Mundial-2026: "O Irão vai sofrer muito", alerta preparador físico

Equipa técnica do Irão parte para treinar no Estádio Caliente, em Tijuana, no México
Equipa técnica do Irão parte para treinar no Estádio Caliente, em Tijuana, no MéxicoReuters

O percurso do Irão no Mundial-2026 tornou-se uma verdadeira odisseia. Além dos problemas com vistos, da proibição imposta aos adeptos e da impossibilidade de pernoitar em solo norte-americano, a seleção iraniana terá de superar um desgaste logístico: sem poder permanecer nos Estados Unidos, os Leões Persas regressarão a Tijuana, no México, logo após cada jogo, o que reduzirá drasticamente o tempo de recuperação.

Como é que esta maratona de deslocações vai afetar o desempenho dos jogadores? Para responder a esta questão, o Flashscore falou com o preparador físico Bruno Neves, que trabalhou em vários clubes do futebol brasileiro.

Inicialmente, o Irão deveria ficar alojado no Arizona, nos Estados Unidos, mas a condição imposta pelo governo dos Estados Unidos para conceder os vistos aos jogadores foi proibir a equipa e a equipa técnica de permanecerem no país durante mais de um dia.

Os jogos contra a Nova Zelândia e a Bélgica serão disputados em Los Angeles. O encontro frente ao Egito está agendado para Seattle. A distância entre Tijuana e Los Angeles é de 219 km, enquanto a viagem até Seattle será muito mais longa: 2.049 km.

"A seleção iraniana vai sofrer muito em comparação com as outras equipas. Esta logística de deslocações obriga-os a focar-se mais nas viagens e menos na recuperação. Num torneio curto como o Mundial, isso pesa imenso porque a recuperação deve ser feita imediatamente após o jogo, para que o jogador esteja pronto para o seguinte. Esta rotina pode fazer com que percam rendimento nos jogos", explicou Bruno Neves.

A distância entre Seattle e Tijuana é de 2.045 km
A distância entre Seattle e Tijuana é de 2.045 kmGoogle Maps

A recuperação refere-se a um conjunto de técnicas e procedimentos pós-jogo essenciais para acelerar a regeneração muscular. O principal objetivo é aliviar as dores, restabelecer o equilíbrio do organismo e prevenir lesões, para que o jogador esteja apto para os próximos treinos e desafios.

Uma rotina diferente

A seleção iraniana estreia-se a 15 de junho, quando poderá entrar nos Estados Unidos de manhã para disputar o seu jogo e sair logo a seguir, regressando a Tijuana, no México. Este será o trajeto mais curto a realizar pelos Leões Persas na competição.

"Além das deslocações, as preocupações familiares, as tensões relacionadas com os vistos, a imprensa que transmite constantemente a guerra, o que é invulgar, e outros fatores deverão acentuar o cansaço mental dos jogadores", acrescentou Bruno Neves.

O silêncio dos iranianos

Na passada terça-feira, a Federação Iraniana de Futebol anunciou que a sua quota de bilhetes para o Mundial foi retirada pelos Estados Unidos, poucos dias antes do jogo de abertura do torneio.

A decisão apanhou todos de surpresa, pois os adeptos ficaram impossibilitados de assistir aos jogos da seleção na véspera do início do Mundial, que sempre teve como objetivo promover a aproximação entre os povos.

Estratégias para procurar a igualdade

Ao contrário dos seus adversários, que beneficiam de uma logística organizada e de períodos de descanso adequados, o Irão terá de lutar contra o tempo para evitar que o cansaço afaste os seus jogadores do relvado. Bruno Neves aponta caminhos para limitar os danos físicos:

"Será fundamental dar prioridade à alimentação, hidratação e, sobretudo, ao sono, cujo impacto no rendimento está cientificamente comprovado. Vão sofrer com a falta de tempo, mas focar-se na qualidade destes três aspetos é a única solução para não ficarem demasiado prejudicados", concluiu.

Próximos jogos do Irão
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