul e as regressadas República Checa e África do Sul, adversária na partida de abertura, em 11 de junho, tal como aconteceu em 2010, no mesmo dia, em Joanesburgo.

O Estádio Azteca, situado na capital Cidade do México e com capacidade para 87.000 espetadores, acolherá esse desafio e vai tornar-se o primeiro recinto a receber encontros de três edições de Mundiais, quase três meses depois da sua reinauguração num jogo particular diante de Portugal (0-0).
“Estamos orgulhosos. O estádio teve arranjos e diminuiu um pouquinho (de assistência). Já não serão 110.000 adeptos nas bancadas, mas quase 85.000 com mais comodidade. É um palco que cada jogador quer pisar, tal como Wembley, o Maracanã e os grandes estádios de todo o mundo. O Azteca é um símbolo do futebol, de todos os mexicanos e dos Mundiais”, frisou Manuel Negrete, campeão nacional pelo Pumas UNAM, com o qual arrebatou ainda três Taças dos Campeões da CONCACAF, e pelo Atlante.
Monterrey e Guadalajara perfazem o trio de cidades-sede do México e têm estado a “trabalhar para embelezar estádios que são mais novos do que o Azteca e possuem toda a tecnologia, ao nível de qualquer recinto europeu”.
Em contraste com Monterrey, os recintos de Guadalajara e da Cidade do México estão a 1.566 e 2.240 metros de altitude, respetivamente, e testam os jogadores por causa do ar rarefeito, que tem baixa densidade, menor pressão atmosférica e reduz a capacidade para manter o esforço de alta intensidade, com Manuel Negrete a antecipar vantagens para o México e outras seleções que estejam acostumadas a competir nessas condições.
“Esse fator tem de ser visto por preparadores físicos, médicos e os que se dedicam ao planeamento. As seleções têm de vir com uma antecedência considerável para se poderem adaptar”, advertiu, sobre um país que vai albergar 13 encontros, tantos como o Canadá, contra os 78 dos Estados Unidos, onde se disputará a final, em East Rutherford, em Nova Jérsia.
Manuel Negrete eternizou-se na história dos Mundiais em 1986, quando, no único golo anotado em fases finais, tabelou com Javier Aguirre, atual selecionador do México, e marcou de forma acrobática à entrada da área, inaugurando a vitória sobre a Bulgária nos oitavos de final (2-0), no Azteca.
Em 2018, através de uma votação promovida pela FIFA nas redes sociais, os adeptos elegeram esse tento como o melhor de todas as edições do torneio, que ficou à frente de 31 alternativas, incluindo o lance individual do já falecido argentino Diego Maradona frente à Inglaterra nos quartos de 1986, igualmente na Cidade do México e considerado o golo do século.
“Parece que ainda jogo, porque sou reconhecido nas ruas e dá-me muito gosto que continuem a recordar-se com carinho daquele Mundial, apesar de ter sido há 40 anos. Golo de Maradona? Foi muito bonito, mas votaram mais no meu”, terminou o ex-médio, presente numa das duas melhores campanhas dos aztecas, que também chegaram aos quartos em 1970.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 será realizado de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio contará com 48 seleções nacionais e será disputado em 16 estádios modernos.
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